domingo, 4 de setembro de 2016

BHAGAVAD-GÍTA Como Ele É - Capítulo 15 Verso 5

nirmāna-mohā jita-saṅga-doṣā
adhyātma-nityā vinivṛtta-kāmāḥ
dvandvair vimuktāḥ sukha-duḥkha-saṁjñair
gacchanty amūḍhāḥ padam avyayaṁ tat

Palavra por palavra: 

niḥ — sem; māna — falso prestígio; mohāḥ — e ilusão; jita — tendo vencido; saṅga — da associação; doṣāḥ — as faltas; adhyātma — em conhecimento espiritual; nityāḥ — em eternidade; vinivṛtta — desassociado; kāmāḥ — da luxúria; dvandvaiḥ — das dualidades; vimuktāḥ — liberados; sukha–duḥkha — felicidade e sofrimento; saṁjñaiḥ— chamados; gacchanti — alcançam; amūḍhāḥ — não confundidos; padam — situação; avyayam — eterna; tat — esta.

Tradução: 

Aqueles que estão livres do falso prestígio, da ilusão e da falsa associação, que compreendem o eterno, que se enfastiaram da luxúria material, que estão livres das dualidades manifestas sob a forma de felicidade e sofrimento, e que com toda a lucidez sabem como se render à Pessoa Suprema, alcançam este reino eterno.

Significado: 


Aqui se descreve de maneira bastante precisa o processo de rendição. A primeira qualificação é que não se deve estar iludido pelo orgulho. Porque a alma condicionada se envaidece, achando-se o dono da natureza material, é muito difícil que se renda à Suprema Personalidade de Deus. Pelo cultivo do verdadeiro conhecimento, devemos procurar saber que não somos os senhores da natureza material; a Suprema Personalidade de Deus é o Senhor. Ao livrarmo-nos da ilusão causada pelo orgulho, podemos começar o processo de rendição. Para quem vive na expectativa de obter alguma honra neste mundo material, não é possível render-se à Pessoa Suprema. O orgulho é devido à ilusão, pois, embora o homem venha para cá para permanecer por pouco tempo e então ir-se embora, ele tem a falsa impressão de que é o senhor do mundo. Com isso, ele complica tudo, e está sempre em dificuldades. O mundo inteiro gira sob esta noção. As pessoas consideram que este planeta Terra pertence à sociedade humana, e o dividiram sob a falsa impressão de que são os proprietários. Devemos nos livrar desta falsa idéia de que a sociedade humana é proprietária deste mundo. Ao libertar-se desta idéia errônea, o homem se livra de todas as falsas alianças propiciadas pelas afeições familiares, sociais e nacionais. Estas relações forjadas atam-no a este mundo material. Após esta fase, ele deve desenvolver conhecimento espiritual e procurar conhecer aquilo que é realmente seu e aquilo que de fato não lhe pertence. E quando tem uma verdadeira compreensão das coisas, ele se livra de todas as concepções duais, tais como felicidade e sofrimento, prazer e dor. Ele se torna pleno em conhecimento; então lhe é possível render-se à Suprema Personalidade de Deus.