quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Sexo e Casamento





5.21
Tal pessoa liberada não se deixa atrair pelo prazer dos sentidos materiais, mas está sempre em transe, gozando o prazer interior. Desse modo, a pessoa auto-realizada sente felicidade ilimitada, pois se concentra no Supremo.
Significado: 
Śrī Yāmunācārya, um grande devoto em consciência de Kṛṣṇa, disse:
yad-avadhi mama cetaḥ kṛṣṇa-pādāravinde
nava-nava-rasa-dhāmany udyataṁ rantum āsīt
tad-avadhi bata nārī-saṅgame smaryamāne
bhavati mukha-vikāraḥ suṣṭhu niṣṭhīvanaṁ ca
“Desde que passei a ocupar-me no serviço transcendental amoroso a Kṛṣṇa, encontrando nEle um prazer que se renova a cada instante, sempre que eu penso em vida sexual, cuspo no pensamento, e meus lábios se contorcem de desgosto.” Quem está em brahma-yoga, ou consciência de Kṛṣṇa, fica tão absorto no serviço amoroso ao Senhor que deixa de sentir gosto algum no prazer dos sentidos materiais. No plano material, o prazer mais elevado é o prazer sexual. O mundo todo se move sob este encanto, e sem esta motivação o materialista não consegue agir de modo algum. Mas quem está ocupado na consciência de Kṛṣṇa pode trabalhar com muito mais vigor sem entregar-se ao prazer sexual, o qual ele evita. Este é o indício da percepção espiritual. A compreensão espiritual e o prazer sexual não combinam bem. Por ser uma alma liberada, a pessoa consciente de Kṛṣṇa não sente atração por nenhum tipo de prazer dos sentidos.


                                                  6.13-14
Deve-se manter o corpo, pescoço e cabeça eretos, conservando-os em linha reta, e deve-se olhar fixamente para a ponta do nariz. Assim, com a mente plácida e subjugada, sem medo, livre por completo da vida sexual, deve-se meditar em Mim dentro do coração e ver a Mim como a meta última da vida.
Significado: 
O objetivo da vida é conhecer Kṛṣṇa, que está situado no coração de cada ser vivo como Paramātmā, a forma de Viṣṇu de quatro braços. Pratica-se o processo de yoga para descobrir e ver esta forma localizada de Viṣṇu, e não com alguma outra finalidade. A viṣṇu-mūrti localizada é a representação plenária de Kṛṣṇa que mora em nosso coração. Quem não está se preparando para compreender esta viṣṇu-mūrti ocupa-se inutilmente em yogasimulada e com certeza está perdendo seu tempo. Kṛṣṇa é a meta última da vida, e a viṣṇu-mūrti situada no coração é o objeto da prática de yoga. Para perceber esta viṣṇu-mūrti dentro do coração, é necessário observar completa abstinência da vida sexual; por isso, deve-se deixar o lar e viver sozinho num lugar isolado, permanecendo sentado como se mencionou acima. Ninguém pode desfrutar de vida sexual diariamente em casa ou em outro lugar e participar de uma presumível aula de yoga e dessa maneira tornar-se um yogī. Deve-se praticar o controle da mente e a privação de todas as espécies de gozo dos sentidos, cujo elemento predominante é a vida sexual. Nas regras de celibato escritas pelo grande sábio Yājñavalkya afirma-se:
karmaṇā manasā vācā
sarvāvasthāsu sarvadā
sarvatra maithuna-tyāgo
brahmacaryaṁ pracakṣate
“O voto de brahmacarya presta-se a ajudar alguém a abster-se por completo da vida sexual em atos, palavras e mente — em todas as ocasiões, em todas as circunstâncias e em todos os lugares.” Ninguém pode realizar a correta prática da yoga entregando-se à vida sexual. Por isso, ensina-se brahmacarya desde a infância, quando não se tem conhecimento sobre vida sexual. Com a idade de cinco anos, as crianças são enviadas ao gurukula, ou a casa do mestre espiritual, e o mestre treina os meninos na disciplina severa que fará deles verdadeiros brahmacārīs. Sem essa prática, ninguém pode progredir em nenhuma yoga, seja ela dhyāna, jñāna ou bhakti. Entretanto, aquele que segue as regras e regulações da vida de casado, tendo relações sexuais apenas com sua esposa (e isso também sob regulação), também é chamado brahmacārī. Este chefe de família, que praticamente vive como um brahmacārīcontrolado, pode ser aceito na escola bhakti, mas as escolas jñāna e dhyāna não admitem nem mesmo tais chefes de família. Elas exigem abstinência completa, e não fazem concessão alguma. Na escola bhakti, o chefe de família em regime de brahmacārī pode ter uma vida sexual controlada porque o culto de bhakti-yoga é tão poderoso que ele perde automaticamente a atração sexual, por se ocupar no superior serviço ao Senhor. No Bhagavad-gītā (2.59), afirma-se:
viṣayā vinivartante
nirāhārasya dehinaḥ
rasa-varjaṁ raso ’py asya
paraṁ dṛṣṭvā nivartate
Os outros são forçados a abster-se do gozo dos sentidos, mas o devoto do Senhor abstém-se automaticamente porque já saboreia um gosto superior. A não ser o devoto, nenhuma outra pessoa conhece esse gosto superior.
Vigata-bhīḥ. Quem não está em plena consciência de Kṛṣṇa não pode ser destemido. A alma condicionada sente medo porque tem memória esvaecida, ou seja, porque se esqueceu de sua eterna relação com Kṛṣṇa. O Bhāgavatam(11.2.37) diz que bhayaṁ dvitīyābhiniveśataḥ syād īśād apetasya viparyayo ’smṛtiḥ. A consciência de Kṛṣṇa é a única base para o destemor. Portanto, a prática perfeita é possível para alguém que é consciente de Kṛṣṇa. E como a meta última da prática de yoga é ver o Senhor dentro de si, quem é consciente de Kṛṣṇa já é o melhor dos yogīs. Os princípios do sistema de yoga mencionados nesta passagem são diferentes daqueles das populares “sociedades de yoga”.
  

                                                   6.20-23
Na etapa de perfeição chamada transe, ou samādhi, a mente abstém-se por completo das atividades mentais materiais pela prática da yoga. Caracteriza esta perfeição o fato de se poder ver o Eu com a mente pura e sentir prazer e regozijo no Eu. Neste estado jubiloso, o yogī situa-se em felicidade transcendental ilimitada, percebida através de sentidos transcendentais. Nesse caso, ele jamais se afasta da verdade, e, ao obter isto, vê que não há ganho maior. Situando-se em tal posição, ele nunca se deixa abalar, mesmo em meio às maiores dificuldades. Esta é a verdadeira maneira de alguém livrar-se de todas as misérias surgidas do contato material.
Significado: 
Pela prática de yoga, é possível se desapegar aos poucos dos conceitos materiais. Esta é a característica primária do princípio de yoga. E depois disto, há o transe, ou samādhi, e isto significa que o yogīpercebe a Superalma através da mente e da inteligência transcendentais, sem se deixar influenciar por falsas noções que identificam o eu com o Eu Supremo. A prática de yoga é mais ou menos baseada nos princípios do sistema de Patañjali. Alguns comentadores desautorizados tentam identificar a alma individual com a Superalma, e os monistas acham que a liberação consiste nisto, mas não compreendem o verdadeiro propósito do sistema de yoga de Patañjali. No sistema de Patañjali, aceita-se o prazer transcendental, mas os monistas, com medo de pôr em risco a teoria da unidade, não concordam com este prazer transcendental. O não-dualista não admite a dualidade de conhecimento e conhecedor, mas neste verso aceita-se o prazer transcendental — percebido através de sentidos transcendentais. E isto é corroborado pelo próprio Patañjali Muni, o famoso representante do sistema de yoga. Em seus Yoga-sūtras (4.34), o grande sábio declara: puruṣārtha-śūnyānāṁ guṇānāṁ pratiprasavaḥ kaivalyaṁ svarūpa-pratiṣṭhā vā citi-śaktir iti.
Esta citi-śakti, ou potência interna, é transcendental. Puruṣārtha significa a religiosidade material, o desenvolvimento econômico, o gozo dos sentidos e, por fim, a tentativa de tornar-se uno com o Supremo. Esta “unidade com o Supremo” é chamada kaivalyam pelos monistas. Mas segundo Patañjali, esta kaivalyam é uma potência interna, ou transcendental, pela qual a entidade viva passa a notar sua posição constitucional. Nas palavras do Senhor Caitanya, este estado de coisas chama-se ceto-darpaṇa-mārjanam, ou limpeza do espelho impuro da mente. Esta “limpeza” é de fato a liberação, ou bhava-mahā-dāvāgni-nirvāpaṇam. A teoria do nirvāṇa — também preliminar — corresponde a este princípio. No Bhāgavatam (2.10.6) isto se chama svarūpeṇa vyavasthitiḥ. Neste verso, o Bhagavad-gītātambém confirma esta situação.
Depois de nirvāṇa, ou cessação material, há a manifestação de atividades espirituais, ou serviço devocional ao Senhor, conhecido como consciência de Kṛṣṇa. Nas palavras do Bhāgavatam, svarūpeṇa vyavasthitiḥ: esta é a “verdadeira vida da entidade viva”. Māyā, ou ilusão, é uma condição em que a vida espiritual sofre os efeitos da infecção material. Liberar-se desta infecção material não significa destruir a posição original e eterna da entidade viva. Com suas palavras kaivalyaṁ svarūpa-pratiṣṭhā vā citi-śaktir iti, Patañjali também aceita isto. Esta citi-śakti,ou prazer transcendental, é a verdadeira vida. Confirma-se isto no Vedānta-sūtra (1.1.12) como ānanda-mayo ’bhyāsāt. Este prazer transcendental natural é a meta última da yoga e se alcança facilmente pela execução do serviço devocional, ou bhakti-yoga. A bhakti-yoga será vividamente descrita no Sétimo Capítulo do Bhagavad-gītā.
No sistema de yoga, conforme se descreve neste capítulo, há duas espécies de samādhi, chamadas samprajñāta-samādhi e asamprajñāta-samādhi. Quando alguém se situa numa posição transcendental, por meio de várias investigações filosóficas, diz-se que alcançou samprajñāta-samādhi. No asamprajñāta-samādhi, não há mais ligação alguma com o prazer mundano, pois a pessoa é então transcendental a toda espécie de felicidade derivada dos sentidos. Uma vez situado nessa posição transcendental, o yogī jamais se afasta dela. Enquanto não conseguir alcançar esta posição, o yogī estará mal-sucedido. A prática simulada da yoga de hoje em dia, que envolve vários prazeres dos sentidos, é contraditória. Um yogī que se entrega ao sexo e à intoxicação é uma farsa. Nem mesmo aqueles yogīs que se sentem atraídos pelas siddhis (perfeições) do processo de yoga estão numa situação perfeita. Se os yogīs são atraídos pelos subprodutos da yoga, então, não podem alcançar a fase de perfeição, como se declara neste verso. Portanto, aqueles que se entregam à prática exibicionista de ginásticas ou siddhis devem saber que dessa maneira perde-se o objetivo da yoga.
Nesta era, a melhor prática de yoga é a consciência de Kṛṣṇa, pois não é fraudulenta. Um devoto consciente de Kṛṣṇa está tão feliz em sua ocupação que não aspira a nenhuma outra felicidade. Especialmente nesta era de hipocrisia, existem muitos impedimentos à prática de haṭha-yoga, dhyāna-yoga e jñāna-yoga, mas não há problemas na execução de karma-yoga ou bhakti-yoga.
Enquanto se tem um corpo material, faz-se necessário atender às exigências do corpo, a saber, comer, dormir, defender-se e acasalar-se. Mas quem está em bhakti-yoga pura, ou em consciência de Kṛṣṇa, não instiga os sentidos enquanto atende às exigências do corpo. Ao contrário, ele aceita as necessidades básicas da vida, tirando o melhor proveito de um mau negócio, e goza felicidade transcendental em consciência de Kṛṣṇa. Ele não se deixa afetar por incidentes ocasionais — tais como acidentes, doenças, penúria, e até mesmo a morte de um ente muito querido — mas está sempre alerta para executar seus deveres em consciência de Kṛṣṇa, ou bhakti-yoga. Os acidentes nunca o desviam de seu dever. Como se afirma no Bhagavad-gītā (2.14): āgamāpāyino ’nityās tāṁs titikṣasva bhārata. Ele suporta todas essas ocorrências incidentais porque sabe que elas vêm e vão e não afetam seus deveres. Desse modo, ele consegue a mais alta perfeição na prática de yoga.

                                                    10.28
Das armas sou o raio; entre as vacas sou a surabhi. Das causas que fomentam a procriação, sou Kandarpa, o deus do amor, e das serpentes, sou Vāsuki.
Significado: 
O raio, uma arma deveras poderosa, representa o poder de Kṛṣṇa. Em Kṛṣṇaloka, no céu espiritual, há vacas que podem ser ordenhadas a qualquer hora, e elas dão tanto leite quanto se queira. É claro que essas vacas não existem neste mundo material, mas menciona-se que elas estão presentes em Kṛṣṇaloka. O Senhor mantém muitas dessas vacas, chamadas surabhi. Afirma-se que o Senhor ocupa-Se em apascentar as vacas surabhi. Kandarpa é o desejo sexual com que se produzem bons filhos; por isso, Kandarpa é o representante de Kṛṣṇa. Às vezes, as pessoas ocupam-se em sexo apenas em busca de gozo dos sentidos; tal sexo não representa Kṛṣṇa. Mas o sexo para gerar bons filhos chama-se Kandarpa e representa Kṛṣṇa.

                                                 17.14
A austeridade do corpo consiste em adorar o Senhor Supremo, os brāhmaṇas, o mestre espiritual e os superiores, tais como o pai e a mãe, e em limpeza, simplicidade, celibato e não-violência.
Significado: 

Aqui, a Divindade Suprema explica as diferentes espécies de austeridade e penitência. Primeiro, Ele explica as austeridades e penitências praticadas com o corpo. Deve-se oferecer, ou aprender a oferecer, respeito a Deus ou aos semideuses, aos brāhmaṇas perfeitos e qualificados e ao mestre espiritual e aos superiores, tais como o pai, a mãe ou qualquer pessoa versada no conhecimento védico. Eles devem receber o devido respeito. Deve-se praticar a limpeza externa e interna, e deve-se aprender a comportar-se com simplicidade. Não se deve fazer nada que não seja sancionado pelos preceitos das escrituras. Não se deve praticar sexo fora do casamento, pois as escrituras autorizam apenas o sexo dentro do casamento, e não algum outro tipo de atividade sexual. Isto se chama celibato. Estas penitências e austeridades referem-se ao corpo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A Prática do Celibato

                                                                                         Bhakti Thirta Swami
Embora a sexualidade, expressa de maneira regulada e orientada espiritualmente, seja apropriada para a maioria das pessoas, há exceções importantes. Todas as culturas têm práticas espirituais especiais que fornecem poderes incomuns. Uma dessas práticas é o celibato, que pode ajudar uma pessoa a desenvolver um amor forte, focalizado, para com todos os seres vivos. Os celibatários, em vez de ficarem limitados a um relacionamento, são capazes de oferecer amor profundo e preocupação por qualquer pessoa que entre em seu ambiente.
O princípio do celibato repousa no cerne de muitas religiões. O Novo Testamento, I Coríntios 7, ensina-nos que é melhor permanecer em celibato. Porém, esse mesmo capítulo nos diz que é preferível casar a arder de desejo. A ideia geral por trás do celibato é que temos que sentir um chamado específico para essa forma de vida, a tal ponto que podemos aprender a partir do conhecimento espiritual esotérico acerca de seu significado e prática.
Muitas técnicas estão disponíveis para nos permitir conservar a energia sexual para promover nosso avanço espiritual e serviço. Por exemplo, se a pessoa preserva muita energia vital contida mesmo em uma gota de sêmen e canaliza isso para cima, essa energia pode elevar a consciência dessa pessoa. Porém, uma palavra de prudência: homens e mulheres devem receber um “chamado” específico para uma forma de vida celibatária antes de se ocuparem em tais práticas. Além disso, eles devem ser cuidadosos para não praticar o celibato isolados, sem associações amorosas. Se eles forem viver sem um parceiro imediato, devem aprender a ver a todos como sua família e a cercarem-se de relações amorosas.
Na verdade, o celibato é muito raro e não o recomendamos à maioria das pessoas. Como regra geral, a sociedade requer famílias fortes, conscientes de Deus, e é por isso que a maioria das pessoas deve casar e criar filhos saudáveis, em vez de praticar o celibato. Mas todos devem entender que certos indivíduos escolhem um estilo de vida celibatário visando desenvolver poderes sobre-humanos para servirem os outros de maneira ainda mais dedicada e amorosa.
Ao mesmo tempo, nós temos que lembrar que nossa cultura superenfatiza o papel da sexualidade e que o amor não começa ou termina necessariamente com intercurso sexual. Isso não quer dizer que o sexo não possa ser parte de um relacionamento amoroso entre homem e mulher. É uma questão de manter um equilíbrio saudável entre a expressão sexual e os outros aspectos da vida. O ponto importante é que as pessoas não devem deixar escapar a experiência do amor mais elevado por estarem focalizando apenas o corpo físico.
Na presença de celibatário, geralmente experimentamos níveis intensos de vitalidade e amor. As pessoas genuinamente celibatárias têm uma áurea ao seu redor, porque possuem as poderosas energias da compaixão abnegada que elas compartilham livremente com os outros. Os sacerdotes no antigo Egito e outras civilizações antigas conheciam bem esse fato, e muitos praticantes na Índia moderna ainda o conhecem. O celibato permite que eles executem muitas proezas surpreendentes. Mahatma Gandhi foi um exemplo desse fenômeno; muito de sua força advinha do celibato.
Paradoxalmente, muitos celibatários são muito atraentes para os membros do sexo oposto. Isso é devido ao poderoso amor que eles podem irradiar. Não há nada de errado nisso; a atração é natural entre os sexos. Mas a responsabilidade do celibatário é ser completamente abnegado e totalmente preocupado com os outros. O verdadeiro celibatário tem uma união com os outros a partir do coração, e não a partir dos órgãos genitais.
Celibato Não É Negação
Quando devidamente compreendido e praticado, o celibato não é uma questão de sacrifício. É uma questão de amor. Os indivíduos que se tornam celibatários a fim de dedicar sua energia no serviço a Deus não experimentam o celibato como um sacrifício. A energia sexual deles se transforma em compaixão desprendida e devoção, que eles distribuem amplamente para todos com que se encontram. Eles primeiramente veem a si mesmos como servos de Deus e da sociedade, sempre procurando funcionar como canais de energias divinas para curar, orientar e encorajar os outros.
O celibato é adequado somente se o escolhemos livremente. Se tentamos suprir nosso desejo sexual sem tê-lo focalizado em uma direção diferente, podemos descobrir dentro de nós mesmos um grande falso ego, uma ira intensa ou tendências para sermos surpreendentemente destrutivos. Temos que aprender a redirecionar nossa energia sexual, em vez de negar sua existência ou esperar que ela desapareça. O falso celibato apenas se transforma em outra distorção anormal em nossa sexualidade, destruindo a nossa sociedade ainda mais. O celibato nunca deve ser uma questão de escapar de uma situação que não podemos enfrentar. Por exemplo, algumas pessoas se privam do contato com as pessoas do sexo oposto porque não são capazes de lidar com sua própria sexualidade. O remédio para essa situação é um autoconhecimento maior, não um escape. Tampouco deve o celibato ser ditado de fora. Quando isso acontece, podemos desenvolver comportamentos estranhos ou artificiais. A partir de uma perspectiva prática é fácil entender por que certas instituições religiosas impõem a prática do celibato a seus sacerdotes. Aqueles em posições de liderança podem facilmente explorar o sexo oposto. Sem alguma forma de restrição, um sacerdote em contato frequente com mulheres para tratar de assuntos confidenciais poderia facilmente sucumbir à tentação sexual. Mas, infelizmente, quando o celibato é imposto externamente, muitos sacerdotes geralmente anseiam pelo contato sexual e descobrem formas ilícitas de satisfazer seus desejos.
Toda ação está ligada ao nosso desejo de prazer, e o nosso desejo de prazer tem origem na energia sexual. Quando não estamos altamente sintonizados, buscamos satisfação na forma de exploração e satisfação egoísta. Assim, se carecemos do desejo genuíno de sermos celibatários – o que pode ser o caso, por exemplo, se outras pessoas nos impõem o celibato, se somos impotente, ou se tememos expressar nossa sexualidade –a prática do celibato pode ser prejudicial. Somente experimentaremos frustração e ira, porque estamos nos privando de prazeres pelos quais ansiamos longamente. Forçando-nos a sermos celibatários nessas condições, podemos estar nos violentando e, em última instância, violentando as outras pessoas. Não estamos experimentando “gosto superior”, mas somente trazendo mais sofrimento para o mundo.
A Renúncia Assume Várias Formas
O verdadeiro celibato, então, é uma forma de renúncia em nome de um bem mais elevado. Em vez de ser uma questão de negação ou fuga, a renúncia é uma questão do quanto nos fazemos disponíveis para o serviço a Deus. Para cada pessoa, a renúncia assume uma forma diferente, condizente com o desenvolvimento particular do indivíduo. Por exemplo, aqueles que estão acostumados com o alvoroço da vida comum podem achar difícil que a renúncia solicite que eles se retirem e se tranquilizem.
Mas para aqueles apegados a ficar sozinhos, a renúncia pode significar adotar mais envolvimentos, atividades e relacionamentos externos. O amor da solidão pode ser uma forma de satisfação dos sentidos – o que é uma fraqueza. As interações com os outros podem revelar que eles não estão tão desapegados do mundo quanto gostariam, porque o estilo de vida asceta tornou-se um “para-choque” para protegê-los de um comprometimento genuíno na vida.
Muitos yogis que se ocupam em meditação sob uma árvore, em uma caverna ou nas montanhas se despedaçariam caso tivessem que manter um contato diário com outras pessoas. Além disso, todos já ouvimos falar de swamis ou gurus que, após passarem anos nos Himalaias, começaram a fazer excursões de pregação pela Europa ou pelos Estados Unidos, onde, por fim, caíram de sua posição elevada e sucumbiram à tentação.
O teste verdadeiro da renúncia vem à medida em que nos deparamos com várias situações na vida cotidiana. Renúncia significa um comprometimento autêntico em servir o Senhor em vez de servimos a nós mesmos, sob todas as circunstâncias. Temos que proteger em nome do Senhor e, não nos vermos como proprietários de alguém ou alguma coisa. Contudo, a renúncia não quer dizer ser impessoal ou indiferente aos relacionamentos. Ao contrário, de fato, significa ser mais afetuoso, atencioso, compartilhar mais, ser mais consciente e protetor – não porque estejamos apegados à nossa própria satisfação, mas porque estamos fazendo uma oferenda ao Senhor. O que estamos renunciando é a ascendência do falso ego, que nos mantém aprisionados neste mundo material.
Colocando a Vida Material em Perspectiva
Em última análise, cada um de nós tem que aprender a ser livre, controlando os nossos sentidos e desejos dentro do confinamento imposto por este corpo físico neste mundo material. Quer sejamos celibatários, quer sexualmente ativos, devemos sempre nos conectar com algo mais elevado que irá nos orientar, proteger, animar e nos dar um sentimento de segurança. Os antigos ensinamentos védicos nos recordam, assim como muitas outras tradições, de que todos os mundos, materiais e espirituais, têm a sua origem em Deus. Assim, se tentamos satisfazê-lO, estamos automaticamente em contato com o núcleo de tudo. Desta forma, o que quer que precisemos virá naturalmente para nós.

Infelizmente, a maioria de nós ignora esse fato e ruma na direção errada. Em vez de melhorarmos nosso relacionamento com Deus, passamos a maior parte de nosso tempo tentando satisfazer os nossos desejos superiores. A sexualidade, se mal compreendida, pode ser uma armadilha para que sejamos mantidos presos ao mundo material. Certamente temos que prestar atenção ao corpo para que funcione de maneira eficaz. Mas se nossa prioridade é a satisfação dos sentidos e a satisfação própria, acima de tudo, teremos de ficar retornando a este mundo físico para participar dos jogos sensuais e materiais inúmeras vezes. Por outro lado, se a vida espiritual é o nosso compromisso, então as nossas experiências neste mundo não serão um fim em si mesmas, mas indicações mostrando o caminho de volta à morada de Deus.

domingo, 23 de junho de 2013

SOLSTÍCIO DE INVERNO (YULE)



Dia 21 de Junho é comemorado o Solstício de Inverno, o dia mais curto do ano. Na tradição Celta, e trazida até nós pelos Druidas na maneira como colocamos este ritual para dentro de nossas vidas, é um dos momentos mais importantes do Círculo do Ano.
 
Ligando nossa jornada interior ao ciclo do ano, as palavras da cerimônia dos druidas advertem-nos : “Liberte-se, ó mulher/homem do que quer que esteja impedindo o aparecimento da Luz”. Na escuridão, atiramos ao chão os trapos que carregamos, que significam aquelas coisas que nos impediam de avançar.
Neste dia, olhemos com coragem a sombra que ainda existe em nós, trazendo para a luz de um novo dia, de novos recomeços. Porque nada é linear, começando com o nada e terminando no vazio. Os Celtas nos ensinaram a ver a vida em ciclos perfeitos, que nunca terminam.
O tempo agora é de hibernar, digerir experiências, deixar que idéias e situações fiquem aconchegadas no calor de um fogo interior para despertarem no momento certo.
As longas horas de escuridão nos fazem querer ver de novo o dia, mas ao mesmo tempo, nos ensinam a apreciarmos o silêncio da noite.

-GreenElf

sábado, 27 de abril de 2013

Bhagavad-Gitá Como Ele É - Cap. 16 verso 23


yaḥ śāstra-vidhim utsṛjya
vartate kāma-kārataḥ
na sa siddhim avāpnoti
na sukhaṁ na parāṁ gatim
Palavra por palavra: 
yaḥ — qualquer um que; śāstra-vidhim — as regulações das escrituras; utsṛjya — abandonando; vartate — permanece; kāma-kārataḥ — agindo por capricho em luxúria; na — nunca; saḥ — ele; siddhim — perfeição;avāpnoti — alcança; na — nunca; sukham — felicidade; na — nunca; parām — o supremo; gatim — estágio de perfeição.
Tradução: 
Aquele que põe de lado os preceitos das escrituras e age conforme os próprios caprichos não alcança a perfeição, a felicidade, nem o destino supremo.
Significado: 
SIGNIFICADO Como se descreveu antes, o śāstra-vidhi, ou a orientação śāstrica, serve para as diferentes castas e ordens da sociedade humana. Espera-se que todos sigam essas regras e regulações. Se alguém não as seguir e, sendo caprichoso, agir segundo sua luxúria, cobiça e desejo, então jamais terá uma vida perfeita. Em outras palavras, um homem talvez tenha completo conhecimento teórico sobre este assunto, mas se não o põe em prática, deve então ser conhecido como o mais baixo da humanidade. Na forma de vida humana, espera-se que o ser vivo seja são e que siga as regulações indicadas para elevar sua vida à plataforma mais elevada, mas se não as segue, ele então se degrada. E mesmo que siga as regras, regulações, e princípios morais, sem entretanto, chegar enfim à fase em que se compreende o Senhor Supremo, aí então, todo o seu conhecimento se perde. Mas mesmo que aceite a existência de Deus, se ele não se ocupa no serviço do Senhor, seus esforços serão inúteis. Portanto, deve haver uma elevação gradual à plataforma da consciência de Kṛṣṇa e serviço devocional, só assim pode-se então atingir a mais elevada etapa de perfeição, e de nenhuma outra forma.
A palavra kāma-kārataḥ é muito significativa. Aquele que deliberadamente viola as regras age com luxúria. Ele sabe que é proibido, mas mesmo assim age. Isto se chama agir por capricho. Ele sabe que aquilo deve ser feito, mas mesmo assim não o faz; por isso, é chamado de caprichoso. Tais pessoas estão fadadas a serem condenadas pelo Senhor Supremo. Essas pessoas não podem atingir a perfeição reservada à vida humana. A vida humana destina-se especificamente à purificação da existência, e quem não segue as regras e regulações não pode purificar-se, nem pode alcançar a fase da verdadeira felicidade.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Vida espiritual e Vida sexual



Bhagavad-Gitá Cap. 5 verso 21

Bahya-sparsesv asaktatma
Vindaty atmani yat sukham
Sa brahma-yoga-yuktatma
Sukham aksayam asnute

Tal pessoa liberada não se deixa atrair pelo prazer dos sentidos materiais, mas está sempre em transe, gozando o prazer interior. Desse modo,  a pessoa auto-realizada sente felicidade ilimitada, pois se concentra no Supremo.

Sri Yamunacarya, um grande devoto em consciência de Krishna, disse:
“Desde que passei a ocupar-me no serviço transcendental amoroso a Krishna, encontro nEle um prazer que se renova a cada instante, sempre que eu penso em vida sexual, cuspo no pensamento, e meus lábios se contorcem de desgosto.” Quem está em brahma-yoga, ou consciência de Krishna, fica tão absorto no serviço amoroso ao Senhor que deixa de sentir gosto algum no prazer dos sentidos materiais. No plano material, o prazer mais elevado é o prazer sexual. O mundo todo se move sob este encanto, e sem esta motivação o materialista não consegue agir de jeito nenhum. Mas quem esta ocupado na consciência de Krishna pode trabalhar com muito mais vigor sem entregar-se ao prazer sexual, o qual ele evita. Este é o indício da percepção espiritual.
A compreensão espiritual e o prazer sexual não combinam bem. Por ser uma alma liberada, a pessoa consciente de Krishna não sente atração por nenhum tipo de prazer dos sentidos.

                                         
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Bhagavad-Gitá Cap. 6 Verso 13-14

...deve-se meditar em  Mim dentro do coração e ver a Mim como a meta última da vida.

...Ninguém pode realizar a correta prática de yoga entregando à vida sexual...Entretanto , aquele que segue as regras e regulações da vida de casado, tendo relações sexuais apenas com sua esposa (isso também sob regulação) também é chamado de brahmacari...Na escola bhakti, o chefe de família em regime de brahmacari pode ter uma vida sexual controlada porque o culto de bhakti-yoga é tão poderoso que ele perde automaticamente  a atração sexual, por se ocupar no superior serviço ao Senhor...Os outros são forçados a abster-se do gozo dos sentidos, mas o devoto do Senhor abstém-se automaticamente porque já saboreia um gosto superior. A não ser o devoto, nenhuma outra pessoa conhece esse gosto superior.
                                                               

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Na carta para o devoto Lalitananda dasa, datada de 26/05/75, Srila Prabhupada diz que se ele não abandonasse suas atividades de sexo ilícito no homossexualismo as suas chances de avanço seriam nulas. 


26/05/75

Meu querido Lalitananda dasa,

Por favor, aceite minhas bênçãos. Eu recebi devidamente sua carta datada de 13 de Maio de 1975 e eu notei o seu conteúdo. Eu estou muito triste de que você tenha adotado o homossexualismo. Isso não ajudará você a avançar em sua tentativa pela vida espiritual. De fato, isso apenas impedirá o seu avanço. Eu não sei por que você adotou tais atividades abomináveis. O que eu posso dizer? De qualquer modo, tente render qualquer serviço que você possa para Krishna. Muito embora você esteja numa condição muito degradada, Krishna, ficando satisfeito com a sua atitude de serviço, pode retirar você desse estado caído. Você deve parar este homossexualismo imediatamente. Isso é sexo ilícito, de outra forma, suas chances de avançar na vida espiritual são nulas. Mostre a Krishna que você é sério, se você é.

Eu espero que esta encontre você em boa saúde.
Seu eterno bem querente,
A.C. Bhaktivedhanta Swami


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Homossexualidade—Normal ou Abnormal
Uma abordagem realista à luz da sociologia, psicologia e espiritualidade
Purushatraya Swami

      Até então, tenho relutado a abordar esse tema tão delicado e polemico, pois, como temos visto, tem provocado as mais contraditórias opiniões. Em meio a vozes que clamam pela normalidade, surge, de repente, a visão de Prabhupada que qualifica como abominável. Por mais que se reaja a essa expressão empregada por Prabhupada, não se pode negar sua inquestionável misericórdia para lidar com o caso em questão. No meu caso, estou consciente do risco que corro em transitar por esse campo minado. Procurarei dar uma visão mais realista possível sobre esse tema.
      Certos comentários estão agora na boca de alguns devotos: Por que os líderes do movimento não se pronunciam sobre esse assunto? Por que alguns devotos têm posições tão radicais? Onde está a misericórdia? Por que tanta hipocrisia? Quanto a isso, o que se pode dizer é que esse tema é extremamente complexo para se ter uma simples posição definida. Além disso, ainda estamos, no momento, mais ou menos perplexos diante da proporção que esse assunto tem assumido. São idéias novas, ainda não totalmente digeridas, que devem ser tratadas levando-se em considerações muitos fatores. Portanto, não vale a pena jogar combustível na fogueira, pois isso só cria agitações e dissensões. Vamos ter que ter paciência para que a realidade transpareça e a visão consciente de Krishna prevaleça.

A premissa

      Alguém pode também argumentar: O que um sannyasi pode saber sobre esses assuntos tão mundanos? Quanto a mim, minha idade e experiência de mundo certamente contam. Além disso, o período de trinta anos, antes de adotar a vida monástica, vividos numa cidade tão cosmopolita e licenciosa, em contraste com o provincianismo do resto do país naquela época, dá para se fazer uma comparação do antes e depois de que essa a onda gay, que agora se desenvolve em todo mundo, tenha se deflagrado. Em anos passados, a sociedade já tinha experimentado algumas ondas, como a onda hippie, onda comunista, onda da liberação feminina, onda das drogas e outras. Mas nenhuma delas assumiu tal proporção como essa avassaladora onda gay, de proporções mundiais, que, assim com um tsunami, tem invadido certos domínios que antes eram mais ou menos preservados da influência da mundanidade. Como Krishna diz no Bhagavad-gita, no capítulo 16: As pessoas perderam a referência do que é certo e errado (pravrttim ca nivrttim ca jana na vidur) e pensam que o sexo é a causa de tudo (kim anyat kama-haitukam).
      Não tenho intenção aqui de chocar ninguém, nem quero alimentar sentimentos antagônicos com quem quer que seja. Quero simplesmente colocar no papel aquilo que tenho observado e refletido.
     A premissa aqui é que todos os que estão presentes em Kali-yuga têm um passado comprometido com atividades ilícitas, caso contrário não estariam por aqui. No décimo-primeiro canto do Srimad-Bhagavatam (11.5.11) é dito que “nesse mundo material as almas condicionadas estão sempre inclinadas ao sexo, ao comer de carne e à intoxicação. Portanto as escrituras nunca corroboram tais atividades” (loke vyavayamisa-madya-seva nitya hi jantor hi tatra codana).

Mentalidade moderna

      Antes de abordar diretamente o assunto em questão, cabe aqui algumas considerações que são indiretamente pertinentes ao caso, mas tem uma influência direta quando temos que nos posicionar diante de nós mesmos e dos outros.
 Questionar as implicações dessa onda gay é, hoje em dia, como já foi mencionado, uma tarefa bastante difícil. É um assunto extremamente complicado, pois existem inúmeras implicações envolvidas.
A outra consideração é que existe uma forte tendência de se considerar que os comportamentos modernos em voga constituem avanços da civilização na direção das liberdades individuais e expansão de consciência. Esse tipo de mentalidade está cada vez mais difundida entre nós. É, dentro do contexto moderno, designada como “new age”, ou numa linguagem mais atual, “politicamente correta”. Uma pessoa politicamente correta não faz feio nas rodinhas sociais de vanguarda. Basta seguir a cartilha dos “formadores de opinião” da moda para estar na crista da onda do pensamento contemporâneo. Dentro desse conceito, estão assuntos relacionados com a legalização do aborto, o casamento gay, o esquerdismo chique, leis contra homofobia, cotas raciais, liberação da maconha, política de redução de danos, redução das penas dos coitados dos presos, métodos avançados de educação sexual nas escolas, “obamomania”, e por aí vai. A mídia se encarrega de diligentemente propagar essas idéias e milhares de ONGs são formadas para lutar por essas causas.
     Ao invés de se estabelecer na sociedade um comportamento e moralidade ideal, a tendência é tentar somente reduzir os efeitos danosos de discrepâncias que se alojaram na sociedade devido ao irrestrito gozo dos sentidos. Damos um exemplo: Já que o sexo livre se tornou incontrolável entre os escolares adolescentes, a solução encontrada por certos órgãos ditos competentes do governo para sanar esse grave problema é distribuir preservativos e pílulas do dia seguinte, com o fim de diminuir a incidência da gravidez precoce. Ao invés de pregar uma moralidade saudável e impor regras rígidas de disciplina, que é o que os adolescentes mais precisam nessa fase da vida, estimula-se a prática sexual entre crianças recém saídos da puberdade.
 Ai de quem vá contradizer um politicamente correto... É imediatamente visto com desdém e taxado de conservador, retrógrado, hipócrita, fascista, etc.
     Deve-se, no entanto, entender que um pensamento considerado conservador, isto é, não alinhado com um vulgar pensamento “progressista” e liberal, não significa algo anacrônico, que esteja identificado com os conceitos populares realmente retrógrados arraigados numa parcela considerável da massa popular, que, de um modo geral, vive num estado de ignorância, passividade e acomodação.
     Um autêntico e racional pensamento conservador deve ser consistente, baseado na lógica e nas fontes autorizadas de conhecimento. Deve-se desconfiar dos modismos que a toda hora aparecem e é preciso ter muito critério para impor as mudanças, quando for necessário. Não obstante, devemos ser intolerantes e nunca ficar impassíveis diante das discrepâncias e injustiças. Devemos, contudo, lidar com os problemas pessoais e sociais valendo-se dos princípios espirituais universais. Temos que cultivar total lucidez para não se deixar influenciar pelas idéias materialistas, muitas vezes revestidas com roupagem acadêmica e sofisticada, mas totalmente fundamentadas no paradigma do gozo dos sentidos. Os devotos têm à mão a fortuna de poder ver o mundo à luz do conhecimento védico, que nos dão referências básicas para a vida em sociedade e nos liberta do samsara.

Problemas do ativismo

      O movimento gay tem, hoje em dia, um exército de ativistas. Só esse fato em si já demonstra o caráter sectário e pernicioso embutido nesse fenômeno social. O ativista é um fanático que quer impor suas idéias aos outros, custe o que custar. Suas preferências sexuais são expostas ao público e ninguém pode expressar nenhum tipo de desaprovação e protesto. Os ativistas gays estão nos corredores do Congresso Nacional pelejando pela promulgação de uma lei que tenha o poder de botar na cadeia com a acusação de homofobia qualquer um que diga um “ai” reprovando qualquer “chilique” escandaloso em público ou atos obscenos em lugares públicos. Eles querem aquilo que certos grupos sociais políticos somente conseguem em regimes de tirania. O fato é que nossos legisladores comprometidos com o “politicamente correto”, sendo a maioria, estão a ponto de sancionar uma lei dessa natureza, devido ao lobby poderosíssimo que está por trás disso.
     O ativismo gay tem a força popular de arrastar quatro milhões de pessoas para participar da parada do “Orgulho Gay”, na Avenida Paulista, em São Paulo. As mais absurdas aberrações e obscenidades são expostas a um público formado por todos os tipos de pessoas. Lá estão desde os tipos mais depravados, verdadeiros monstros de Kali-yuga a uma multidão de tolos inocentes, anões morais. Pais e mães levam seus filhos para apreciarem a exibição da mais completa degradação e contaminação que se pode imaginar. É, realmente, o fim da picada. A glória de Kali-yuga.
      O movimento gay está presente em todos os setores da sociedade, principalmente no setor da educação, responsável em construir a mentalidade do povo nas próximas gerações. Na sala de aula, um professor gay pode estar sempre “pregando” abertamente seu estilo de vida para seus alunos. Isso tem levantado preocupação em muitos pais e, volta e meia, aparecem nos noticiários, incidentes de revolta dos pais diante do comportamento de certos professores ativistas gay. A mensagem gay é também passada às crianças sutilmente, de forma subliminar. Até nos desenhos animados do Mickey, pato Donald, etc., da Walt Disney foram detectadas imagens e roteiros relacionados à homossexualidade que facilmente penetram e se alojam no ideário infantil. Esse caso é somente uma pontinha de um iceberg. Definitivamente, o que os ativistas gay mais querem é um mundo totalmente gay.

O que dizem os shastras

     De acordo com os shastras, o sexo deve ser para procriação. Como cita Rshabhadeva: pumsah striya mithuni-bhavam etam (Srimad-Bhagavatam 5.5.8). Esse verso diz que o desejo sexual (mithuni-bhava) surge do contato entre o homem (pums) e a mulher (stri) e isso produz um nó sentimental (hridaya-granthi). Mithuni-bhava, na terminologia psicanalítica, é a libido, que a “energia motriz dos instintos da vida, i.e., de toda conduta ativa e criadora do homem” (dic. Aurélio). Portanto, em decorrência, vêm os filhos e toda a implicação familiar. O verso termina dizendo: janasya moho 'yam aham mameti—Esta é a essência da ilusão, pois se instalam fortemente na consciência as idéias de aham e mama, isto é, que “eu sou o corpo” e que “tudo que possuo pertence a mim”.
     O Senhor Shiva é adorado com Shambu, o progenitor da humanidade. Ele impregna a personificação da Natureza material com as entidades vivas desse mundo. Por isso, é adorado através da Shiva-linga, uma forma mística que combina o órgão genital masculino e feminino.
     É um fato que a tendência homossexual sempre existiu. Nas escrituras védicas, esse tema é, no entanto, raramente apontado. Escrituras que abordam claramente esse comportamento são os livros da lei, os dharma shastras, notadamente, o Manu Samhita. De acordo com esse tratado sociológico e legal védico, o ato homossexual é considerado pecado, mas upapataka, um pecado menor. Dão-se várias situações em que esse ato ocorre e respectivos procedimentos para ocorrer a expiação. O mais grave delito fica por conta da classe dos brahmanas, que, com isso, perdem seu status de dvija, duas vezes nascidos. Tal punição de perder o status social não ocorre nos outros varnas.
     Mesmo sendo considerado um pecado, a posição mais sensata é considerar esse assunto como expressou um pensador cristão: “Não somos contra o pecador, mas contra o pecado.”

Causas

      O fato é que esse comportamento sempre está presente da sociedade, e agora, nos dias atuais, mais do que nunca. Quais seriam as causas e motivos para uma pessoa tornar-se um homossexual? Vamos aqui tratar de algumas situações. Certamente deve haver outras implicações não abordadas aqui.
     Uma coisa intrigante é que a tendência homossexual eclodiu como um boom em todas as partes do mundo. Há vinte e cinco ou trinta anos atrás não era assim. Era algo esporádico e velado. Poucos assumiam publicamente essa tendência. Hoje em dia, no entanto, as novas gerações vêem como um fato completamente normal dentro da sociedade. O que tem provocado tal boom?
     Abordamos aqui dois casos: a influência da vida prévia e a incidência na vida atual. A primeira abordagem refere-se ao caso da pessoa nascer com a inclinação genética para o homossexualismo. É o caso do menino que prefere brincar com as meninas, gosta de usar o sapato alto da mãe e se atrai em borrar os lábios com batom. Ou da menina que prefere as brincadeiras de meninos. Isso significa que essa tendência faz parte de seu karma. Para esses casos, podemos concluir que a pessoa já cultivou essa inclinação na vida anterior. Existe também a hipótese de um acidente genético ao nascer ou receber a herança genética dos pais. A ciência não tem com confirmar tais coisas.
     Quanto à questão kármica, podemos também levantar algumas hipóteses. As décadas que se seguiram à segunda guerra mundial foram marcadas, no Ocidente, pela liberação sexual. Muitas barreiras, remanescentes do puritanismo vitoriano, foram quebradas e o sexo, antes velado, tomou conta da cabeça das pessoas. Imaginemos, então, um homem ou uma mulher adictos ao sexo, sempre meditando nos genitais do sexo oposto. Se, por acaso, ocorrer uma morte prematura, por doença ou acidente fatal, quando essa prática sexual estaria em seu auge e em máxima intensidade, como ficará seu karma? Uma hipótese seria que, por pensar sempre no sexo heterossexual, a pessoa tomará um corpo de sexo oposto ao anterior. Contudo, pelo fato de que sua mente estivera condicionada ao genital do sexo oposto, esse sanskara, impressão na mente, que é transferido para a próxima vida, permanecerá e, no novo nascimento, a pessoa nascerá com a tendência de ser atraída para os genitais do mesmo sexo. Essa é somente uma especulação, mas inegavelmente é verossímil. Por aí, podemos compreender que a velhice tem um papel importante na vida da pessoa, pois atenua essas fortes impressões da mente, dando oportunidade para a pessoa se desvencilhar dos excessos sexuais fomentados pelos hormônios corporais e vícios corpóreos da juventude e parte da fase madura.

Adotando na vida presente

      Os gays sempre querem dar o argumento de que a tendência homossexual seria exclusivamente genética. Por outro lado, já me deparei com artigos sérios sobre psicologia em que é afirmado que na grande maioria dos casos, a homossexualidade não teria uma causa genética, mas seria fruto do meio em que a pessoa vive, principalmente na tenra infância. Um desses casos, inclusive reportado por vários depoimentos, é do menino que perdeu o pai muito cedo e é criado num ambiente totalmente feminino. A tendência homossexual seria uma busca inconsciente para compensar a carência masculina na sua fase de formação como indivíduo. Para esses casos, diz-se que existe grande possibilidade de “cura”, se é que podemos dizer assim.
      Outros casos, inclusive bem mais tristes, são quando a criança é molestada sexualmente por adultos. Isso causa mazelas profundas, que alteram completamente o curso natural da vida da pessoa. Mesmo entre meninos mais ou menos da mesma idade, sempre existem aqueles mais maliciosos que forçam e abusam sexualmente dos mais fracos. Daí, pode começar a vida homossexual da pessoa.
      Entre as moças, penso que existem muitos casos de que umas mais feinhas e sem sucesso entre a classe masculina, encontram o carinho e atenção nas mãos de uma homossexual madura que se apresenta em sua vida, compensando assim sua carência afetiva e sexual. Daí para frente, a tendência é assumir a condição homossexual integral.
      Hoje em dia, estamos observando uma mudança radical no comportamento dos homossexuais. O que eu posso extrair da minha lembrança de cinqüenta anos atrás, no meu tempo de colégio, é que havia o caso de certos meninos e rapazes da classe média que tinham essa tendência genética. Lembro-me de um caso assim na rua em que morava. O rapazinho vivia em um ambiente completamente feminino em sua casa, era simpático, estudava no Colégio Militar e tinha certa cultura geral e musical. Eu, na minha inocência, quando soube que ele tinha orgias com os outros meninos da rua, lembro-me que fiquei perplexo. Lembro-me também de uma pessoa, já chegando à meia idade, que vivia perto do colégio que eu estudava. Era um homossexual assumido, popular no bairro, que saía rebolando, cheio de trejeitos pela rua e nem ligava quando o pessoal fazia gozação e o tratava com linguajar chulo. O que eu quero colocar aqui é que, nessa época, o homossexual dependia exclusivamente da “boa vontade” da classe masculina heterossexual.
     Hoje em dia é diferente: os gays resolvem-se entre si. O tempo que tinha que sujeitar-se à classe masculina heterossexual acabou. Hoje, o lado ativo e passivo é resolvido entre gays e basta freqüentar os barzinhos gays e um simples “Estás a fim?” já resolve tudo. Tudo é muito fácil. Não é à toa que o presidente da associação nacional gay gabava-se em uma entrevista de ter tido quase mil parceiros. Hoje em dia, o prazer do sexo tornou-se extremamente fácil e accessível para os gays. Por isso, estão com bastante força dentro da sociedade, mesmo força política, e, alem disso, os gays estão infiltrados em todos os setores e têm praticamente toda a mídia a seu favor.
     Depois do movimento feminista, ficou mais difícil para um homem conquistar uma mulher. Antes era muito mais fácil. Hoje em dia, é mais trabalhoso, principalmente se o homem não tem boa condição financeira. Dessa forma, muitos estão optando para o comportamento gay. Isso faz, inclusive, aumentar a auto-estima de muitos que anteriormente não tinham nenhum sucesso na vida sexual. É o chamado orgulho gay.
     A propaganda gay é muito forte. A classe feminina está entrando também nesse estilo de vida com força total. Artistas e cantoras assumidamente lésbicas são como musas num pedestal elevado acima dos mortais ordinários. Principalmente nas classes sociais mais privilegiadas, o lesbianismo, hoje em dia, começa bem cedo, ainda na puberdade. Muitas mulheres fazem a opção lésbica consciente, pois não querem estar na mão de homens que são como cachorros procurando sexo imediato aqui e acolá. Além disso, ficam livres de ter que se deparar com os inconvenientes da gravidez acidental e responsabilidades de vida familiar. A tecnologia moderna a serviço do sexo produz múltiplos artefatos destinado a produzir o mesmo prazer sexual, sem que a mulher tenha que tolerar a presença física de um homem e suas idiossincrasias.
     Uma vertente do homossexualismo parte para exageros de cultuar o corpo—corpos fortes, bem modelados—e assim ficam se exibindo entre si. Outros mais ousados e sem quaisquer escrúpulos, tratam de moldar seus corpos usando produtos sintéticos, como silicone, para se passar por femininos e atrair uma classe de homens cada vez mais numerosa atraída pelo sexo degradado.

Superando o superego

     No Bhagavad-gita, Krishna diz: ye hi samsparsha-ja bogha (5.22). Nesse verso é dito que uma pessoa inteligente não investe no samsparsha-ja bogha, prazer obtido através dos sentidos. Nesse verso, Krishna dá dois argumentos: adi-anta-vat—esse prazer é efêmero, aparece e desaparece; e duhkha-yoni—nesse tipo de prazer sensual está sempre presente uma fonte de sofrimento pronta para se manifestar a qualquer momento. Os noticiários diários estão sempre relatando casos de pessoas que, na busca do prazer, encontraram tragédias e desgraças. Aqui nesse verso, a palavra sparsha significa o sentido do tato. O ato sexual é esse esfregar de pele com pele. Esse atrito produz um tipo de prazer sensual altamente apreciado, tido unanimemente como o supremo prazer nesse mundo carnal. Para um heterossexual, esfregar-se com uma pessoa do mesmo sexo provoca certa repulsa. Essa repulsa, no entanto, é somente um mecanismo do superego, como a psicanálise freudiana explica. É nesse superego que os preconceitos, convenções sociais e travamentos psicológicos residem. Essa barreira pode ser quebrada facilmente e a repulsa anterior ao sexo homossexual dá lugar a novas sensações de prazer. Muitas pessoas estão se tornando homossexuais ou bissexuais ao descobrirem que, ao superarem essa repulsa gerada pelo superego, podem ampliar consideravelmente as possibilidades de prazer sexual. Relatos de pessoas que adotaram a homossexualidade mostram que a primeira experiência é sempre chocante, mas, depois do choque inicial, tudo pode ser aceito com facilidade. Quando os mecanismos psicológicos e corpóreos ficam viciados, aí então a pessoa não consegue mais parar. Mesmo que ela sinta os malefícios que isso pode causá-la, mesmo assim esse condicionamento sexual impõe sua vontade. A pessoa não tem outra saída senão se entregar completamente ao controle de sua mente. Mesmo aqueles que se arrogam serem heterossexuais ferrenhos podem, a qualquer momento, dependendo das circunstancias, mudar sua inclinação sexual. Milhares e milhões de pessoas, principalmente adolescentes e jovens, estão, hoje em dia, em todo mundo, experimentando as sensações homossexuais, pois é a onda da moda.
      Hoje em dia, em todo o mundo, existe uma forte pressão para dar a união gay o mesmo status legal e religioso que o casamento formal tem. Divergências sobre isso, tem causado, inclusive, cisões dentro de instituições religiosas. Particularmente, não acho apropriado. Casamento destina-se a procriação. É a célula mater da sociedade. As duas partes, o homem e a mulher, se complementam, cada um com suas funções específicas. Essa polaridade gera um equilíbrio dentro da união pelo casamento. No caso da união gay, as duas partes têm papeis iguais. Se dentro do casamento formal, hoje em dia, perdeu-se praticamente a estabilidade e continuidade que deveria possuir como um ato de sacramento, o que dizer da união gay entre dois iguais. “Casais” gays tratam de garantir a estabilidade da união com a adoção de crianças. Essa é outra situação totalmente distorcida, pois a criança não terá a importante influencia em sua personalidade exercida pela polaridade do pai e da mãe.
      Uma forte tendência do momento, principalmente entre o pessoal “moderninho”, é ser bissexual. Isso dá a sensação de estar livre das convenções sociais e imposições da moral tradicional. Milhões de pessoas em todo mundo estão partindo para esse comportamento. Essas “novidades” geralmente começam dentro do meio artístico. Logo a seguir se propaga pelos meios sofisticados. É logo absorvida pela classe universitária. Depois de alguns anos, a classe média, que a princípio fica perplexa diante dessas mudanças comportamentais, gradualmente entra no esquema. Quando a classe média adota algum comportamento, as classes sociais mais baixas imediatamente seguem. Assim sendo, um renomado sociólogo afirmou que “dentro de três ou quatro gerações, a maioria das pessoas desse planeta serão bissexuais”. Quanto a isso, pergunto: Isso é normal ou abnormal?

Conclusão

      Ninguém melhor que Rshabhadeva para explicar o nosso enredamento nesse mundo. No Srimad-Bhagavatam 5.5.4 é dito:

nunam pramattah kurute vikarma
yad indriya-pritaya aprnoti
na sadhu manye atmano ´yam
asann api kleshada asa dehah

      O significado desse verso é o seguinte: Quando a pessoa está dominada por indriya-priti (gozo dos sentidos) ela fica literalmente pramatta (intoxicada, insana, luxuriosa, louca) e fica propensa a cometer todo tipo de vikarma (ações erradas, atos proibidos, atividades pecaminosas). Rshabhadeva comenta: Eu acho isso inaceitável (na sadhu manye), pois, decorrente disso, a alma (atma) terá que aceitar corpos temporários (asat deha), corpos esses que são klesha-da, isto é, que produzem todo tipo de sofrimentos e aflições.
      Essa é a situação geral das pessoas vivendo em Kali-yuga. Na medida em que a pessoa se entrega ao gozo dos sentidos, a conseqüência natural é entrar numa espiral de degradação dificílima de se escapar, a não ser pela misericórdia de Krishna que flui através de Seus devotos puros e por todos os devotos que são como canais dessa misericórdia divina que entra em contato com a sociedade humana.
      Prahlada Maharaj, em sua iluminada sabedoria infantil, ora ao Senhor Nrisimhadeva com essas palavras:

yan maithunadi-grihamedhi-sukham hi tuccham
kanduyanena karayor iva duhkha-duhkham
tripyanti neha kripana bahu-duhkha-bhajah
kandutivan manasijam vishaheta dhirah

“Maithuna-adi, isto é, sexo e tudo que se refere ao gozo dos sentidos, constitue a felicidade dos grihamedhis, grihasthas interessados somente em si e adictos ao gozo dos sentidos

irrestrito. Essa felicidade é insignificante (tuccham), Prahlada Maharaj diz. É como a satisfação que se tem do alívio que se sente quando esfregamos uma coceira nas mãos. Por outro lado, a vida de uma pessoa materialista assim é cheia de condições de infelicidade e sofrimento (duhkha-duhkham). Elas nunca estão realmente satisfeitas nesse mundo (tripyanti na iha) e estão sujeitas a todo tipo de infelicidade (bahu-duhkha-bhaja). Devemos, portanto, aprender como lidar com essa coceira (kanduti-vat) nascidas exclusivamente das fantasias da mente (manasi-jam). Um dhira, uma pessoa sóbria e auto-controlada, sabe como controlar e tolerar (vishaheta) essa coceira.”