domingo, 2 de dezembro de 2012

Auto-conhecimento...




Auto-conhecimento - Autocontrole - Sabedoria - Iluminação espiritual

Para se prosseguir nessa escalada existencial, quatro níveis de realização se apresentam.
O primeiro nível é auto-conhecimento. O que vem a ser auto-conhecimento? Auto-conhecimento é estar plenamente consciente da nossa própria natureza, da nossa relação com esse mundo e, também, da nossa relação com a Transcendência. Não é um conhecimento quantitativo, mas qualitativo. Sua característica básica é que o interesse por esses temas tem que surgir de dentro da pessoa, do fundo da consciência. O conhecer-se a si mesmo e a Realidade “com R maiúsculo” passa a ser o projeto de vida da pessoa.
Com auto-conhecimento a pessoa pode desenvolver auto-controle. Por estar consciente das dinâmicas envolvendo o corpo físico, os sentidos, a mente e o intelecto, a pessoa adquiri a força interior para se livrar da ditadura imposta pela sua mente, assim como pelos seus sentidos vorazes e descontrolados. A pessoa livra-se das dinâmicas viciosas que forçam a consciência para baixo. Passa a viver governada pela inteligência superior. Sua vida é agora conduzida por valores e princípios. A pessoa pode, então, afirmar com segurança: “Aqui quem manda sou eu”.
Tendo realizado o auto-conhecimento e auto-controle, somados à bagagem de todas as experiências que a vida nos oferece, a pessoa naturalmente manifesta sabedoria. A sabedoria independe de diplomas e títulos acadêmicos. Manifesta-se, geralmente, na velhice, numa situação em que a pessoa madura, exercendo lucidez e discernimento, não permite que sua consciência se identifique com sua condição corpórea em natural estado de decadência. Sua consciência paira muito acima dos desfrutes fúteis e aflições mundanas. A pessoa sábia está totalmente sintonizada com a situação do momento. Os mais jovens podem aproximar-se livremente para obter conselhos, sem choque de gerações.
O estágio máximo de auto-realização é a iluminação espiritual. É o fruto maduro de todo processo de superação das necessidades básicas da vida e da conscientização de que o sucesso na vida não se restringe a chegar a um estado de realização material, bem estar e conforto. São poucos aqueles que despertam para a possibilidade mais auspiciosa que a vida nos apresenta: a realização espiritual. A culminação de todas as experiências que passamos na vida é chegar a um nível de consciência pleno de conhecimento espiritual, satisfação, paz interior, beatitude e santidade.
Isso pode parecer uma utopia para a maioria, mas, na verdade, trata-se de uma possibilidade factível para qualquer pessoa psiquicamente saudável. O segredo é não perder tempo com as inúmeras distrações que nos rodea. No percurso da vida existe o tempo certo para tudo: primeiramente, a fase de preparação para a vida, com muito estudo; a seguir, a fase de intensa atuação prática e muitas experiências, dentro da família e no trabalho; na aposentadoria, é a fase em que se tem a oportunidade de sério cultivo de um processo espiritual. Por fim, chega-se à fase derradeira em que a pessoa realiza o verdadeiro propósito da vida, vive sob os princípios do desapego e renúncia e colhe os frutos dos anos dedicados à prática espiritual vivenciando uma profunda e íntima relação com Deus. A vida então será coroada de êxito se chegarmos até esse ponto.


Pirâmide da sociedade

Um dos mais expressivos expoentes da linha humanista foi o americano Abraham Maslow (1908-1970). Maslow teve uma trajetória profissional e acadêmica bem diferente dos acadêmicos de psicologia em geral. Ele dirigiu suas pesquisas, não para entender as neuroses e psicoses e como curá-las, mas para compreender o que realmente significa sanidade psíquica. Chegou ao conceito do que chamou de “pessoa auto-realizada”, uma pessoa psiquicamente saudável. Para atingir esse patamar, Maslow verificou que existe uma gradação natural do envolvimento da pessoa nesse mundo. Ele denominou “hierarquia das necessidades”, cuja representação gráfica é uma pirâmide com cinco estágios.

A base inferior da pirâmide é o estágio onde as pessoas estão preocupadas com suas necessidades fisiológicas e psicológicas básicas. A necessidade fisiológica básica é não passar fome nem sede; a necessidade psicológica básica é não ser rejeitada no grupo familiar e social a que pertence. Sentir-se rejeitada é a pior situação psicológica que a pessoa pode experimentar.

No segundo estágio da pirâmide estão aqueles que buscam segurança: segurança no emprego, moradia, saúde e outras coisas básicas. O estilo de vida urbana moderna trava a vida de muita gente nesse estágio, pois cria muitas necessidades supérfluas que complicam a vida da pessoa. Quantas pessoas, depois de assumir a responsabilidade de arcar com vinte e cinco anos de prestações do apartamento, carro do ano e outras tantas “necessidades”, e, ainda por cima, ter que manter a família e educar os filhos, morrem de medo de perder o emprego, escravizadas que estão pelos financiamentos e outros compromissos? Definitivamente, a vida poderia ser muito mais simples...

No patamar seguinte, a pessoa sente a necessidade de bons e sólidos relacionamentos. Em sua vida sentimental doméstica, ela necessita experimentar um relacionamento estável e produtivo que lhe dê respaldo e segurança. Sente também uma necessidade de romper os limites das quatro paredes e atuar mais socialmente. Uns dedicam-se a filantropia, participam em funções na igreja e nos centros culturais e esportivos, outros se tornam ativistas de alguma proposta mais ampla ou entram na política, enquanto que outros se contentam em serem os síndicos no prédio onde moram. A pessoa sente que deve se expandir e participar.

O quarto nível de necessidade é o da auto-estima. A pessoa se destaca na atividade que executa. Passa então a exigir o devido reconhecimento. Uma citação de seu nome em público, um elogio, uma aparição, mesmo que momentânea, em um programa televisado já vai adular seu ego e alimentar sua auto-estima. Na vida profissional, essa pessoa esforça-se para ser a melhor em sua especialidade. Isso chama atenção do público para si e reforça sua auto-estima. O problema nessa fase é a facilidade que o sucesso pessoal tem em inchar o ego. A pessoa pode tornar-se um ególatra. Isso a impede ir para frente em seu desenvolvimento psíquico.

No topo da pirâmide, Maslow chamou essa “necessidade” de auto-realização. Nesse caso, essa auto-realização se restringe ao sentido prático e secular da vida. A pessoa nesse estágio experimenta plena satisfação e realização em seu desempenho nas atividades profissionais, sociais e, também, no íntimo, consigo mesmo. Está de bem coma vida e é emocionalmente estável. Não tem interesse em se promover nem chamar atenção para si. Leva uma vida simples, sem sofisticação. É uma pessoa generosa, criativa e quer distribuir o conhecimento que adquiriu, fruto de muito esforço e dedicação, com quem merece receber esse conhecimento. Tem a mente aberta e uma inclinação natural para os questionamentos espirituais. Esse seria o “top” da vida material dentro da sociedade.
A questão que fica é: Será essa auto-realização psíquica o “fim da linha”? Na sociedade doentia em que vivemos, chegar ao ponto de “mens sana in corpore sano” é uma verdadeira façanha que poucos conseguem sequer almejar, o que dizer conquistar. Depois de chegar a esse ponto, o que estaria faltando? Existiria alguma outra proposta superior para prosseguirmos na escalada do desenvolvimento pessoal?

Sim, definitivamente, a vida não estará completa sem uma profunda realização espiritual. A necessidade de se dar um sentido espiritual à vida pode não se manifestar explicitamente no decorrer do período de vida prática, pois normalmente a pessoa fica sobrecarregada de responsabilidades familiares e profissionais, além das inúmeras possibilidades de lazer e entretenimento, pois “ninguém é de ferro”...

Aqueles que não se abrirem para as questões espirituais ficarão estancados na consciência material. Por mais que tentem absorver suas mentes com as eventuais preocupações corriqueiras e inúmeras distrações, chegará uma hora, já na etapa final do ciclo de vida, que muitos questionamentos sobre a vida aparecerão. Tanto esforço foi feito durante a vida, e agora? Tudo será perdido? Qual é o propósito disso tudo? O que será de mim daqui para frente? Como poderei seguir sozinho, sem a companhia das pessoas que me apoiam? O que será de mim? O fato é que quem não estiver preparado para resolver essas questões existenciais e espirituais entrará num estado de perplexidade diante da iminência da morte que, fatalmente, gerará frustrações, profunda depressão, medo terrível e desespero.

PURUSHATRAYA SWAMI