sábado, 19 de março de 2011

"CONSCIÊNCIA"


TODAS AS GLÓRIAS A SRILA PRABHUPADA!

Quando comecei a escrever, não pensei que este trabalho ficaria tão longo, mas quanto mais escrevia e lia, mais vontade de compartilhar o turbilhão de bons pensamentos que tinha crescia, espero que todos apreciem, e tenham a paciência de acompanhar estes ensaios do inicio ao fim, pois quero muito saber de vocês, o quanto valeu a pena, e o que poderemos compartilhar a partir das reflexões que carinhosamente quero apresentar a todos os vaisnavas, que sei é a melhor companhia que posso ter.

Dedico estas reflexões ao meu guru, e ao meu esposo que sempre me ilumina e inspira no caminho devocional...

Nos últimos dias tenho pensado muito a respeito de alguns assuntos, devido a tudo que vamos vendo acontecer com as pessoas que estão ao nosso redor, e com as escolhas que essas pessoas fazem para si mesmas.

Desde que entrei no movimento, procuro fazer uma análise bastante minuciosa de muitos aspectos que conheci, me surpreendi, reconheci, e adotei como minha forma de vida. A própria nomenclatura, “movimento para consciência de Krsna”, é pra mim já é um tema que aborda inúmeras questões, e analisando as palavras em si podemos tirar muitas conclusões:

Movimento: algo que não está parado está indo rumo, a outro algo...
Consciência: bem este é bastante extenso e vou querer falar um pouco a respeito. Porém uma definição bem basiquinha, seria “aquilo que se tem clareza”, por isso existe a expressão: “trazer à luz da consciência”. Sim porque ela ilumina e você toma conhecimento dos fatos...
Krsna: bem o nome Krsna, tem bons resumos de seu significado no Srimad Bhagavatam..., não vou me ater em descrever agora, pois temo que essas considerações fiquem bem extensas.

Reflexões soltas podem não significar muito, então temos que ter a destreza de cruzar as informações, e podemos então, ter ótimas conclusões sobre o termo: “movimento para consciência de Krsna”.

Consciência, cada um tem a sua, e é mais pessoal e intrasferível do que cartões de créditos (rsrs), assim como cada um tem sua individualidade e os sastras nos ensinam que esta é eterna! Veja essa passagem:

Srimad Bhagavatam 10.27.11 – Significado – segundo parágrafo:
“A expressão visudha´jnana-murtaye é muito significativa. Murti quer dizer a forma da Deidade, e aqui se afirma especificamente que a forma do Senhor é ela mesma consciência cem por cento pura. A consciência é o elemento espiritual primário, distinto de qualquer dos elementos materiais e distinto de qualquer elementos materiais sutis ou psicológicos – mente, inteligência e falso ego mundanos – que não passam de cobertura psíquica da consciência pura. (...)

Agora temos também a questão do inconsciente, individual e coletivo, temos, nossa sociedade, cultura, padrões de comportamento, que podem ser os mais íntimos, estipulados pela família, mas que ainda é dosado de uma regente mais forte derivada do grupo que se pertence (ou quase pertence, devido a antepassados), social, econômico, cultural, religioso, etc. E aqueles mais externos e comum a todos, padrões morais, também derivado das mesmas fontes já citadas.

Então, pensando em tudo isso, e pensando que tudo isso são as camadas que compõe cada um de nós e se sobrepõe sobre nossa consciência original e pura, como pesados arquivos, que vão tornando turva essa luz original, colocando-nos em contato com os modos da natureza, e criando uma variedade incontável de situações e ações, e os incontáveis frutos das mesmas...

Pois bem, só me respaldei com todo esse blábláblá, para partirmos do pressuposto, que muitas coisas que acreditamos, e que muitas formas pela qual agimos, estão inseridas em nós desde tempos imemoriais, pois cientificamente os psicólogos reconhecem toda essa carga de informações que descrevi acima, e só divergem no ponto em que uns acreditam que essas informações sejam relacionadas a uma vida e suas ligações de parentesco e sociedade, e outros, como nós, bem sabem que não só uma vida, mas muitas estão acumuladas em nossa “caixa preta.”

Levo muito a sério essa história de conscientização, existem campanhas de conscientização disso, daquilo, daquilo outro...Mas você já viu campanha de conscientização de si mesmo? Isso acontece de alguma forma dentro dos consultórios de meus colegas, mas o convite mais especial que já recebi, foi mergulhar nas verdades que encontrei “no Movimento para Consciência de Krsna”

Quem se torna consciente de si, descobre suas capacidades e limitações, aprende a lidar melhor com suas próprias escolhas, pois tem um vislumbre melhor de suas conseqüências. Alguns termos da psicologia são bem conhecidos, um deles é a individualização, um termo junguiano que tem como proposta e definição o seguinte:

“Tornar-se um ser único, na medida em que por “individualidade” entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável. Nos tornarmos o nosso próprio si mesmo, o realizar-se do si mesmo”.

Ta difícil, entender? Encontrou alguma semelhança em nossos propósitos na consciência de Krsna?

É certo que, estaremos com Krsna quando realizarmos nossa consciência original, nossa consciência pura, nossa auto-realização, ok?

Então pensemos um pouco a respeito do que recobre essa consciência pura, e depois falaremos um pouco sobre individualismo, que nada tem haver com individuação!

Como podemos estar mais em contato com esta consciência?

Bem, sabendo o que a recobre, devemos então adotar uma postura de adotar comportamentos que a “descubra”. Temos inúmeras afirmações nos sastras que é somente através do serviço devocional que podemos nos purificar, que podemos nos auto-realizar.
No Bhagavad-gita podemos notar no capítulo dois, quando Krsna descreve a alma Ele usa uma descrição a partir de negações, não molha, não pode ser cortada, não more, não nasce...isso porque quando temos algo que é muito difícil de ser descrito, dentro dos parâmetros de conhecimento dos ouvintes, temos que usar termos que sejam conhecido por estes! Então, para Arjuna e para todos nós, Krsna descreveu a alma, a partir do que ela não é, para que pudéssemos a partir disso tentar imaginar como ela é. Podemos então usar a mesma linha de raciocínio para tentar vislumbrar a consciência pura, “descoberta”, de tais impurezas.


Observemos então algumas negações, a consciência pura:
Ela não interage com os modos da natureza material! (Então quer dizer que ela age dentro de uma atmosfera espiritual, correto?)

Ela não está filtrada pela inteligência; nem pela mente, e nem fica subjugada pelos sentidos.

Também não está sob os ditames do falso ego.

Conseguimos então imaginar o que está contido nesta consciência e como ela opera? Bem agora posso me remeter ao verso do Bhagavatam que citei o significado no início deste ensaio, então ele diz:

“A Ele que assume corpos transcendentais segundo os desejos de Seus devotos, a Ele cuja forma é a própria consciência pura, a Ele que é tudo, que é a semente de tudo e que é a Alma de todas as criaturas, ofereço minhas reverências. S. Bhag. 10.27.11

Mais outra referencia:
“O modo da bondade, que é claro e sóbrio status de compreensão da Personalidade de Deus e que geralmente é chamado vasudeva, ou consciência, manifesta-se no mahatattva.”

“Após a manifestação do maha-tattva, esses aspectos aparecem simultaneamente. Assim como a água em seu estado natural, antes de se misturar com a terra, é clara, doce e serena, da mesma forma, os traços característicos da consciência pura são plena serenidade, clareza e ausência de confusão. S.Bhag. 3.26.21-22.

Muito bem, segundo a psicologia analítica, Carl Gustav Jung propõe que a individuação, o caminho para o self, verdadeiro eu, como já mencionado neste texto, não pode ocorrer sem que se proponha “um encontro com o divino” , e que a totalidade de um indivíduo, com toda certeza, deve incluir o que está contido em sua alma. Diz ainda que experimentar o “eu verdadeiro e vivenciar o si mesmo, é a meta mais nobre da yoga indiana, nós devotos sabemos bem qual é a meta desta “yoga indiana”, pena Jung não ter descoberto bhakti, pois fundamentaria ainda mais suas observações...

Fiz essa divagação sobre Jung apenas para situar minhas reflexões sobre a consciência e a possibilidade que temos de nos encontrar de fato com este estado puro, visto que até mesmo dentro dos consultórios dos meus colegas, onde a campanha de conscientização de si mesmo acontece, a proposta de subjugar os maus hábitos, colocar a mente em obediência e despir-se do falso ego, que Jung nomeia de persona, é uma possibilidade totalmente existente. Então pensando nas propostas de bhakti, subjugar todas essas camadas também nos é muito possível.
Para mim é importante dizer, que a proposta reflexiva deste texto não é fazer uma apologia de “devoto puro já”, mas sim de caracterizar as possibilidades de melhorarmos a qualidade de nossa vida devocional, para gradualmente, atingirmos o destino e misericórdia que Krsna quiser nos prover, isso é muito importante.

Gostaria de me adentrar sobre os vários aspectos de bhakti, discorrendo sobre sua independência, sobre sua supremacia e sobre todos os benefícios que está contido em se cultivar sua semente. Mas preciso me ater na proposta de pensar sobre as camadas da consciência que são os grandes impedimentos desta situação. E todas as descrições de bhakti e seus benefícios excelentes, que bem sabemos, são completamente descrita nos sastras que estão facilmente ao nosso alcance, tais como o Srimad Bhagavatam, o Néctar da devoção, entre outros.

Bem pensando nas negações levantadas, que descrevem “aquilo que a consciência pura não é” precisamos então começar nos valer de algumas afirmativas. Começarei com esta que diz: “A ciência da bem aventurança transcendental é conhecida pelo devoto puro. Portanto, o devoto puro sempre se ocupa em aumentar a felicidade transcendental do Senhor”. S. Bhag. 9.4.64 (ultimas linhas do significado).

Pois bem, muitas vezes ouvimos dizer que tudo o que precisamos fazer é seguir os passos dos devotos puros, e que seguir não é imitar. Esta distinção entre seguir e imitar precisa estar perfeitamente clara para nós, para que possamos construir nossa identidade devocional, Se estamos num caminho de auto-conhecimento, é certo que a imitação jogaria “muita areia” em nosso processo que depende de clareza, clareza de si mesmo.

Então podemos ter muito apoio nos sastras em saber como podemos construir nossa jornada, quais são as atividades que nos trará benefícios e quais são aquelas que podem nos afastar de nosso objetivo. Atitude simples de estudar as escrituras com o pensamento de que precisamos achar respostas para nossas indagações mais intimas, de como operamos, no nosso mais profundo jeito de ser, pode contribuir muito. Apoiar-nos como uma pesquisa, onde precisamos descobrir como agir.

Quem não gostaria de saber como agir diante da diversidade de propostas que o mundo material traz aos nossos sentidos? Quem não gostaria de saber se de fato está no caminho certo, ou se novamente está sendo enganado por desejos inconscientes camuflados de “serviço devocional”?

Podemos pensar, todos nós gostaríamos.

Então neste momento precisamos, verdadeiramente, entender que Krsna está contido em tudo e nada acontece sem Sua permissão.
Precisamos lembrar que ele sempre age a favor de Seu devoto, e que Sua promessa é de que jamais iremos perecer
(BG 9.31)

Para encontrar pureza, para fazermos limpezas, dependemos de coisas limpas, naturalmente. E uma boa porta para atingirmos nossa consciência pura, é usarmos a inteligência, porém ela também está sob influencia material, mas o processo de desenvolver inteligência pura está mencionado no Srimad Bhagavatam 10.40.7 e diz:
“...aqueles cuja inteligência é pura, seguem os preceitos das escrituras vaisnavas promulgadas por Vós. Absorvendo suas mentes em pensar em Vós, eles Vos adoram como o Senhor Supremo.

É certo que através do uso de nossa inteligência poderemos nos ajudar em muito, pois ela sempre nos ajuda a distinguir o certo do enganoso, mesmo que ainda intimamente possamos traçar vários acordos com nossa mente pra disfarçar o enganoso de certo!


Oportunamente, quando estava construindo esse texto, na altura em que já tinha feito toas as citações de Jung e concluído aquela primeira parte, ouvi uma aula do prabhu Giridari das, que fez menção a uma velha instrução de Srila Acaryadeva que consiste em convidarmos Krsna para as atividades que fazemos, e se sentirmos vergonha de convidar Krsna para uma delas, certamente é por que não deveríamos fazê-la, isso veio bem a calhar para resumir bem o que quero dizer no campo de atividades e partirmos para outro rumo desta interminável análise, rsrs (espero que estejam gostando).

Falemos então um pouco de nossas corriqueiras ilusões sentimentais. Kalya sabiamente diz a Krsna: “...Ó meu Senhor, é tão difícil para as pessoas abandonar sua natureza condicionada, devido à qual elas se identificam com o que é irreal”. S. Bhag. 10.16.56
E ainda assume a posição ideal de um devoto rendido a Krsna e diz: “Ó senhor já que sois onisciente Senhor do Universo, sois a verdadeira causa da libertação da ilusão. Por favor, providenciai para nós qualquer coisa que considerais conveniente, seja misericórdia seja punição.

A partir disso quero levantar alguns pontos comportamentais, que exemplificarão bem como as camadas de nossa consciência encobre nossa coragem de ter essa postura que Kalya teve, e muitas vezes, quando nossa zona de conforto é destruída, passamos a indagar Krsna, ou seus devotos, ou o templo que servimos, ou ainda o órgão administrativo responsável por este grupo qual pertencemos. Vagando por todos os cantos possíveis, tentando descobrir as causas dos efeitos quais estamos sujeitos, os responsáveis, e os que falharam no propósito de nos proteger e amparar, mas esquecendo-nos do principal: nosso eu, nossa parcela de arbítrio livre, sempre agente, ou simplificando, nossa própria atitude, que externamente poderia estar bem calçada, mas internamente em sua raiz contém sua verdadeira intenção, correspondente sem exageros portanto, a sua exata reação!

“Ofereço minha reverências a Vós, que, como a Alma Suprema de todos os seres, testemunhais, com visão livre de preconceito, a consciência de todos. (...)” S.Bhag. 10.40.13-14

Então, não é de nossa escolha revelar nossa mente à Krsna, mas Ele deixa por nossa conta, as atitudes que tomaremos, ou refrearemos em prol de algo melhor ou pior, constantemente. Tão somente para si mesmo, para o outro ou para um grupo todo de pessoas, conforme variar a necessidade de nosso falso ego em vislumbrar nossas capacidades perante todos, sejam com boas ou más atitudes, por isso apenas o serviço devocional imotivado é que pode colocar-nos mais próximos de atividades constituídas de pureza.

Agora quero levantar alguns pontos atitudinais práticos, para que este ensaio não pareça somente um aglomerado de pontos filosóficos, vamos então tomar como referência alguns padrões comportamentais, que são talvez os mais arraigados em nossa consciência, os mais fáceis de reconhecer, e nem por isso os mais fáceis de serem suplantados.
Isso porque de tão sutis, parecem naturais, e sua própria natureza é que sejam imperceptíveis, para que possam se vestir de verdade em cada “esquina” de nossa mente, assim cada rua que percorrermos dentro de nós ele está lá, pronto para nos dizer como agir.

Primeiro quero falar do sentimento de paternalismo. Bem, é aquele sentimento que todos nós temos de sempre esperar que alguém forte e poderoso nos proteja, muitas vezes de nosso próprio mal. Desde crianças, aprendemos nos desenhos, nos contos, por várias formas de mensagens, que existe um bem e um mal. E por mais mal que exista, nunca pode ser superado pelo bem. Até aqui sem problemas...
O problema começa, da forma que esse bem é apresentado, grandes guerreiros nunca são humanos, são sempre dotados de super poderes que resolvem super-problemas. Isso pode parecer muito inocente, porém contem todos os símbolos necessários, quais nos farão recorrer na vida adulta, atrás desse “grande herói” que nos proteja...
E isso acontece para todas as meninas, empanturradas de histórias de princesas indefesas, que só podem viver sob a misericórdia de seu infalível príncipe. Porém isso é válido para os meninos também (e nem deixem seus falso-egos masculinos me contradizerem). Os meninos, então feito homens, precisam ser estes guerreiros que darão conta de qualquer mal, nem que seja por sua princesa, ou por sua própria reputação masculina.

Então na luta pela falsa identidade vale tudo, carrões, dinheiro, posses diversas. Grupos reconhecidos e seguros, bem administrados, de preferência com administradores excelentes, e infalíveis, principalmente no aspecto de proteção aos seus membros. Temos também a situação de devotos exemplares que nunca falham...

As meninas agora mulheres, precisam negar a necessidade deste príncipe que revelará toda sua fragilidade e a colocará em risco, já que perceberam que a vida é um tanto que diferente dos contos de fadas e os príncipes não são lá tão confiáveis assim...Então muitas vezes tentam dar conta do recado sozinhas, em todos os âmbitos de sua vida. Mas tudo isso daria sem dúvida um outro extenso ponto de análise, só quero que pensem nessas referências para continuarmos entendendo as camadas que encobrem a consciência. Então vamos lá.

Um feliz dia das mulheres atrasado! rs Que esse dia nos sirva para nos afastar de nossas identificações e nos aproximar de nossa integridade como eternas servas de Krsna.
Obrigado a todos que tem acompanhado e conversado comigo a respeito, logo divulgarei a última parte deste trabalho, esperando contribuir..


Então vamos para a última parte deste trabalho, obrigado a todos que chegaram até aqui!

Outro ponto quase que completamente inseparável do paternalismo é o amor romântico, que nos ensina também desde crianças, nas leituras pra ninar, aliás, momento excelente de se guardar bem subliminarmente as informações da história. São também sempre bruxas terríveis, culpadas de tudo, moças totalmente inocentes e rapazes virtuosos que destroem o mal, dando vida a suas dependentes mocinhas... O famoso e terrível “felizes para sempre”, que quando crescemos, não existe em canto algum deste mundo.

Mas de tanto ouvir, até os sastras prescrevem esta atitude como fundamental, acabamos que guardando em algum lugar de nossa consciência que uma situação perfeita é possível...
“Eu já ouvi isso m algum lugar”...eis que ressoa uma voz lá no fundo, baixinha e distorcida talvez, mas que nos faz ir sempre em frente esperando de todos os humanos falíveis aquilo que deveríamos esperar de Krsna.

Esperamos que nossos amigos, jamais se contraponham as nossas bandeiras;
Esperamos que nossos cônjuges atendam todas as nossas exigências, românticas, materiais, espirituais, sejam bons pais ou mães, compreensivos (as), amigos (as), de preferência sem nenhuma atitude que consideremos defeituosa, feia. Que nunca nos magoe, que nunca nos decepcione, enfim, que sejamos felizes para sempre.
E aí podemos nos apoiar em bons psicólogos, ou mesmo alguma vizinha, que nos diga as frases mais seguras deste mundo:
“que sejamos felizes enquanto dure”, “o importante é ser feliz” (mesmo que para isso cometamos atrocidades contra si ou contra outrem), enfim, muitas filosofias que fortalecem o ego e nos afasta mais um pouquinho da verdade de nós mesmos, e o que dirá da Verdade Absoluta.
Esperamos que qualquer grupo qual façamos parte, seja responsável por qualquer coisa que nos aconteça, e na hora em que eu não souber mais como agir, as forças coordenadoras deste grupo responda por nós e nos proteja. Então temos o quadro, onde o gerente é o culpado, a empresa não presta. Ou os líderes não estão desempenhando bem os seus papéis...

Quanto esforço para nos distanciarmos da simples pergunta: “o que fiz para merecer tal situação?”

Então acontecem as inimizades, os divórcios, e as mudanças de grupos, políticos, administrativos, religiosos, etc.

E passado um tempo, estamos novamente elegendo novos culpados para nossos velhos fracassos, mascarados de novas situações, quais nunca havíamos passado e perplexos não sabemos como agir.

Pois bem, cansados disso tudo, muitas vezes confusos, esperamos de Krsna o que devíamos esperar das pessoas, e considerando Ele um ser humano comum, incapaz de ouvir nossas súplicas perdemos nosso bem mais precioso, nossa fé!

Porém ainda antes deste último estágio, podemos percorrer um longo caminho, felizes quando tudo vai bem, e fracos quando tudo vai mal, procurando os culpados, brigando e blasfemando, pessoas que antes sentíamos afeição.

Infelizmente, esses são alguns padrões comportamentais, que podem existir em cada um com mais ou menos força, dependendo de sua história de vida e dos reforços que obtiveram diante de cada um desses padrões. Observem que só assinalei dois padrões, existem muitos outros, mas creio eu, esses são os mais confusionais, esperar proteção de quem não pode dar, confundir amor, com demonstrações eternas de perfeição comportamental, e fazer inúmeras exigências intercalando os dois padrões, a saber, paternalismo e amor romântico.

O fato é que nos é muito comum confundir de que lado estão as coisas, visto que este mundo é um reflexo pervertido do mundo real e absoluto. Somos como uma criança, que de frente ao espelho fica confusa onde é sua esquerda e sua direita, embanando-se toda com sua lateralidade.

Se apenas dois de inúmeros padrões, que podemos considerar as tais camadas que recobrem nossa consciência podem causar tantos conflitos, imaginem nossa mente, consciência e inteligência, que vagueiam por vidas e vidas, completamente influenciadas pelos modos da natureza, criando e recriando corpos que aparentemente atenderão nossas necessidades, num infinito ciclo que nos separa de saborear a canção nectária da flauta de nosso amado Menino...

A austeridade para se conseguir uma consciência mais pura, é com certeza se conhecer, saber identificar quando nasce em nós um pensamento que em absoluto nos coloca mais próximos de Krsna, de seus servos, que podem nos trazer toda bem aventurança, ainda que seja a bem aventurança de queimarmos todas nossas más atitudes, para avançarmos. Feliz daquele que percebe que seus males não são derivados de outrem, mas de si mesmo, assim como sua felicidade também é sua total responsabilidade. Este é o devoto que nunca será inflamável, rs.
“Toda criatura nasce sozinha e morre sozinha, e sozinha experimenta as justas recompensas de suas boas e más ações.” S. Bhag. 10.49.22

Krsna, em seu passatempo da colina de Govardhana, age como um pai para Indra, ensinando corrigindo, fazendo reconhecer o erro, superar o orgulho e desculpar-se.

No passatempo de Kalya, dança sobre sua cabeça, até que Kalya baixe seu orgulho e reconheça a supremacia do Senhor.

Oremos a Krsna que sejamos capazes de suportar as purificações que nos estejam previstas, já que somos incapazes de parar com as ofensas, mas lembrando sempre que perto de Krsna estamos do lado seguro da vida! (Ver S. Bhag.10.1.7)

Que possamos escancarar nossa consciência para Krsna se mover a vontade nela, e iluminarmos tudo que seja benéfico para o movimento desta ao encontro dEle, que como já mencionado é a própria consciência pura.

Os passatempos de Krsna, não são apenas para nos mostrar Sua supremacia, mas também para nos encher de instruções, para nos tornarmos pessoas que possam acessar Sua misericórdia, Seu favor transcendental, aprendendo como agir. Penso que ao glorificarmos os passatempos de Krsna, em grandes festivais, temos uma bela oportunidade também para glorificar toda instrução contida, para sempre avançarmos.

Lendo, estou sempre me entusiasmando de compartilhar reflexões com os devotos, e por muitas vezes ver situações aparentemente confusas, onde os devotos exprimem suas opiniões, gritam por justiça, se dividindo em partido da vitima e partido do vitimizador, foi que me encorajei de escrever tudo isso.
Penso, como nós personalistas, ainda podemos às vezes considerar que algo não esteja nos planos de Krsna, como algo possa não estar sob Seu pleno controle?
E uma passagem do Bhagavatam, que levou minha reflexão ao auge, foi a seguinte:
“Há um ditado que diz: “Poupe a vara e estrague o filho”. Isto é um fato, e na realidade uma misericórdia de Deus, que Ele se dê ao trabalho de retificar nosso mau comportamento, embora os incrédulos critiquem a vigilância paternal do Senhor”. (S. Bhag. 10.27.6 – ultimas linhas do significado.)

Tudo depende da consciência de cada um, quando o Senhor apareceu como Nrsinhadeva, Prahlada viu a proteção, e se pai viu a morte certa.

Finalizo, com um comentário que pode nos render muitos outros diálogos, voltando a pensar nos padrões comportamentais, eles podem ser facilmente neutralizados com conhecimento verdadeiro.
Existe um herói, um amante, um príncipe, um chefe de família, onde podemos concentrar toda nossa sede de justiça, esperança e proteção. Existe um herói, que é bom filho, não decepciona as namoradas, nem as esposas, nem os amigos. Ele tem super poderes, resolve super problemas, é o reservatório de todo prazer. E a melhor parte da história é que quanto mais crescemos, mais descobrimos que Ele existe de verdade!!!
Leia Krsna para si mesmo, leia Krsna para as crianças, sejam seus filhos ou não, dê esperança verdadeira para as pessoas e erradiquem o medo que nos fazem cometer tantas tolices!

Que essas palavras purifiquem a minha consciência e de todos os vaisnavas que leram meu ensaio até aqui! Obrigado.

Com imenso desejo de servir,


Gopali devi dasi (PS)

sábado, 5 de março de 2011

"CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS NORTE AMERICANOS"



CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS NORTE AMERICANOS

É impressionante o quanto encontramos dos ensinamentos dos mestres ascensos neste código de ética dos índios Norte Americanos. E os homens brancos julgam-se mais civilizados e evoluídos que os índios. . .

1. Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência. O Grande Espírito o escutará, se você ao menos, falar.

2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

3. Procure conhecer-se, por si mesmo. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

5. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não lhe foi dado, não é seu.

6. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no universo, voltará multiplicada a você.

9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.

10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo.

11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família Terrenal.

12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

13. Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.

15. Mantenha-se equilibrado. Seu corpo Espiritual, seu corpo Mental, seu corpo Emocional, e seu corpo Físico; todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu corpo Físico para fortalecer o seu corpo Mental. Enriqueça o seu corpo Espiritual para curar o seu corpo Emocional.

16. Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações.

17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

19. Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros.

20. Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.

CONSELHO INDÍGENA INTER-TRIBAL NORTE AMERICANO
Deste conselho participam as tribos : Cherokee Blackfoot, Cherokee, Lumbee Tribe, Comanche, Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora, Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana)