sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"SIMPLICIDADE"




A primeira qualificação para realmente avançar no caminho de se tornar um espiritualista é a simplicidade. Um aspecto da simplicidade é a vontade de apenas aceitar o que Deus provê e não ansiar por mais nada. Este tipo de simplicidade era a glória da antiga Índia.

Em um lugar chamado Navdvipa governava um rei chamado Raj Krishna Chandra. Ele tinha muita riqueza, e era muito caridoso com os brâmanes, a classe intelectual do sistema social védico. Havia um brâmane que vivia em extrema pobreza para os padrões materiais. Raj Krishna Chandra foi até ele e disse: "Eu quero ajudar você. Como posso ajudar?" O brâmane meditou sobre isso e disse, muito honestamente: "Na verdade, eu não preciso de nenhuma ajuda. Tenho alguns alunos que de vez em quando me fornecem um pouco de arroz e minha esposa cozinha esse arroz em uma panela pequena que temos." Apontando para uma árvore na rua, ele continuou: "Você vê esta árvore de tamarindo? Eu coleto algumas folhas dela e as coloco em meu arroz para aromatizá-lo. Eu não preciso de mais nada, eu não quero mais nada."

Quando as pessoas encontram satisfação interior, elas realmente não precisam complicar suas vidas com tantas necessidades desnecessárias deste mundo material. No entanto, ao mesmo tempo, um bhakti yogui está disposto a aceitar qualquer coisa pelo serviço ao Senhor. Srila Prabhupada disse quem é um verdadeiro bhakti yogui. Se essa pessoa está vivendo em um palácio, e para melhor servir a Deus for necessário viver sob uma árvore, não há hesitação de sua parte em fazer esse ajuste. E se a pessoa está vivendo sob uma árvore, e para melhor servir a Deus se fizer necessário viver em um palácio, não há hesitação de sua parte em fazer esse ajuste.

Outro aspecto da simplicidade é simples e inocentemente aceitar o que vem de Deus e das escrituras. Nós não podemos compreender Deus a não ser que tenhamos fé inocente. Grande erudição não dá acesso a Deus. Conhecimento é útil no ensino e para discriminar o bem e o mal, mas, no final, a menos que este conhecimento seja baseado nos princípios essenciais da fé e devoção, não terá nenhuma influência em nosso avanço espiritual. Devemos ter fé: "Deus me ama e Ele vai me proteger." Esta é a essência da espiritualidade. Não importa quantas escrituras memorizemos, não importa quantas austeridades façamos, não importa quantos mantras estejamos recitando, temos que nos tornar simples e fiéis para percebermos Deus. Qual é o significado do Bhagavad Gita? A Arjuna foi dito 700 versos do Bhagavad-Gita. Mas qual foi a conclusão? Ele tornou-se como uma criança: "Krishna, Eu aceito tudo que você disser. Vou fazer o que Você quiser." A culminação de todas as filosofias era que Arjuna se tornasse simples, inocente como uma criança. Esse é o objetivo da vida. Não há dúvidas sobre qualificação material ou desqualificação. Se formos sinceros, Krishna nos dá essa fé e nossa vida se torna descomplicada. Fé inocente e simples é a Graça de Deus e a essência de todas as escrituras.

Escrito por S.S Radhanath Swami.
Traduzido por: Candravali d.d. (PS).

domingo, 27 de novembro de 2011

"A OPÇÃO É NOSSA!"


As pessoas não conhecem o que é verdadeiro progresso.
A civilização védica não está interessada no falso progresso decorrente do desenvolvimento econômico.
Por exemplo, às vezes elas se orgulham dizendo: " Mudamos da cabana para o arranha-céu".
E pensam que isso é progresso. Porém, no sistema da civilização védica, considera-se quanto a pessoa é avançada em auto-realização.
Ela pode viver numa cabana e tornar-se muito avançada em auto-realização.
Contudo, se ela desperdiça seu tempo transformando sua cabana num arranha-céu, então toda a sua vida está perdida.
A dita civilização moderna não passa de uma competição de cães.
O cão está correndo com quatro patas, e as pessoas de hoje em dia estão correndo com quatro rodas.
Quem for sábio e perspicaz usará esta vida para adquirir aquilo que deixou passar em inúmeras vidas anteriores
- a saber, compreensão do eu e compreensão de Deus.


Prabhupada

domingo, 25 de setembro de 2011

"VIVER DE LUZ?"




Muitas pessoas almejam viver de luz, ou seja, viver sem beber ou comer nada. Algumas enxergam nisso um estágio superior de existência e naturalmente acreditam que isso simboliza avanço espiritual ou autorrealização. O que talvez as pessoas não saibam é que o processo de viver de luz é encontrado nos textos milenares do yoga como sendo um dos siddhis ou “poderes místicos” adquiridos por meio da meditação.
Na cultura da autorrealização em yoga é possível desenvolver grande poder sobre o corpo, porque se desenvolve grande poder sobre a mente. Quem controla a mente, controla o corpo e, dizem os textos védicos, num estágio ainda mais elevado, controla também a energia material ao seu alcance. Porém, esse tipo de controle da mente vem de uma vertente pouco trilhada do caminho do yoga – dhyana-yoga – ou yoga da meditação.



Este caminho é pouco recomendado por ser menos eficaz, perigoso, difícil e demorado – muito demorado! Os textos védicos que descrevem essas práticas falam de iogues que passavam até 60 mil anos meditando. Isso obviamente em outras eras, não na atual kali-yuga (era das desavenças), na qual vivemos já há 5 mil anos.
O controle da mente sempre é o foco central da prática da autorrealização em yoga, porém existe uma maneira mais inteligente e recomendada de atingir esta meta, que é trilhar o caminho tríplice do yoga, ou seja, o desenvolvimento simultâneo de comportamento piedoso e puro; conhecimento transcendental; e devoção a Deus.
O caminho tríplice do yoga é encontrado e enfatizado nos dois textos centrais da autorrealização em yoga: o Yoga Sutra de Patanjali e o Bhagavad-gita (veja Yoga Sutra 2.1, por exemplo, ou Bhagavad-gita 13.8-12).
Entende-se facilmente que este é o caminho recomendado quando se compreende que o propósito final do processo de autorrealização é ser uma pessoa livre dos defeitos e condicionamentos mundanos, manifestados na forma de egoísmo, raiva, inveja, luxúria, ganância, medo, ilusão, loucura etc. O objetivo é retomarmos nosso estágio original de existência como seres puramente transcendentais, capazes de amar puramente e sermos puramente amáveis.
Já a vertente de dhyana-yoga, ou meditação, é praticamente impossível de ser seguida hoje. Nossas mentes estão completamente intoxicadas por todo tipo de lixo, na forma de químicos, ondas de rádio, micro-ondas etc. e, principalmente, toda a terrível porcaria que já absorvemos através da tevê, propaganda, filmes, internet, revistas, jornais, conversa fiada e músicas.
Nossa mente está tão entupida de lixo que querer chegar apenas ao estágio inicial de meditação já é uma ilusão, um conto de fadas, a não ser que se tenha nascido num pequeno vilarejo pré-era industrial e com 5 anos tenha se retirado para viver com um guru na floresta ou nas montanhas (que é o que os grandes iogues faziam).
Ainda assim, mesmo que alguém tivesse essa boa fortuna de não ter passado 20, 30 ou 40 anos sujeitando sua mente a tanto lixo tóxico, cultural, energético e químico, o caminho tríplice do yoga é mais agradável e eficaz. Meditação por si só não é suficiente – a alma ainda precisa chegar ao seu objetivo de voltar a ser uma pessoa eterna e amorosa.
Os textos védicos também alertam que o desenvolvimento de poderes místicos (siddhis), que advêm da prática de dhyana-yoga, é um terrível perigo para o iogue, pois esses poderes tornam-se uma grande tentação (Yoga Sutra 3.50-51, por exemplo) que novamente jogará o iogue no mundo do orgulho, falso poder, ilusão, raiva, ganância, entre outros, afastando-o do objetivo final de toda a prática de autorrealização, que é ser perfeitamente humilde e refugiado em Deus (Bhagavad-gita 18.66).
Não que haja um perigo real hoje em dia, pois, apesar de ainda existirem em algumas partes do mundo, os iogues com verdadeiros poderes místicos estão em extinção, devido ao avanço da poluição do planeta em todos os níveis – material, cultural e mental. Além do mais, tais iogues têm poderes ínfimos, muito aquém do que é descrito nas escrituras.
Voltando ao tema viver de luz, é interessante notar que os textos do yoga não promovem esta prática. No Bhagavad-gita (6.17), Krishna explica que um iogue bem-sucedido “não come nem demais nem de menos”. É o caminho do meio, o equilíbrio, que é desejável e benéfico para o processo de autorrealização.
Já no caminho tríplice do yoga, o ato de comer tem um papel central, onde o praticante come alimentos primeiramente oferecidos com amor e devoção a Deus. Este alimento é chamado de prasada, que em sânscrito significa misericórdia. Comer prasada é mais poderoso do que jejuar, no que se refere ao despertar da alma e à purificação da consciência. Uma declaração védica diz que “o resultado obtido por jejuar por um mês continuamente em seis diferentes ocasiões consegue-se facilmente ao comer um punhado de arroz primeiro oferecido a Deus [prasada]”.
Portanto, viver de luz é apenas mais um projeto do ego material, completamente desnecessário e praticamente inatingível. Por ser algo nascido do ego material, o resultado provável de tal empenho é se encher de orgulho por ter reduzido o consumo de alimentos, mesmo que parcialmente, ou até a morte inglória de inanição autoimposta.



Devemos sim mudar nossa dieta, mas que seja uma mudança saudável, prática, importante para o planeta e essencial para a alma – mudança para uma dieta de prasada, de alimentos puros, lactovegetarianos, oferecidos primeiramente a Deus com amor e devoção. Melhor que viver de luz é comer unicamente prasada, alimento oferecido a Deus que retorna para nós na forma de Sua misericórdia energizante, purificadora e curativa.

GIRIDHARI DAS.
www.giridhari.com.br

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"BAMBU CHINÊS"


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada, durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas, uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída.
´´Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês``: você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e, às vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.
Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5o ano chegará, e, com ele, virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava... O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos... Especialmente no nosso trabalho, (que é sempre um grande projeto em nossas vidas) é que devemos lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.
Tenha sempre dois hábitos:
Persistência e paciência, pois você merece alcançar todos os sonhos!!!
É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão
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Autor desconhecido

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"CRIME"



Excerto da obra Ciência da Autorrealização, de autoria de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, cortesia BBT Brasil (www.bbt.org.br). Todos os direitos reservados.

Crime: Por que Existe e o que Fazer?

Todos os anos, o mundo gasta cada vez mais recursos em prevenção contra o crime e no controle do mesmo. Contudo, apesar de tais esforços, as taxas de criminalidade continuam crescendo. Nas escolas públicas, crimes associados a tráfico de drogas e brigas entre gangues chegaram a níveis incontroláveis. Em diálogo realizado em julho de 1975 com o então relações públicas do departamento policial de Chicago, o tenente David Mozee, Srila Prabhupada propõe uma solução espantosamente simples e, ao mesmo tempo, prática para o problema aparentemente insuperável da criminalidade.

Tenente Mozee: Tomei conhecimento de que o senhor tem algumas ideias que poderiam nos ajudar em nossos esforços para impedir a criminalidade. Estou muito interessado em ouvi-las.

Srila Prabhupada: A diferença entre um homem piedoso e um criminoso é que um é puro de coração e o outro é impuro. Esta impureza é como uma doença sob a forma de luxúria e cobiça incontroláveis no coração do criminoso. Atualmente, as pessoas em geral estão nesta condição mórbida, e, por conseguinte, o crime está se propagando imensamente. Quando as pessoas se purificarem dessas impurezas, o crime desaparecerá. O processo mais simples de purificação é reunir-se em congregação e cantar os santos nomes de Deus. Isto se chama sankirtana, e é a base de nosso movimento da consciência de Krsna. Então, se o senhor quer parar o crime, o senhor deve reunir o maior número de pessoas possível para um sankirtana em massa. Este canto congregacional do santo nome de Deus dissipará todas as coisas impuras no coração de todos. Então, não haverá mais crime.

Tenente Mozee: O senhor acha que o crime aqui nos Estados Unidos é de alguma forma diferente do crime em seu próprio país, a Índia?

Srila Prabhupada: Qual é a sua definição de crime?

Tenente Mozee: Qualquer usurpação dos direitos de uma pessoa por parte de outra pessoa.

Srila Prabhupada: Sim. Nossa definição é a mesma. Nos Upanisads, afirma-se, isavasyam idam sarvam: “Tudo pertence a Deus”. Portanto, todos têm o direito de utilizar tudo o que lhes seja adjudicado por Deus, mas não se deve usurpar a propriedade alheia. Se alguém o faz, torna-se um criminoso. Na verdade, o primeiro crime é que vocês, americanos, estão pensando que esta terra da América é de vocês. Embora, há duzentos anos, ela não fosse de vocês, vocês vieram de outras partes do mundo e declararam que esta terra era de vocês. Na realidade, esta terra é de Deus, e, destarte, pertence a todos, visto que todos são filhos de Deus. Porém, a maioria das pessoas não tem conceito de Deus. Praticamente falando, todos são ateus. Portanto, eles devem ser educados no amor a Deus. Na América, o seu governo tem um lema: “Em Deus nós confiamos”. Não é assim?

Tenente Mozee: Sim.

Srila Prabhupada: Contudo, onde está a educação sobre Deus? Confiar é ótimo, mas a simples confiança não vai perdurar a menos que seja baseada em conhecimento científico de Deus. Pode ser que alguém saiba que tem um pai, mas, a menos que ele saiba quem é seu pai, seu conhecimento é imperfeito. E essa educação na ciência de Deus está faltando.

Tenente Mozee: O senhor acha que ela está faltando apenas aqui nos Estados Unidos?

Srila Prabhupada: Não. Em toda parte. A era em que vivemos chama-se Kali-yuga, a era do esquecimento de Deus. É uma era de desentendimentos e desavenças, e os corações das pessoas estão cheios de coisas impuras. Deus, no entanto, é tão poderoso que, se cantamos Seu santo nome, purificamo-nos, assim como meus discípulos purificaram-se de seus maus hábitos. Nosso movimento baseia-se neste princípio de cantar o santo nome de Deus. Damos a oportunidade a todos, sem nenhuma distinção. Todos podem vir a nosso templo, cantar o mantra Hare Krsna, comer um pouco de prasada para revigorar-se, e purificar-se gradualmente. Assim, se as autoridades governamentais nos derem algumas facilidades, poderemos, então, promover sankirtana em massa. Então, sem dúvida alguma, toda a sociedade mudará.

Tenente Mozee: Se o entendo corretamente, o senhor está dizendo que devemos enfatizar um retorno aos princípios religiosos.

Srila Prabhupada: Certamente. Sem princípios religiosos, qual é a diferença entre um cachorro e um homem? O homem pode compreender religião, mas o cachorro não. Esta é a diferença. Então, se a sociedade humana permanece ao nível de cães e gatos, como o senhor pode esperar uma sociedade pacífica? Se o senhor pegar uma dúzia de cachorros e colocá-los juntos em um cômodo, será possível mantê-los pacíficos? Semelhantemente, se a sociedade humana está cheia de homens cuja mentalidade está ao nível da mentalidade dos cães, como o senhor pode esperar paz?

Tenente Mozee: Se algumas de minhas perguntas parecem desrespeitosas, isto é apenas porque não compreendo perfeitamente suas crenças religiosas. Não tenho a menor intenção de desrespeitá-lo.

Srila Prabhupada: Não, não se trata de minhas crenças religiosas. Estou simplesmente chamando a atenção para a distinção entre a vida humana e a vida animal. Os animais não podem em hipótese alguma aprender algo sobre Deus, mas os seres humanos podem-no. Entretanto, se os seres humanos não têm oportunidade de aprender sobre Deus, eles permanecem ao nível de cães e gatos. Não pode haver paz em uma sociedade de cães e gatos. Portanto, é dever das autoridades governamentais cuidar para que as pessoas aprendam como tornar-se conscientes de Deus. Caso contrário, haverá problemas, porque, sem consciência de Deus, não há diferença entre um cão e um homem: o cão come, nós também; o cão dorme, nós dormimos; o cão faz sexo, nós fazemos sexo; o cão tenta defender-se, e nós também tentamos nos defender. Esses são os fatores comuns. A única diferença é que o cão não pode ser instruído sobre sua relação com Deus, ao passo que o homem pode.

Tenente Mozee: A paz não seria um precursor de um retorno à religião? Não precisaríamos primeiramente ter paz?

Srila Prabhupada: Não, não, essa é a dificuldade. No momento atual, ninguém conhece realmente o significado de religião. Religião significa obedecer às leis de Deus, assim como boa cidadania significa obedecer às leis do governo. Porque ninguém tem compreensão alguma de Deus, ninguém conhece as leis de Deus ou o significado de religião. Esta é a situação atual das pessoas na sociedade atual. Elas estão desconhecendo a religião, considerando-a um tipo de fé. Fé pode ser fé cega. Fé não é a verdadeira descrição de religião. Religião significa as leis dadas por Deus, e qualquer um que siga essas leis é religioso, quer seja cristão, hindu ou muçulmano.

Tenente Mozee: Com todo o devido respeito, não é verdade que na Índia, onde os costumes religiosos são seguidos há séculos e séculos, estamos presenciando, não um retorno, mas um afastamento da vida espiritual?

Srila Prabhupada: Sim, mas isto é devido apenas à má liderança. Por outro lado, a maioria do povo indiano é plenamente consciente de Deus, e eles tentam seguir as leis de Deus. Aqui no Ocidente, mesmo eminentes professores universitários não creem em Deus ou em vida após a morte. Na Índia, entretanto, mesmo o homem mais pobre crê em Deus e em uma próxima vida. Ele sabe que, se cometer pecado, sofrerá, e, se agir piedosamente, desfrutará. Mesmo atualmente, se há um desacordo entre dois moradores de uma vila, eles vão ao templo para resolvê-lo, porque todos sabem que os adversários hesitarão falar mentiras perante as Deidades. Assim, sob muitos aspectos, a Índia ainda é oitenta por cento religiosa. Esse é o privilégio especial de nascer na Índia, e a responsabilidade especial também. Sri Caitanya Mahaprabhu diz:

bharata-bhumite haila manusya-janma yara
janma sarthaka kari’ kara para-upakara
(Caitanya-caritamrta, Adi 9.41)

Qualquer um que tenha nascido na Índia deve tornar sua vida perfeita tornando-se consciente de Krsna. Ele, em seguida, deve distribuir a consciência de Krsna ao mundo inteiro.

Tenente Mozee: Senhor, há uma parábola cristã que diz ser mais fácil um camelo passar pelo orifício de uma agulha do que um rico chegar perante o trono de Deus. O senhor acha que a riqueza dos Estados Unidos e de outros países ocidentais é um obstáculo para a fé espiritual?

Srila Prabhupada: Sim. Riqueza em excesso é um obstáculo. Krsna afirma no Bhagavad-gita (2.44):

bhogaisvarya-prasaktanam
tayapahrta-cetasam
vyavasayatmika buddhih
samadhau na vidhiyate

Se alguém é materialmente muito opulento, ele se esquece de Deus. Portanto, riqueza material em excesso é uma desqualificação para se compreender Deus. Embora não haja leis absolutas de que somente o pobre pode compreender Deus; de um modo geral, se alguém é extraordinariamente rico, sua única ambição é adquirir dinheiro, e é difícil para ele entender ensinamentos espirituais.

Tenente Mozee: Na América, aqueles que pertencem à fé cristã também creem nessas coisas. Não vejo grandes diferenças entre as crenças espirituais de um grupo religioso e as de outro.

Srila Prabhupada: Sim, a essência de toda religião é a mesma. Nossa proposta é que qualquer que seja o sistema religioso seguido, deve-se tentar compreender Deus e amá-lO. Se o senhor é cristão, não dizemos: “Isso não é bom; o senhor tem que ser como nós”. Nossa proposta é: quem quer que o senhor seja – cristão, muçulmano ou hindu –, simplesmente tente compreender Deus e amá-lO.

Tenente Mozee: Se eu pudesse voltar ao objetivo original de minha vinda, eu perguntaria que conselho o senhor poderia dar para nos ajudar a reduzir a criminalidade. Reconheço que o primeiro e mais importante método seria um retorno a Deus, como o senhor diz – e quanto a isso não há dúvida –, mas há algo que pudéssemos fazer imediatamente para diminuir esta crescente mentalidade criminosa?

Srila Prabhupada: Sim. Como já delineei no começo de nossa conversa, o senhor deve dar-nos a oportunidade de cantar o santo nome de Deus e distribuir prasada. Haverá, então, uma tremenda mudança na população. Eu vim sozinho da Índia e agora tenho muitos seguidores. O que eu fiz? Eu lhes pedia que se sentassem e cantassem o mantra Hare Krsna, e, depois disso, distribuía um pouco de prasada para eles. Se isso for feito em massa, toda a sociedade se tornará bem comportada. Isto é fato.

Tenente Mozee: O senhor gostaria de começar o programa em uma área de afluência ou em uma área de pobreza?

Srila Prabhupada: Não fazemos tais distinções. Qualquer local facilmente acessível a todos os tipos de homens seria bastante adequado para fazermos sankirtana. Não há distinção de que apenas os pobres necessitam do benefício, e os ricos não. Todos precisam ser purificados. O senhor acha que a criminalidade existe apenas na seção mais pobre da sociedade?

Tenente Mozee: Não. O que eu quis perguntar foi se haveria uma influência mais benéfica – um fortalecimento maior para a comunidade – se o programa fosse feito em uma área mais pobre em vez de em área abastada.

Srila Prabhupada: Nosso tratamento é para a pessoa espiritualmente doente. Quando uma pessoa é afligida por uma doença, não há distinções entre o pobre e o rico. Ambos são admitidos no mesmo hospital. Assim como o hospital deve ser um local aonde tanto pobres quanto ricos possam chegar facilmente, a localização da realização do sankirtana deve ser facilmente acessível a todos. Uma vez que todos estão materialmente infectados, todos devem ter o direito de ser socorridos.
A dificuldade é que o rico pensa ser perfeitamente saudável, apesar de ser o mais doente de todos. Porém, sendo policial, o senhor sabe muito bem que há criminalidade tanto entre ricos quanto entre pobres. Destarte, nosso processo de cantar é para todos, porque esse processo purifica o coração, sem olhar a opulência ou a pobreza do homem. A única maneira de mudar permanentemente o hábito criminoso é mudar o coração do criminoso. Como o senhor sabe muito bem, muitos ladrões são detidos inúmeras vezes e postos na prisão. Embora eles saibam que se roubarem irão para a cadeia, ainda assim são impelidos a roubar por causa de seus corações impuros. Portanto, sem purificar o coração do criminoso, vocês não podem acabar com o crime simplesmente através de coação legal mais estrita. O ladrão e o assassino já conhecem a lei, mas continuam cometendo crimes violentos devido a seus corações impuros. Assim, nosso processo consiste em purificar o coração. Então, todos os problemas deste mundo material serão resolvidos.

Tenente Mozee: Essa é uma tarefa muito difícil, senhor.

Srila Prabhupada: Não é difícil. Simplesmente convide a todos: “Venham, cantem Hare Krsna, dancem e aceitem deliciosa prasada”. Qual é a dificuldade? Estamos fazendo isso em nossos centros, e as pessoas estão vindo. Entretanto, porque temos pouco dinheiro, só podemos fazer sankirtana em pequena escala. Convidamos todos, e gradualmente as pessoas estão vindo a nossos centros e se tornando devotos. Se o governo nos desse uma facilidade maior, entretanto, poderíamos nos expandir ilimitadamente. E o problema é grande, pois, se não o fosse, por que haveria artigos na imprensa nacional perguntando o que fazer? É fato que nenhum estado civil quer esta criminalidade, mas os líderes não sabem como acabar com ela. Se eles nos ouvissem, no entanto, poderíamos dar-lhes a resposta. Por que o crime? Porque as pessoas são ateístas. E o que fazer? Cantar Hare Krsna e comer prasada. Se o senhor quiser, pode adotar este processo de sankirtana. Caso contrário, nós continuaremos promovendo-o em pequena escala. Somos assim como um médico pobre com um pouco de prática que poderia abrir um grande hospital se lhe dessem a oportunidade. O governo é o executivo. Se eles aceitarem nosso conselho e adotarem o processo de sankirtana, então o problema do crime será resolvido.

Tenente Mozee: Há muitas organizações cristãs nos Estados Unidos que dão a sagrada comunhão. Por que isso não funciona? Por que isso não está purificando o coração?

Srila Prabhupada: Falando francamente, eu acho difícil encontrar uma única pessoa que seja realmente cristã. Os assim chamados cristãos não obedecem à ordem da Bíblia. Um dos dez mandamentos na Bíblia é: “Não matarás”, mas onde está o cristão que não mata ao comer a carne da vaca? O processo de cantar o santo nome do Senhor e distribuir prasada será eficiente se for executado por pessoas que estejam realmente praticando a religião. Meus discípulos são treinados para seguir estritamente os princípios religiosos; por conseguinte, quando cantam o santo nome de Deus, é diferente de quando outros cantam. A posição deles não é apenas uma posição de rótulo. Eles compreenderam o poder purificador do santo nome através da prática.

Tenente Mozee: Senhor, acaso a dificuldade não seria que, embora um pequeno círculo de sacerdotes e devotos siga os princípios religiosos, aqueles que são marginais se desviam e causam problemas? Por exemplo, suponhamos que o movimento Hare Krsna cresça em proporções gigantescas, como aconteceu com o cristianismo. O senhor não teria problemas com os indivíduos marginalizados do movimento, os quais professassem ser seguidores embora não o fossem verdadeiramente?

Srila Prabhupada: Essa possibilidade sempre existirá, mas o que estou dizendo é que, se o senhor não for um cristão verdadeiro, então sua pregação não será eficiente. Ao passo que, por estarmos seguindo estritamente os princípios religiosos, nossa pregação é eficaz na propagação da consciência de Deus e na mitigação do problema do crime.

Tenente Mozee: Senhor, deixe-me agradecer-lhe por ter gasto seu tempo comigo. Apresentarei esta gravação a meus superiores. Espero que isso seja eficaz, assim como o senhor é eficaz.

Srila Prabhupada: Muito obrigado.

domingo, 10 de julho de 2011

"SRIMAD-BHAGAVATAM"

*Todas as glórias a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada!

*Srimad-Bhagavatam [Canto 3, Cap. 30 verso 2]

Descrição das atividades fruitivas adversas

Tradução

Qualquer coisa que o materialista produza, com grande dor e esforço, em troca da dita felicidade, a Suprema Personalidade de Deus, como o fator tempo, destrói, e por este motivo a alma condicionada se lamenta.


Significado

A principal função do fator tempo, que é um representante da Suprema Personalidade de Deus, é destruir tudo. Os materialistas, em consciência material, dedicam-se a produzir tantas coisas em nome do desenvolvimento econômico. Eles pensam que, aprimorando a satisfação das necessidades materiais do homem, eles serão felizes, mas se esquecem de que tudo que produzem será destruído no devido curso do tempo. Podemos observar na história que houve muitos impérios poderosos na superfície do globo que foram construídos com grande dor e grande perseverança, porém, no devido curso do tempo, todos eles foram destruídos. Ainda assim, os tolos materialistas não podem entender que estão simplesmente desperdiçando tempo em produzir necessidades materiais, as quais se destinam ao aniquilamento no devido curso do tempo. Este desperdício de energia deve-se à ignorância da massa popular, que não sabem que são eternos e que além disso, têm uma ocupação eterna. Eles não sabem que este período de vida num tipo de corpo em particular é nada mais que um clarão na jornada eterna. Desconhecendo este fato, eles acham que este pequeno clarão de vida é tudo, e desperdiçam o tempo, aprimorando as condições econômicas.

domingo, 12 de junho de 2011

"NECESSIDADE DE FÉ"

Tem muita coisa que a gente acredita, mas não é porque acreditamos na coisa em si mesma, mas sim porque fomos condicionados a acreditar. Temos esta necessidade de crer, de ter fé, em alguma coisa, mesmo que seja num time de futebol. Mas você foi condicionado, hipnotizado por um sistema que te encanta dia a dia com milhares de mensagens para que você passe a gostar ou adorar algo. É claro que estou falando isto no sentido material e espiritual. Assim, as pessoas vão levando as suas vidas sem nenhuma profundidade, porque elas perderam a capacidade de refletir, de pensar com bom senso. Elas não têm tempo. O sistema do mundo corrompido com o lucro, a ambição e a ganância, nos sufoca para que não possamos sustentar a realidade da vida em nosso coração. Então, isto é a fé cega, onde você realmente não enxerga nada do que faz, sente e pensa. De alguma forma você estabelece que algo é agradável para a sua vida, e se apega a isto com toda força, porque todos estão dizendo que isto é bom e verdadeiro. Mas toda a sua vida é uma fantasia, mesmo com Deus, Krsna, se você não estiver consciente e realizado internamente. Passamos a vida fingindo que está bom. Fazemos um acordo com a acomodação, e assim vamos caminhando dentro de certas conveniências sociais e espirituais, e com alguns caprichos pessoais. E ai de quem questionar ou desafiar aquilo que acreditamos, que é a nossa base para se locomover seguros neste mundo! Na hora de sua morte todas as ficções que foram impostas à sua pessoa vão acabar, e você vai poder sentir que tudo foi um grande desperdício. Você tem que questionar a sua vida aqui e agora, tem que sentir uma urgência interna de se absorver no Divino de forma real, e não como uma mera crença. Você tem que defrontar a ilusão de frente, mesmo que ela apareça como boa ou agradável, ou desagradável. Porque tudo vai acabar, e depois da morte, você vai ficar frustrado por ver que toda sua vida foi um desperdício completo, de crenças e medos impostos. Desperta agora! E caminha com força para o seu coração.

Alemão

quinta-feira, 26 de maio de 2011

"ANIMAIS"



Que mal há em matar os animais?

Purushatraya Swami



Como é sabido, os devotos de Krishna não mandam as vacas e os bois ao matadouro. Depois de passarem suas vidas oferecendo seus serviços ao homem—a vaca, procriando e fornecendo o precioso alimento, o leite, e o boi, oferecendo sua força no campo, em trabalhos de tração e aração—, consideramos que é mais do que justo e, sobretudo, é um ato de humanidade, que esses animais tenham melhores condições para o período da velhice. Normalmente, nessa fase esses animais são considerados economicamente improdutivos no campo, e são, invariavelmente, enviados ao matadouro.

Mandar os animais ao matadouro significa encerrar violentamente a vida de um ser vivo. Tal ato é completamente contra às leis naturais, que são leis de Deus. Não temos direito para isso.

O homem moderno, em sua arrogante visão antropocêntrica, dominado por uma cobiça desvairada, julga-se o senhor da natureza, com irrestritos direitos de explorá-la. Não existe o devido respeito às formas inferiores de vida, assim como à Natureza como um todo. A natureza e os animais são vistos através das lentes do lucro—esse é o único referencial. A vida urbana artificial embruteceu a consciência das pessoas. Perdeu-se a visão holística do mundo e o coração das pessoas endureceu.

A grande maioria de pessoas, ditas normais, consideram a matança de animais, como a vaca, uma atividade completamente civilizada, progressista e perfeitamente dentro das leis, tanto seculares como religiosas. Para elas, animais, como os bovinos, são naturalmente destinados a virar bife, dieta considerada essencial para os seres humanos. Sem o bife, pensam elas, a pessoa debilita-se devido à deficiência de proteínas. Portanto, o destino natural dos bovinos é o matadouro. Que mal há nisso? Tanto o Estado quanto a Igreja não questionam, e dão luz verde. Além disso, é uma atividade econômica bastante lucrativa. Isto por si só já justifica. Quanto dinheiro está envolvido nessa atividade! Quantas famílias mantém-se com essa atividade, quantas divisas entram para o país, poderiam argumentar.

Argumenta-se que as técnicas modernas de matança dos animais são indolores, ao contrário do processo tradicional em que o animal leva uma marretada na cabeça, é içado pelas patas, e estripado, mesmo ainda vivo. Outros argumentam que não são eles que matam, alguém faz esse trabalho sujo. E outros afirmam que a carne é essencial na alimentação do homem, e citam até trechos de escrituras para justificar-se.

Argumenta-se que animais não têm alma, portanto, não existe pecado em matá-los. Dizem que quando na Bíblia é dito “Não matarás”, isso refere-se somente a seres humanos.

O caso é que, qualquer que seja o argumento, a violência está presente, e aquele que participa da matança dos animais, seja diretamente ou ‘inocentemente’ à distancia, é cúmplice deste ato desumano. Alguém pode ainda argumentar que comer vegetais, como o alface, é também um ato de violência, pois a planta é sacrificada. Quanto a isso, temos que considerar que os vegetais, cereais e frutas são os alimentos destinados aos seres humanos. Um pé de alface que é comido cumpriu com a sua função nessa vida. Sem dúvida, existe violência nesse ato. O simples fato de caminhar ou respirar, por exemplo, está sempre sujeito a alguma violência, pois podemos pisar em formigas ou inspirar algum germe no ar. Portanto, a conclusão é que, para viver, a violência é inevitável.

O grande problema é quando existe a violência desnecessária. Devemos evitar a todo o custo essa violência desnecessária. A matança de animais deve ser evitada pois é desnecessária, uma agressão à harmonia do universo e um ato de covardia. Quanto à violência aos vegetais, como por exemplo, ao alface, nós devemos estar conscientes desse fato. Devido a isso, é recomendado nas escrituras, que, antes de comermos, nós ofereçamos o alimento a Deus, a fim de purificá-lo e espiritualizá-lo. Ademais, oferecer os alimentos é um ato de devoção, amor a Deus.

A Cultura Védica e as Vacas

A proteção das vacas e dos bois, chamada em sânscrito de go-raksya, é uma das características mais marcantes da cultura védica da Índia milenar. É considerada uma atividade altamente piedosa, e até mesmo religiosa.

Existe no mundo ocidental uma idéia muito pejorativa com respeito da proteção das vacas. Normalmente se diz: “Na India, a vaca é sagrada. As pessoas morrem de fome mas não matam a vaca para comer”. Essas e outras insinuações são frutos de uma propaganda distorcida e maliciosa que os ingleses, em três séculos de dominação na Índia, espalharam, ao tentar desmoralizar a cultura védica e impor sua cultura e religião. Eles queriam mostrar que a cultura védica da Índia era ‘primitiva e retrógrada’, e que o povo indiano deveria descartá-la, e acatar os padrões da cultura ocidental, muito mais ‘racional e progressista’.

Hoje em dia podemos comprovar quão ‘racional e progressista’ nossa civilização ocidental tem sido. O critério de progresso aqui é altamente questionável. O orgulho das conquistas tecnológicas fica obscurecido com o alto preço que estamos pagando: extensiva degradação ambiental, moral e social.

Por outro lado, a milenar cultura védica, embora considerada por muitos como ‘primitiva e retrógrada’, é essencialmente humanista e ecológica. Existe o respeito da natureza, a maravilhosa criação de Deus. Existe o respeito pela entidades vivas em corpos inferiores ao humano. Existe harmonia entre o homem e os animais, enfim, com toda a natureza.

Nos parâmetros da cultura védica, o boi e a vaca são os animais mais úteis e próximos ao homem. Eles são animais domésticos. O curral situava-se junto das casas e existia um perfeito convívio entre os humanos e os animais.

A vaca é considerada, dentro da cultura védica, como uma de nossas mães, e deve ser respeitada como tal. Como podemos entender isso? Damos um exemplo: Após o nascimento de uma criança, acontece da mãe morrer. A criança sobreviverá se houver por perto uma vaca que a alimentará com seu leite. Com esse conceito em mente, quem mandaria sua mãe ao matadouro?

O leite é uma dádiva especial da vaca. A vaca come capim e ervas, e isso é transformado em sangue, e depois leite. A vaca sempre produz uma quantidade de leite a mais, que permite que o bezerro seja devidamente alimentado, e sobre uma grande quantidade para alimento humano. Assim como a relação entre a mãe e o filho recém nascido é baseada em puro amor, similarmente a relação da vaca e seu bezerrinho, e sua produção de leite, é um ato de amor.

A vaca é um animal extremamente sensível. Ela capta a vibração da pessoa que a está tratando, e corresponde-se de acordo. É, por natureza, extremamente pacífica, situada no modo da bondade.

O boi, por sua vez, sente grande prazer quando está ocupado no trabalho pesado do campo. Devido à sua estrutura física ele pode movimentar grandes pesos, e embora seja forte e robusto, o boi aceita pacificamente o comando do homem. Hoje em dia, o trabalho dos bois na aração da terra foi trocado pelos tratores, mas os especialistas provam que as máquinas, embora sejam rápidas e eficientes, produzem, entre outras coisas, a compactação do solo, dificultando a infiltração da água no solo e alterando a estrutura biológica da terra, e, conseqüentemente, causando o empobrecimento e desertificação do solo. Já o trabalho da terra com os bois faz com que a vida do solo intensifique-se.

Uma das coisas mais surpreendente em relação aos bovinos, é que seu excremento não é nojento, ao contrário de todas as classes de seres, seja eles animais ou humanos. O excremento da vaca e do boi é, na verdade, puro e anticéptico. Podemos passar a ‘bosta’ da vaca nas panelas que cozinhamos a fim de purificá-las. Na Índia, e mesmo em algumas regiões no Brasil, costuma-se espalhar o excremento pelas áreas de serviço—isso dá um ar de limpeza na casa.

A urina da vaca, por sua vez, tem altas propriedades medicinais. Recentemente, descobriu-se que a urina dos bovinos é um excelente fungicida e pesticida para a agricultura. Na área da saúde, existe, inclusive, atualmente na Índia, pessoas desenvolvendo seriamente um tratamento chamado “terapia da vaca”, que consiste de remédios para doenças mais graves, como problemas do coração, feitos à base de leite, ghi (manteiga clarificada), iogurte, excremento e urina.

A vaca tem, também, uma profunda significação à nível espiritual. As escrituras védicas chamam o leite de “religião líquida”. É dito que o leite, consumido quente e antes de dormir, além de acalmar a mente e propiciar um bom sono, nutre certas células no cérebro que abrem os canais da consciência para o entendimento da realidade espiritual transcendental. Por sua vez, o leite, na forma de ghi, é o principal ingrediente em todos os rituais de sacrifício e oferendas a Deus. Mesmo hoje em dia, existem muitos templos na Índia que mantém uma goshala, ou curral de vacas, na área do complexo do templo.

Outro conhecimento importante do conhecimento védico é a doutrina do karma, a lei da ação e reação. Uma atividade piedosa trará como reação satisfação, inteligência, saúde, e toda a sorte de benefícios, enquanto que uma atividade perversa ou contrária às leis de Deus, trará, conseqüentemente, sofrimento.

Existe muitas atividades que são consideradas piedosas e auspiciosas, das quais enumeraremos algumas: a) dar caridade aos sadhus, pessoas santas dedicadas à vida espiritual; b) construir templos para adorar a Deus; c) plantar árvores que, em muitos casos, não serão desfrutadas pela pessoa que plantou, mas sim pelas gerações que se seguem; d) abrir poços em vilas que muitas pessoas irão utilizá-los; e) abrir estradas que irão beneficiar muitas pessoas; e, por fim, f) proteger as vacas. Portanto, pessoas conscientes disso estão sempre prontas para investir em seu próprio karma.

A sociedade humana moderna desviou-se consideravelmente do dharma, os princípios religiosos eternos que são enunciadas nas escrituras védicas. Essas leis divinas ensinam-nos como viver em harmonia com a natureza, e são as fórmulas para trazer paz e prosperidade à sociedade humana. O conteúdo dessas leis é ainda praticamente desconhecido no mundo ocidental. Portanto, é o dever daqueles que tiveram a ventura de ter acesso a esse conhecimento, divulgá-lo aos demais. Essa deve ser a missão de nossas vidas.

As vacas são, também, as eternas companheiras de Krishna em Vrindávana. Krishna é conhecido como Gopala, o vaqueirinho transcendental, e Govinda, aquele que dá prazer às vacas. Na escritura sagrada Brahma-Samhita, está escrito surabhir apalayantam, que significa que Krishna está sempre apascentando Suas vaquinhas Surabhi em Goloka Vrindávana, Sua eterna morada suprema. Daí o nome desse programa — Krishna-Surabhi-Seva —“Serviço às vaquinhas Surabhi de Krishna”. Servir Suas vaquinhas é o mesmo que servi-Lo pessoalmente. Como resultado desse serviço, a pessoa desenvolve consciência espiritual pura, e torna-se um receptáculo da misericórdia de Krishna, condição essencial para fazer de nossa vida um sucesso.

Fracassos do Homem Moderno

Motivado pela cobiça, que é a mola mestra do moderno sistema econômico baseado na exploração irrestrita da natureza, o homem perdeu toda a sensibilidade para lidar com outras entidades vivas que se encontram numa posição inferior ao homem na cadeia evolucionária.

O recente e triste episódio das ‘vacas loucas’ na Inglaterra, por exemplo, dá um indicativo do lado negro mentalidade do homem moderno. Com o objetivo de se produzir mais carne e ter mais lucro, as vacas foram alimentadas com um tipo de ração da pior qualidade. A ração, além de produtos químicos e hormônios artificiais, continha entre outras coisas, víceras de animais já sacrificados, devidamente processados para dar gosto atrativo. Esta ração era considerada a mais balanceada e mais barata, portanto, as oportunidades de lucro eram enormes. Mas, qual foi o resultado? Uma séria epidemia nos animais e contaminações alimentares aos que consumiram sua carne. Como conseqüência, mais de cinqüenta mil vacas foram estupidamente sacrificadas e, sabe-se lá quantas pessoas foram contaminadas com agentes cancerígenos que irão manifestar-se no decorrer do tempo, além de prejuízos de milhões, que poderiam ser utilizados para o benefício da humanidade. Esse é somente um entre muitos exemplos que acontecem no mundo considerado civilizado.

Animais, como os bovinos, são vistos pelo homem moderno como meros meios produtivos econômicos destinados exclusivamente a render lucros para os exploradores e suprir certas necessidades alimentares supérfluas para os consumidores. O hábito de comer carne tornou-se muito arraigado na cultura ocidental. Hoje em dia, nos grandes centros urbanos, as sofisticadas churrascarias são símbolos de status social. Para os menos gastadores, as conhecidas redes de fast-foods dos shoppings, com seus hamburgueres e salsichas, são a atração para língua.

A grande maioria do público consumidor de carne não tem a mínima noção de que esse alimento é impróprio para o consumo humano. Além de ser anti-natural como alimento humano, pois o corpo humano não possue as mesmas características dos animais carnívoros, como um tigre, por exemplo, e ser completamente supérfluo em termos de propriedades nutritivas essenciais, esse alimento está carregado com uma vibração muito negativa de violência e impiedade. O pior de tudo é que mesmo muitas pessoas de boa índole, ao terem conhecimento disso, não conseguem desvencilhar-se do hábito de comer carne. O comer carne torna-se sua segunda natureza, como se fosse um vício impossível de se descartar. Recentemente a revista Super Interessante, que trata de tópicos científicos, teve como matéria de capa, um artigo que dava a conclusão de um congresso mundial de medicina provando que a carne é o maior agente cancerígeno. Quantos se sensibilizaram com essa informação e pararam com o consumo da carne?

De acordo com o conhecimento transcendental védico, existe uma relação direta entre a matança de animais e a violência. Dentre todos problemas que assolam nosso planeta, a violência é um dos principais. Tomamos conhecimento diariamente de absurdos que acontecem em todo mundo—atentados, assassinatos coletivos, massacres, guerras com extermínio étnico, torturas, assassinos infantis, e muitos outros horrores. Recentemente um criminoso paulista, o ‘moto-boy’, matou nove ou dez namoradas. Depois de preso, ele declarou que seu maior prazer na adolescência era freqüentar um matadouro. Ele absorveu a vibração de violência em sua consciência e tornou-se insensível ao ato de matar. Violência, definitivamente, só pode gerar violência. Essa é a lei do karma.

Ainda Assim, Esperança

A vida do homem moderno, principalmente nos grandes centros urbanos, tornou-se extremamente artificial. Não existe praticamente nenhum contato direto com a natureza. A mentalidade tecnológica e consumista que ora vigora causou um abismo de distancia da vida urbana com o meio ambiente rural e a natureza nativa. Para as pessoas na cidade é muito fácil conseguir seus alimentos, bastando, somente, pagar seu preço no supermercado. Ela não fica, nem de leve, ciente das dificuldades e desafios da vida do campo. Com programa de proteção das vacas de Goura-Vrindávana, nós estamos dando uma oportunidade para os moradores das cidades participarem e estarem conscientes da realidade da vida no campo. Essa integração irá certamente quebrar a rotina artificial urbana e acrescentar um toque de natureza na vida cotidiana.

Hoje em dia, mais e mais pessoas estão desenvolvendo consciência ecológica em diferentes níveis. Uma das grandes preocupações

de pessoas conscientes e espiritualizadas no mundo atual é tentar salvar o que ainda resta no planeta e estabelecer padrões dignos do status humano. Alguma coisa já foi feita em termos de preservar o pouco de florestas nativas que restaram, e proteção de espécies em vias de extinção, como baleias, focas, tartarugas, mico-leão, e outras, mas praticamente nada foi feito até agora para frear a exploração e matança dos bovinos. Portanto, alguém tem que se preocupar com isso e fazer alguma coisa.

Mas, quem, hoje em dia, está preocupado com isso? De uma forma literalmente generalizada, as pessoas desconhecem totalmente o que significa proteger as vacas. Muitas pessoas, mesmo que educadas e sensíveis, são, na maioria dos casos, influenciadas pelo consenso geral, fartamente divulgado pela mídia e aceito pelos meios científicos, de que o bife é uma necessidade nutritiva como fonte de proteínas e a matança dos animais é uma atividade econômica normal, plenamente aceitável na sociedade.

Mas temos esperanças de que este quadro possa começar a reverter-se. O vegetarianismo, hoje em dia, é o movimento popular que mais cresce no mundo, dizem os entendidos. Agora é a hora para começar a divulgar como proteger esses animais e acabar com a violência desnecessária. Essa é a nossa missão. Uma missão com proporções gigantescas, pois as forças antagônicas são poderosíssimas. Certamente os McDonalds, Sadias e Perdigões não irão gostar, e aqueles que têm o poder econômico na mão não admitem serem desafiados e contra-atacam de diferentes maneiras. Mas nós temos Krishna e razão ao nosso lado. Que haveríamos de temer?

Temos que começar com alguma coisa, mesmo que seja, à princípio, simples e modesta. Temos que criar um modelo que possa ser ampliado e multiplicado.

Com essa mentalidade, Srila Prabhupada começou sozinho esse movimento, que começou bem modesto, mas, logo, espalhou-se pelos quatro cantos do mundo. Essa é a nossa inspiração.

Proteção das vacas e a Economia

Existe um consenso entre pessoas ligadas ao setor de agro-pecuária que a exploração do gado de corte é uma atividade econômica de vital importância para a sociedade. Por exemplo, no centro-oeste do país, em terras de milhares de alqueires, milhares de cabeças de gado são controladas por somente dois ou três caboclos. É só deixar o gado engordar e mandá-lo para o matadouro. Com a mesma mentalidade gananciosa milhões de hectares de floresta amazônica, que custaram milhares anos para serem formados, foram destruídos nessas últimas décadas para abrir espaço para a pecuária de corte. Qual é a importância econômica desses empreendimentos? Será que estão resolvendo os problemas do homem?

Num documento surpreendente, técnicos do Banco Mundial, declararam que esse banco não financiará daqui para frente nenhum projeto econômico de gado de corte, em nenhum país do mundo, mesmo em países onde existe o problema de fome. Eles chegaram à conclusão de que a atividade de pecuária de corte está emprobecendo o planeta, e não está resolvendo o grave problema alimentar dos países pobres. Se todos os recursos investidos neste setor forem utilizados para produzir grãos, a sociedade humana seria muito mais beneficiada.

Vemos, a partir desse dado, ‘uma luz no fundo do túnel’, uma esperança de que algum dia a comunidade científica irá reconhecer a visão ecológica e holística da Natureza, e irá considerar a proteção dos bovinos como a única saída para o verdadeiro progresso e bem estar do planeta.

Não mandar os animais ao matadouro acarreta cuidados muito especiais. O grande perigo é chegar ao ponto de super-população do rebanho, isto é, muitos animais para pouca terra. Se existe um programa irrestrito e sem controle de produção de leite, o que implica em constante procriação, o plantel aumenta, e, de repente, tem-se um enorme problema a se enfrentar. Quando chega-se a esse ponto, cuidar dos animais, que é uma atividade no modo da bondade, e deve, inclusive, ser economicamente produtiva, torna-se um pesadelo. Se não há pastos suficientes, o que os animais irão comer? O que fazer com os animais improdutivos?

Esse é o grande desafio dos projetos rurais dentro dos princípios espirituais da consciência de Krishna. É fundamental que consigamos recursos para investir no plantio de pastos, construção de um bom curral, manutenção de cercas, remuneração de vaqueiros profissionais especializados, assistência veterinária aos animais, criação de capineiras forrageiras e silagem, aquisição de implementos de aração e tração animal, cursos técnicos para treinamento dos devotos, instalações para o beneficiamento do leite, minhocário para produção de húmus a partir do esterco, etc.

domingo, 22 de maio de 2011

"AMIGO PARA TODOS OS SERES VIVOS"






Diferentes representantes de Deus apareceram em diferentes locais ao longo do tempo para disseminar o conhecimento espiritual de acordo com as circunsctâncias, local e pessoas.
Alguns revelaram questões mais profundas acerca de quem é Deus e como podemos nos relacionar com Ele. Outros não entraram em tantos detalhes. E isto faz parte do plano do Senhor para resgatar as almas condicionadas em diferentes níveis de evolução.
Mas nenhum destes representantes - apesar de em alguns casos não revelarem todo o conhecimento, ou de simplesmente terem proporcionado o início do processo - comprometeram os princípios básicos de uma vida humana civilizada (misericórdia, limpeza, austeridade e veracidade).
Por exemplo apesar de que o Senhor Jesus Cristo não tenha ensinado detalhes acerca do serviço devocional, e quem realmente é Deus. E isto devido a que seus seguidores não estavam preparados para tal, ele nunca foi a favor da matança de animais.
"Um pregador da Consciência de Deus é um amigo para todos os seres vivos. O Senhor Jesus Cristo exemplificou isto ensinando "Não Matarás". Mas os Cristãos gostam de interpretar mal esta instrucção." (Srila Prabhupada)
No Islamismo a mesma coisa. O Profeta Mohammad pregou a bondade para com os animais. O Corão apenas nos diz que as carnes permitidas podem ser consumidas se alguém assim desejar. Em nenhum lugar na mensagem do Islão se requer que um(a) muçulmano(a) coma carne animal. O consumo de carne não é nem encorajado nem recomendado.
Então os diferentes representantes de Deus, em diferentes locais e circunstâncias, fazendo parte do plano do Senhor de resgatar todas as entidades vivas de acordo com suas condições, nunca comprometeram e nem permitiram a matança de animais. Isto é um desvirtuamento de seus seguidores.
Isto não faz parte do plano do Senhor, mas é exatamente isto, um desvirtuamento.
Um desvirtuamento dos ensinamentos originais de Cristo !!!
Não faz parte do plano do Senhor permitir a matança de milhões e bilhões de animais indefesos. Nem isso nunca foi apoiado por Jesus Cristo ou o Profeta Mohammad.
E Srila Prabhupada explica que se Jesus Cristo comeu carne foi simplesmente porque não havia mais nada para comer.
"Srila Prabhupada: Quando não há alimento, alguém pode comer carne. Para não morrer de fome. Isso é outra coisa. Mas é pecaminoso regularmente manter matadouros só para satisfazer sua língua."

Vosso servo,
Prahladesh Dasa Adhikari

domingo, 10 de abril de 2011

"RADHA-KRISHNA"


Quando as pessoas vêem uma gravura como a que está reproduzida ao lado, elas costumam perguntar, “Quem é a mocinha que está com Krishna?”


A resposta é que Ela é Srimati Radharani, a potência de prazer de Krishna. Os devotos do movimento da consciência de Krishna tentam humildemente glorificar a Srimati Radharani porque, com Sua misericórdia, pode-se avançar muitíssimo em consciência de Krishna.

O Que é a Potência de Prazer?

Naturalmente, todos desejam sentir prazer, mas ninguém é totalmente independente para obter satisfação. Para satisfazer nossos desejos, necessitamos da associação às outras pessoas. Costumamos usar a expressão “sentir prazer consigo próprio”, mas nossa satisfação é maior quando estamos em boa companhia. Na verdade, a maioria das pessoas acharia a solidão prolongada praticamente insuportável. Entretanto, Krishna, o Senhor Supremo, por ser a fonte de tudo, é totalmente independente. Ele é independente em Sua existência, Seu conhecimento e Seu prazer, pois tudo é sustentado por Ele, assim como as pérolas estão ensartadas num cordão. Por esta razão, Krishna não precisa de coisa alguma ou de alguém. De certa forma, como Ele é tudo, ninguém existe fora d’Ele. Conseqüentemente, quando Krishna deseja ter prazer, Ele expande sua potência ou energia interna que Lhe traz satisfação. Esta potência é uma pessoa. Seu nome é Srimati Radharani. Radharani não é uma pessoa diferente de Krishna ou, de outra forma, Ela é igual e diferente d’Ele. Como duas pessoas poderiam ser uma, ou como uma poderia ser duas? Um exemplo simples ilustra como isto é possível. O sol não pode existir sem a luz solar, nem esta última pode existir sem o sol. Podemos dizer “O sol está em meu quarto” – mesmo que o sol esteja há milhões de quilômetros de distância -, porque o sol aparece sob a forma de sua energia. Pela mesma razão, a energia (o brilho solar) e o energético (o sol) são simultaneamente um e diferentes. Da mesma forma, Radha e Krishna são iguais e diferentes ao mesmo tempo. Krishna, o Senhor auto-refulgente, é a Personalidade Suprema de Deus, enquanto que Srimati Radharani é Sua energia suprema de prazer. Juntos, eles formam a Verdade Absoluta completa.

Quem Pode Compreender Tudo Isto?

A especulação mental não nos permite entender coisa alguma sobre Radha e Krishna. Krishna e Suas potências são acintya (inconcebíveis) e ananta (ilimitados). Ele é a própria fonte da mente e, desta forma, está além da mente. A mente limitada não pode compreender a Personalidade de Deus ilimitada. A literatura védica explica isto de forma bastante lógica: “tudo aquilo que transcende à natureza material é inconcebível, pois todos os argumentos especulativos aplicam-se ao mundo material. Como argumentos mundanos não permitem entender as questões transcendentais sutis, não se deve tentar compreender os assuntos transcendentais por meio de argumentos mundanos”. Quando os intelectuais mundanos comuns tentam explicar ou interpretar a identidade ou os passatempos de Radha e Krishna, a natureza ilimitada de Krishna os confunde e, por esta razão, tudo eles interpretam mal. Assim, algumas vezes eles consideram que Radha e Krishna são semelhantes a um rapaz e uma mocinha comuns do mundo material. Contudo, embora costumem se apresentar como eruditos, eles não sabem o que estão dizendo. Portanto, deve-se evitar por todos os meios as idéias mundanas confusas destes intelectuais estouvados. Se alguém quiser entender Radha e Krishna, deve esforçar-se por compreendê-los ouvindo submissamente o que uma autoridade fidedigna tem a dizer. A autoridade original sobre Krishna é o próprio Krishna. Todos somos, antes de tudo, autoridades sobre nós próprios e isto também se aplica a Krishna. Além disto, como Ele é ilimitado, ninguém mais pode compreendê-lo plenamente. Arjuna, discípulo de Krishna, confirma isto no Bhagavad-gita:

svayam evatmanatmanam vettha tvam purusottama bhuta-bhavana bhutesa deva-deva jagat pate

“Na Verdade, só você mesmo Se conhece através de Sua potência interna, ó Pessoa Suprema, origem de tudo, Senhor de todos os seres, Deus dos deuses, Senhor do Universo!” (Bhagavad-gita, 10.15.)

Embora Krishna seja inconcebível pela especulação mental, aqueles aos quais Ele se revela podem conhecê-lo. Inicialmente, Krishna deu este conhecimento transcendental a Brahma, o primeiro ser vivo criado. Em seguida, Brahma transmitiu este conhecimento ao seu filho Narada, que o repassou a Vyasa, autor do Bhagavad-gita. Desta forma, o conhecimento foi transmitido do mestre ao discípulo, através de uma cadeia de sucessão discipular, chegando até os dias de hoje. Um mestre espiritual desta linhagem discipular é uma autoridade fidedigna acerca de Krishna. Ele é a pessoa certa, da qual se deve receber conhecimento transcendental.

O Que Dá Prazer a Krishna?

De acordo com estas autoridades espirituais, Krishna é o reservatório de todo o prazer e, portanto, Ele é todo-atrativo. No entanto, Krishna obtém prazer do serviço prestado por Seus devotos. Este serviço devocional atrai até mesmo a Ele. O próprio Krishna confirmou isto quando falava a um amigo, como está consignado no Srimad-Bhagavatam: “A Suprema Personalidade de Deus disse: Meu querido Uddhava, posso dizer-lhe que a atração que Eu sinto pelo serviço devocional prestado por Meus devotos é incomparável, mesmo que se realize yoga mística, especulação filosófica ou sacrifícios ritualísticos, estudos do Vedanta, prática de austeridades severas ou dar tudo em caridade. Por certo que estas são atividades muito piedosas, mas elas não são tão atrativas para Mim, quanto o serviço amoroso transcendental prestado por Meus devotos”. (Srimad-Bhagavatam 11.12.1.) Krishna é pleno de seis opulências: beleza, riqueza, fama, força, conhecimento e renúncia. Portanto, nenhuma opulência material pode atraí-Lo. Assim como um milionário não se sentiria atraído se alguém lhe oferecesse alguns poucos dólares, não se pode atrair Krishna simplesmente pela opulência material limitada. No entanto, o serviço devocional puro atrai até mesmo a Krishna. Esta é a excelência transcendental única do serviço devocional. Srimati Radharani é a personificação do serviço devocional puro. Ninguém pode ser um devoto mais elevado do que Ela. O próprio nome Radharani origina-se do termo sânscrito aradhana, que significa “devoção”. Seu nome é Radharani porque Ela suplanta a todos em devoção a Krishna. Embora Krishna seja tão belo que possa atrair milhões de Cupidos e, por esta razão, também seja conhecido como Madana-mohana, “aquele que atrai o próprio Cupido”, Radharani pode atrair até mesmo Krishna. Por esta razão, Ela é conhecida como Madana-mohana-mohini – “aquela que atrai até mesmo quem atrai o Cupido”. O mesmo Krishna que não se sente atraído por qualquer opulência material, acha Srimati Radharani irresistível. Certa vez, brincando com as gopis, as vaqueirinhas de Vrndavana, Krishna escondeu-se sob um arbusto, mas por fim elas O avistaram à distância. Em seguida, Krishna transformou-Se em sua forma de Narayana de quatro braços. Quando as gopis se aproximaram e viram Narayana, em vez de Krishna, elas não se interessaram por Ele; apenas a forma original de Krishna com dois braços atraía as vaqueirinhas. Assim, elas prestaram suas reverências respeitosas ao Senhor Narayana e rogaram que Ele lhes desse a graça da associação eterna com Krishna. Em seguida, partiram em busca de Krishna. Entretanto, quando Srimati Radharani passou por ali, Krishna tentou manter seu disfarce como Narayana, mas não conseguiu; ele voltou à Sua forma original de dois braços. Isto ilustra a grande influência do amor transcendental puro de Srimati Radharani. No Bhagavad-gita, Krishna diz que, a quem se rende, Ele retribui de acordo. Por esta razão, quanto mais Radharani tenta agradar a Krishna, mas Ele deseja dar-lhe prazer, desta forma aumentando o entusiasmo que Ela sente por acentuar o prazer dado a Krishna. Portanto, embora o Senhor seja ilimitado, Ele e Sua potência de prazer estão sempre crescendo. A bem-aventurança recíproca entre o Senhor e Sua potência de prazer está expressa nos passatempos transcendentais de Radha e Krishna, que são descritos detalhadamente no livro Krishna, A Suprema Personalidade de Deus, escrito Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Amor ou Luxúria – Qual é a Diferença?

O intercâmbio de amor entre Radha e Krishna é a essência do amor espiritual. Como Krishna é a origem de tudo, Ele também é a origem do amor. No mundo material, a atração entre rapazes e moças é um reflexo pervertido da relação essencialmente espiritual entre Radha e Krishna. Aqueles que pensam que podem ser felizes por meio do desfrute sexual material não conseguem compreender a relação entre Radha e Krishna; por outro lado, quando ouvimos um mestre espiritual fidedigno falar sobre Radha e Krishna, nossos desejos sexuais materiais desaparecem por completo. No mundo material, embora alguém possa declarar amor verdadeiro, interiormente o desejo real da pessoa é gratificar os próprios sentidos. Amamos alguém enquanto esta pessoa satisfaz nossos sentidos e, quando este prazer sensual arrefece, junto com ele também vai o chamado amor. Por esta razão, as relações amorosas terminam em separação ou divórcio. Contudo, os devotos puros de Krishna que estão na plataforma espiritual não têm desejos de dar prazer a si próprios. Eles desejam apenas dar prazer ao Senhor Krishna. Isto é amor verdadeiro e perfeito. Aquilo que conhecemos como “amor” no mundo material na verdade é luxúria, ou desejo de gratificar a si próprio. Este sentimento não tem uma base permanente; hoje em dia, eu amo uma moça, amanhã outra, de acordo com minhas fantasias volúveis. Na verdade, embora um rapaz e uma moça possam trocar de parceiros sexuais com tanta freqüência quanto os cães e gatos, em nosso idioma moderno que estão “fazendo amor” em suas relações sexuais, como se o atrito grosseiro de dois corpos quentes pudesse gerar amor. Falamos de amor com muita facilidade, mas neste mundo material realmente não há amor – tudo é luxúria. A diferença entre amor e luxúria é semelhante à diferença entre ouro e ferro. Ambos são metais, mas sob outros aspectos não têm qualquer outra semelhança. As almas condicionadas do mundo material geralmente estão equivocadas e frustradas no amor porque tentam obter prazer satisfazendo seus sentidos corporais materiais. Elas não sabem que são diferentes dos seus corpos. O corpo está em constante transformação – da infância para a juventude e daí para a velhice -, mas a mesma pessoa sempre está presente em cada corpo. Ela se identifica como americano ou inglês, judeu ou cristão, homem ou mulher, de acordo com seu corpo, mas a alma não é este corpo. Portanto, não importam os esforços envidados no sentido de tentar ser feliz gratificando as exigências do seu corpo, a pessoa jamais terá êxito. Assim como não se pode satisfazer um pássaro limpando sua gaiola sem o alimentar, não se pode satisfazer os sentidos físicos. Além disto, quanto mais o indivíduo tenta satisfazer os sentidos, mais crescem suas demandas. A indulgência não pode satisfazer seus sentidos físicos, assim como a gasolina não pode apagar um incêndio. Tentar aplacar as ansiedades com a gasolina da gratificação dos sentidos apenas provocará uma explosão. Portanto, ao tentar satisfazer seus desejos materiais de desfrute sensual, a pobre alma condicionada simplesmente intensifica seu desejo, mas não alcança a satisfação. A alma torna-se serva dos sentidos, trabalhando arduamente para satisfazer seus desejos ardentes, que nunca podem ser aplacados. Para encontrar prazer verdadeiro, a alma deve descobrir o verdadeiro amor – e para isto deve amar Krishna. Para sermos realmente felizes, devemos nos dedicar ao Seu serviço devocional. Este serviço devocional está sob o controle de Srimati Radharani. Ela é a deidade que governa o serviço devocional. Como é muito misericordiosa, os devotos aproveitam-se especialmente de sua natureza bondosa para conseguir servir a Krishna. Na verdade, embora raramente se consiga praticar serviço devocional puro, podemos conseguir isto muito facilmente pela graça de Srimati Radharani. O Bhagavad-gita confirma que aqueles que são verdadeiramente grandes almas (mahatmas) abrigam-se na energia espiritual (daivi prakrti) de Krishna, ou Srimati Radharani. “Sempre cantando minhas glórias, esforçando-se com muita determinação, prostrando-se diante de Mim, estas grandes almas adoram-Me perpetuamente com devoção” (Bg, 9.4). Este serviço devocional não é uma atividade do mundo material, mas é totalmente espiritual porque está sob o controle direto da energia espiritual de Krishna – Srimati Radharani. Para prestar serviço devocional, deve-se seguir os passos de Srimati Radharani realizando serviço devocional puro a Krishna, sem qualquer interesse por lucro material. No entanto, não se deve cultivar devoção apenas a Krishna. Ele não está completo sem Srimati Radharani, assim como o sol não está completo sem o brilho solar. Por esta razão, deve-se adorar Radha e Krishna, porque juntos Eles formam a Verdade Absoluta completa. Na verdade, a devoção a Radharani é melhor do que a devoção a Krishna. Em termos mais exatos, podemos adorar melhor a Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, através de Srimati Radharani, Sua energia de prazer supremo. Krishna afirma no Bhagavad-gita, “Se alguém Me oferecer, com amor e devoção, uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu as aceitarei” (Bg 9.26). Entretanto, em vez de oferecer uma flor diretamente a Krishna, é melhor oferecê-la a Srimati Radharani pedindo, “Minha querida Radharani, por favor, recomende-me a Seu Krishna”. Krishna é o controlador supremo, mas também está sob o controle da devoção pura de Srimati Radharani. Portanto, Krishna também é conhecido como “propriedade de Radharani”. Por esta razão, se alguém consegue agradar a Radharani, pode facilmente agradar ao Senhor Krishna. Srimati Radharani tem o aspecto de um maha-bhagavata, o mais elevado dos devotos. Desta forma, Ela vê a todos igualmente. Se alguém se aproxima d’Ela com o propósito de servir a Krishna, mesmo que esta pessoa seja a mais caída, Ela imediatamente confere sua misericórdia recomendando esta pessoa a Krishna: “Ó, Krishna, aqui está um devoto. Ele é melhor do que Eu”. Como Srimati Radharani está sempre absorvida em pensar em Krishna, Ela é muito querida por Ele. Por esta razão, a pessoa certamente será bem-sucedida, se tentar chegar a Krishna através de Radharani.

Como Podemos Aprender a Servir a Radha e Krishna?

Para aprender a servir a Radha e Krishna, primeiro a pessoa deve aproximar-se de um mestre espiritual fidedigno. Krishna tem duas energias – material e espiritual. A energia espiritual é plena de bem-aventurança e conhecimento eternos, enquanto que a energia material causa ignorância, miséria e morte. Embora todos sejamos originalmente espirituais, infelizmente agora estamos corporificados na energia material. Entretanto, devido à ilusão, não nos lembramos da nossa posição original, nem sabemos como voltar ao mundo espiritual. Por esta razão, Krishna desce pessoalmente a este mundo material para nos atrair demonstrando Seus passatempos transcendentais e proferindo a mensagem do Bhagavad-gita para nossa iluminação. Mas Krishna voltou à Sua morada há cerca de 5.000 anos. Isto significa que não podemos mais chegar a Ele? Não. Em sua ausência, podemos abordá-lo por meio do Seu representante, o mestre espiritual. O mestre espiritual é a encarnação misericordiosa de Deus. Como Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, é difícil chegar até Ele. Contudo, como Ele também é muito compassivo e movido por Sua compaixão, Krishna dá poder aos Seus devotos puros para trazer as almas caídas e esquecidas de volta ao lar, de volta ao Supremo. Srimati Radharani, a contraparte feminina e compassiva do Senhor Krishna, representa Sua natureza piedosa. Por esta razão, o mestre espiritual, que desce compassivamente ao mundo material para o bem das almas caídas, é considerado um representante de Srimati Radharani. Pela misericórdia do mestre espiritual, pode-se obter a misericórdia de Krishna. Não há meios alternativos para se alcançar o sucesso. Sem a misericórdia do mestre espiritual, não se pode fazer qualquer progresso em serviço devocional. Esta é a opinião de todas as autoridades fidedignas sobre a vida devocional. O mestre espiritual treina seus discípulos de tal forma, que eles possam libertar-se do cativeiro da consciência material, dedicar-se ao serviço devocional e desenvolver gradativamente amor puro por Deus. O mestre espiritual tem a responsabilidade de engajar cientificamente cada discípulo numa atividade prática. Diante dos diversos caminhos disponíveis para alcançar a realização espiritual, precisamos da orientação experiente de um mestre espiritual fidedigno para entender qual deles deve ser seguido para realizarmos progressos reais em direção à meta suprema. Na era em que vivemos, o processo mais recomendado para atingir a perfeição é cantar o mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Krishna e Rama são nomes do Senhor e Hare é o vocativo de Hara, a potência de prazer do Senhor – Srimati Radharani. Como almas espirituais, somos originalmente energia espiritual, mas de uma forma ou de outra caímos neste mundo material de nascimentos e mortes. Contudo, quando nos abrigamos na energia espiritual suprema, Srimati Radharani, voltamos à nossa posição original feliz. Radharani é a potência que dá prazer transcendental a Krishna. Quando a misericórdia desta potência é derramada sobre uma entidade viva, ela desenvolve amor por Deus e desta forma obtém o prazer mais elevado – e também pode distribuir este prazer aos demais. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada introduziu este processo de cantar os santos nomes nos países do ocidente e, agora, isto se espalha por todo o mundo. De acordo com suas palavras, “O cantar é exatamente como o choro de uma criança chamando por sua mãe. A mãe Hara [Srimati Radharani] ajuda o devoto a obter a graça do Pai, e o Senhor revela-Se ao devoto que canta sinceramente este mantra”.

Fonte: http://pt.krishna.com

sábado, 19 de março de 2011

"CONSCIÊNCIA"


TODAS AS GLÓRIAS A SRILA PRABHUPADA!

Quando comecei a escrever, não pensei que este trabalho ficaria tão longo, mas quanto mais escrevia e lia, mais vontade de compartilhar o turbilhão de bons pensamentos que tinha crescia, espero que todos apreciem, e tenham a paciência de acompanhar estes ensaios do inicio ao fim, pois quero muito saber de vocês, o quanto valeu a pena, e o que poderemos compartilhar a partir das reflexões que carinhosamente quero apresentar a todos os vaisnavas, que sei é a melhor companhia que posso ter.

Dedico estas reflexões ao meu guru, e ao meu esposo que sempre me ilumina e inspira no caminho devocional...

Nos últimos dias tenho pensado muito a respeito de alguns assuntos, devido a tudo que vamos vendo acontecer com as pessoas que estão ao nosso redor, e com as escolhas que essas pessoas fazem para si mesmas.

Desde que entrei no movimento, procuro fazer uma análise bastante minuciosa de muitos aspectos que conheci, me surpreendi, reconheci, e adotei como minha forma de vida. A própria nomenclatura, “movimento para consciência de Krsna”, é pra mim já é um tema que aborda inúmeras questões, e analisando as palavras em si podemos tirar muitas conclusões:

Movimento: algo que não está parado está indo rumo, a outro algo...
Consciência: bem este é bastante extenso e vou querer falar um pouco a respeito. Porém uma definição bem basiquinha, seria “aquilo que se tem clareza”, por isso existe a expressão: “trazer à luz da consciência”. Sim porque ela ilumina e você toma conhecimento dos fatos...
Krsna: bem o nome Krsna, tem bons resumos de seu significado no Srimad Bhagavatam..., não vou me ater em descrever agora, pois temo que essas considerações fiquem bem extensas.

Reflexões soltas podem não significar muito, então temos que ter a destreza de cruzar as informações, e podemos então, ter ótimas conclusões sobre o termo: “movimento para consciência de Krsna”.

Consciência, cada um tem a sua, e é mais pessoal e intrasferível do que cartões de créditos (rsrs), assim como cada um tem sua individualidade e os sastras nos ensinam que esta é eterna! Veja essa passagem:

Srimad Bhagavatam 10.27.11 – Significado – segundo parágrafo:
“A expressão visudha´jnana-murtaye é muito significativa. Murti quer dizer a forma da Deidade, e aqui se afirma especificamente que a forma do Senhor é ela mesma consciência cem por cento pura. A consciência é o elemento espiritual primário, distinto de qualquer dos elementos materiais e distinto de qualquer elementos materiais sutis ou psicológicos – mente, inteligência e falso ego mundanos – que não passam de cobertura psíquica da consciência pura. (...)

Agora temos também a questão do inconsciente, individual e coletivo, temos, nossa sociedade, cultura, padrões de comportamento, que podem ser os mais íntimos, estipulados pela família, mas que ainda é dosado de uma regente mais forte derivada do grupo que se pertence (ou quase pertence, devido a antepassados), social, econômico, cultural, religioso, etc. E aqueles mais externos e comum a todos, padrões morais, também derivado das mesmas fontes já citadas.

Então, pensando em tudo isso, e pensando que tudo isso são as camadas que compõe cada um de nós e se sobrepõe sobre nossa consciência original e pura, como pesados arquivos, que vão tornando turva essa luz original, colocando-nos em contato com os modos da natureza, e criando uma variedade incontável de situações e ações, e os incontáveis frutos das mesmas...

Pois bem, só me respaldei com todo esse blábláblá, para partirmos do pressuposto, que muitas coisas que acreditamos, e que muitas formas pela qual agimos, estão inseridas em nós desde tempos imemoriais, pois cientificamente os psicólogos reconhecem toda essa carga de informações que descrevi acima, e só divergem no ponto em que uns acreditam que essas informações sejam relacionadas a uma vida e suas ligações de parentesco e sociedade, e outros, como nós, bem sabem que não só uma vida, mas muitas estão acumuladas em nossa “caixa preta.”

Levo muito a sério essa história de conscientização, existem campanhas de conscientização disso, daquilo, daquilo outro...Mas você já viu campanha de conscientização de si mesmo? Isso acontece de alguma forma dentro dos consultórios de meus colegas, mas o convite mais especial que já recebi, foi mergulhar nas verdades que encontrei “no Movimento para Consciência de Krsna”

Quem se torna consciente de si, descobre suas capacidades e limitações, aprende a lidar melhor com suas próprias escolhas, pois tem um vislumbre melhor de suas conseqüências. Alguns termos da psicologia são bem conhecidos, um deles é a individualização, um termo junguiano que tem como proposta e definição o seguinte:

“Tornar-se um ser único, na medida em que por “individualidade” entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável. Nos tornarmos o nosso próprio si mesmo, o realizar-se do si mesmo”.

Ta difícil, entender? Encontrou alguma semelhança em nossos propósitos na consciência de Krsna?

É certo que, estaremos com Krsna quando realizarmos nossa consciência original, nossa consciência pura, nossa auto-realização, ok?

Então pensemos um pouco a respeito do que recobre essa consciência pura, e depois falaremos um pouco sobre individualismo, que nada tem haver com individuação!

Como podemos estar mais em contato com esta consciência?

Bem, sabendo o que a recobre, devemos então adotar uma postura de adotar comportamentos que a “descubra”. Temos inúmeras afirmações nos sastras que é somente através do serviço devocional que podemos nos purificar, que podemos nos auto-realizar.
No Bhagavad-gita podemos notar no capítulo dois, quando Krsna descreve a alma Ele usa uma descrição a partir de negações, não molha, não pode ser cortada, não more, não nasce...isso porque quando temos algo que é muito difícil de ser descrito, dentro dos parâmetros de conhecimento dos ouvintes, temos que usar termos que sejam conhecido por estes! Então, para Arjuna e para todos nós, Krsna descreveu a alma, a partir do que ela não é, para que pudéssemos a partir disso tentar imaginar como ela é. Podemos então usar a mesma linha de raciocínio para tentar vislumbrar a consciência pura, “descoberta”, de tais impurezas.


Observemos então algumas negações, a consciência pura:
Ela não interage com os modos da natureza material! (Então quer dizer que ela age dentro de uma atmosfera espiritual, correto?)

Ela não está filtrada pela inteligência; nem pela mente, e nem fica subjugada pelos sentidos.

Também não está sob os ditames do falso ego.

Conseguimos então imaginar o que está contido nesta consciência e como ela opera? Bem agora posso me remeter ao verso do Bhagavatam que citei o significado no início deste ensaio, então ele diz:

“A Ele que assume corpos transcendentais segundo os desejos de Seus devotos, a Ele cuja forma é a própria consciência pura, a Ele que é tudo, que é a semente de tudo e que é a Alma de todas as criaturas, ofereço minhas reverências. S. Bhag. 10.27.11

Mais outra referencia:
“O modo da bondade, que é claro e sóbrio status de compreensão da Personalidade de Deus e que geralmente é chamado vasudeva, ou consciência, manifesta-se no mahatattva.”

“Após a manifestação do maha-tattva, esses aspectos aparecem simultaneamente. Assim como a água em seu estado natural, antes de se misturar com a terra, é clara, doce e serena, da mesma forma, os traços característicos da consciência pura são plena serenidade, clareza e ausência de confusão. S.Bhag. 3.26.21-22.

Muito bem, segundo a psicologia analítica, Carl Gustav Jung propõe que a individuação, o caminho para o self, verdadeiro eu, como já mencionado neste texto, não pode ocorrer sem que se proponha “um encontro com o divino” , e que a totalidade de um indivíduo, com toda certeza, deve incluir o que está contido em sua alma. Diz ainda que experimentar o “eu verdadeiro e vivenciar o si mesmo, é a meta mais nobre da yoga indiana, nós devotos sabemos bem qual é a meta desta “yoga indiana”, pena Jung não ter descoberto bhakti, pois fundamentaria ainda mais suas observações...

Fiz essa divagação sobre Jung apenas para situar minhas reflexões sobre a consciência e a possibilidade que temos de nos encontrar de fato com este estado puro, visto que até mesmo dentro dos consultórios dos meus colegas, onde a campanha de conscientização de si mesmo acontece, a proposta de subjugar os maus hábitos, colocar a mente em obediência e despir-se do falso ego, que Jung nomeia de persona, é uma possibilidade totalmente existente. Então pensando nas propostas de bhakti, subjugar todas essas camadas também nos é muito possível.
Para mim é importante dizer, que a proposta reflexiva deste texto não é fazer uma apologia de “devoto puro já”, mas sim de caracterizar as possibilidades de melhorarmos a qualidade de nossa vida devocional, para gradualmente, atingirmos o destino e misericórdia que Krsna quiser nos prover, isso é muito importante.

Gostaria de me adentrar sobre os vários aspectos de bhakti, discorrendo sobre sua independência, sobre sua supremacia e sobre todos os benefícios que está contido em se cultivar sua semente. Mas preciso me ater na proposta de pensar sobre as camadas da consciência que são os grandes impedimentos desta situação. E todas as descrições de bhakti e seus benefícios excelentes, que bem sabemos, são completamente descrita nos sastras que estão facilmente ao nosso alcance, tais como o Srimad Bhagavatam, o Néctar da devoção, entre outros.

Bem pensando nas negações levantadas, que descrevem “aquilo que a consciência pura não é” precisamos então começar nos valer de algumas afirmativas. Começarei com esta que diz: “A ciência da bem aventurança transcendental é conhecida pelo devoto puro. Portanto, o devoto puro sempre se ocupa em aumentar a felicidade transcendental do Senhor”. S. Bhag. 9.4.64 (ultimas linhas do significado).

Pois bem, muitas vezes ouvimos dizer que tudo o que precisamos fazer é seguir os passos dos devotos puros, e que seguir não é imitar. Esta distinção entre seguir e imitar precisa estar perfeitamente clara para nós, para que possamos construir nossa identidade devocional, Se estamos num caminho de auto-conhecimento, é certo que a imitação jogaria “muita areia” em nosso processo que depende de clareza, clareza de si mesmo.

Então podemos ter muito apoio nos sastras em saber como podemos construir nossa jornada, quais são as atividades que nos trará benefícios e quais são aquelas que podem nos afastar de nosso objetivo. Atitude simples de estudar as escrituras com o pensamento de que precisamos achar respostas para nossas indagações mais intimas, de como operamos, no nosso mais profundo jeito de ser, pode contribuir muito. Apoiar-nos como uma pesquisa, onde precisamos descobrir como agir.

Quem não gostaria de saber como agir diante da diversidade de propostas que o mundo material traz aos nossos sentidos? Quem não gostaria de saber se de fato está no caminho certo, ou se novamente está sendo enganado por desejos inconscientes camuflados de “serviço devocional”?

Podemos pensar, todos nós gostaríamos.

Então neste momento precisamos, verdadeiramente, entender que Krsna está contido em tudo e nada acontece sem Sua permissão.
Precisamos lembrar que ele sempre age a favor de Seu devoto, e que Sua promessa é de que jamais iremos perecer
(BG 9.31)

Para encontrar pureza, para fazermos limpezas, dependemos de coisas limpas, naturalmente. E uma boa porta para atingirmos nossa consciência pura, é usarmos a inteligência, porém ela também está sob influencia material, mas o processo de desenvolver inteligência pura está mencionado no Srimad Bhagavatam 10.40.7 e diz:
“...aqueles cuja inteligência é pura, seguem os preceitos das escrituras vaisnavas promulgadas por Vós. Absorvendo suas mentes em pensar em Vós, eles Vos adoram como o Senhor Supremo.

É certo que através do uso de nossa inteligência poderemos nos ajudar em muito, pois ela sempre nos ajuda a distinguir o certo do enganoso, mesmo que ainda intimamente possamos traçar vários acordos com nossa mente pra disfarçar o enganoso de certo!


Oportunamente, quando estava construindo esse texto, na altura em que já tinha feito toas as citações de Jung e concluído aquela primeira parte, ouvi uma aula do prabhu Giridari das, que fez menção a uma velha instrução de Srila Acaryadeva que consiste em convidarmos Krsna para as atividades que fazemos, e se sentirmos vergonha de convidar Krsna para uma delas, certamente é por que não deveríamos fazê-la, isso veio bem a calhar para resumir bem o que quero dizer no campo de atividades e partirmos para outro rumo desta interminável análise, rsrs (espero que estejam gostando).

Falemos então um pouco de nossas corriqueiras ilusões sentimentais. Kalya sabiamente diz a Krsna: “...Ó meu Senhor, é tão difícil para as pessoas abandonar sua natureza condicionada, devido à qual elas se identificam com o que é irreal”. S. Bhag. 10.16.56
E ainda assume a posição ideal de um devoto rendido a Krsna e diz: “Ó senhor já que sois onisciente Senhor do Universo, sois a verdadeira causa da libertação da ilusão. Por favor, providenciai para nós qualquer coisa que considerais conveniente, seja misericórdia seja punição.

A partir disso quero levantar alguns pontos comportamentais, que exemplificarão bem como as camadas de nossa consciência encobre nossa coragem de ter essa postura que Kalya teve, e muitas vezes, quando nossa zona de conforto é destruída, passamos a indagar Krsna, ou seus devotos, ou o templo que servimos, ou ainda o órgão administrativo responsável por este grupo qual pertencemos. Vagando por todos os cantos possíveis, tentando descobrir as causas dos efeitos quais estamos sujeitos, os responsáveis, e os que falharam no propósito de nos proteger e amparar, mas esquecendo-nos do principal: nosso eu, nossa parcela de arbítrio livre, sempre agente, ou simplificando, nossa própria atitude, que externamente poderia estar bem calçada, mas internamente em sua raiz contém sua verdadeira intenção, correspondente sem exageros portanto, a sua exata reação!

“Ofereço minha reverências a Vós, que, como a Alma Suprema de todos os seres, testemunhais, com visão livre de preconceito, a consciência de todos. (...)” S.Bhag. 10.40.13-14

Então, não é de nossa escolha revelar nossa mente à Krsna, mas Ele deixa por nossa conta, as atitudes que tomaremos, ou refrearemos em prol de algo melhor ou pior, constantemente. Tão somente para si mesmo, para o outro ou para um grupo todo de pessoas, conforme variar a necessidade de nosso falso ego em vislumbrar nossas capacidades perante todos, sejam com boas ou más atitudes, por isso apenas o serviço devocional imotivado é que pode colocar-nos mais próximos de atividades constituídas de pureza.

Agora quero levantar alguns pontos atitudinais práticos, para que este ensaio não pareça somente um aglomerado de pontos filosóficos, vamos então tomar como referência alguns padrões comportamentais, que são talvez os mais arraigados em nossa consciência, os mais fáceis de reconhecer, e nem por isso os mais fáceis de serem suplantados.
Isso porque de tão sutis, parecem naturais, e sua própria natureza é que sejam imperceptíveis, para que possam se vestir de verdade em cada “esquina” de nossa mente, assim cada rua que percorrermos dentro de nós ele está lá, pronto para nos dizer como agir.

Primeiro quero falar do sentimento de paternalismo. Bem, é aquele sentimento que todos nós temos de sempre esperar que alguém forte e poderoso nos proteja, muitas vezes de nosso próprio mal. Desde crianças, aprendemos nos desenhos, nos contos, por várias formas de mensagens, que existe um bem e um mal. E por mais mal que exista, nunca pode ser superado pelo bem. Até aqui sem problemas...
O problema começa, da forma que esse bem é apresentado, grandes guerreiros nunca são humanos, são sempre dotados de super poderes que resolvem super-problemas. Isso pode parecer muito inocente, porém contem todos os símbolos necessários, quais nos farão recorrer na vida adulta, atrás desse “grande herói” que nos proteja...
E isso acontece para todas as meninas, empanturradas de histórias de princesas indefesas, que só podem viver sob a misericórdia de seu infalível príncipe. Porém isso é válido para os meninos também (e nem deixem seus falso-egos masculinos me contradizerem). Os meninos, então feito homens, precisam ser estes guerreiros que darão conta de qualquer mal, nem que seja por sua princesa, ou por sua própria reputação masculina.

Então na luta pela falsa identidade vale tudo, carrões, dinheiro, posses diversas. Grupos reconhecidos e seguros, bem administrados, de preferência com administradores excelentes, e infalíveis, principalmente no aspecto de proteção aos seus membros. Temos também a situação de devotos exemplares que nunca falham...

As meninas agora mulheres, precisam negar a necessidade deste príncipe que revelará toda sua fragilidade e a colocará em risco, já que perceberam que a vida é um tanto que diferente dos contos de fadas e os príncipes não são lá tão confiáveis assim...Então muitas vezes tentam dar conta do recado sozinhas, em todos os âmbitos de sua vida. Mas tudo isso daria sem dúvida um outro extenso ponto de análise, só quero que pensem nessas referências para continuarmos entendendo as camadas que encobrem a consciência. Então vamos lá.

Um feliz dia das mulheres atrasado! rs Que esse dia nos sirva para nos afastar de nossas identificações e nos aproximar de nossa integridade como eternas servas de Krsna.
Obrigado a todos que tem acompanhado e conversado comigo a respeito, logo divulgarei a última parte deste trabalho, esperando contribuir..


Então vamos para a última parte deste trabalho, obrigado a todos que chegaram até aqui!

Outro ponto quase que completamente inseparável do paternalismo é o amor romântico, que nos ensina também desde crianças, nas leituras pra ninar, aliás, momento excelente de se guardar bem subliminarmente as informações da história. São também sempre bruxas terríveis, culpadas de tudo, moças totalmente inocentes e rapazes virtuosos que destroem o mal, dando vida a suas dependentes mocinhas... O famoso e terrível “felizes para sempre”, que quando crescemos, não existe em canto algum deste mundo.

Mas de tanto ouvir, até os sastras prescrevem esta atitude como fundamental, acabamos que guardando em algum lugar de nossa consciência que uma situação perfeita é possível...
“Eu já ouvi isso m algum lugar”...eis que ressoa uma voz lá no fundo, baixinha e distorcida talvez, mas que nos faz ir sempre em frente esperando de todos os humanos falíveis aquilo que deveríamos esperar de Krsna.

Esperamos que nossos amigos, jamais se contraponham as nossas bandeiras;
Esperamos que nossos cônjuges atendam todas as nossas exigências, românticas, materiais, espirituais, sejam bons pais ou mães, compreensivos (as), amigos (as), de preferência sem nenhuma atitude que consideremos defeituosa, feia. Que nunca nos magoe, que nunca nos decepcione, enfim, que sejamos felizes para sempre.
E aí podemos nos apoiar em bons psicólogos, ou mesmo alguma vizinha, que nos diga as frases mais seguras deste mundo:
“que sejamos felizes enquanto dure”, “o importante é ser feliz” (mesmo que para isso cometamos atrocidades contra si ou contra outrem), enfim, muitas filosofias que fortalecem o ego e nos afasta mais um pouquinho da verdade de nós mesmos, e o que dirá da Verdade Absoluta.
Esperamos que qualquer grupo qual façamos parte, seja responsável por qualquer coisa que nos aconteça, e na hora em que eu não souber mais como agir, as forças coordenadoras deste grupo responda por nós e nos proteja. Então temos o quadro, onde o gerente é o culpado, a empresa não presta. Ou os líderes não estão desempenhando bem os seus papéis...

Quanto esforço para nos distanciarmos da simples pergunta: “o que fiz para merecer tal situação?”

Então acontecem as inimizades, os divórcios, e as mudanças de grupos, políticos, administrativos, religiosos, etc.

E passado um tempo, estamos novamente elegendo novos culpados para nossos velhos fracassos, mascarados de novas situações, quais nunca havíamos passado e perplexos não sabemos como agir.

Pois bem, cansados disso tudo, muitas vezes confusos, esperamos de Krsna o que devíamos esperar das pessoas, e considerando Ele um ser humano comum, incapaz de ouvir nossas súplicas perdemos nosso bem mais precioso, nossa fé!

Porém ainda antes deste último estágio, podemos percorrer um longo caminho, felizes quando tudo vai bem, e fracos quando tudo vai mal, procurando os culpados, brigando e blasfemando, pessoas que antes sentíamos afeição.

Infelizmente, esses são alguns padrões comportamentais, que podem existir em cada um com mais ou menos força, dependendo de sua história de vida e dos reforços que obtiveram diante de cada um desses padrões. Observem que só assinalei dois padrões, existem muitos outros, mas creio eu, esses são os mais confusionais, esperar proteção de quem não pode dar, confundir amor, com demonstrações eternas de perfeição comportamental, e fazer inúmeras exigências intercalando os dois padrões, a saber, paternalismo e amor romântico.

O fato é que nos é muito comum confundir de que lado estão as coisas, visto que este mundo é um reflexo pervertido do mundo real e absoluto. Somos como uma criança, que de frente ao espelho fica confusa onde é sua esquerda e sua direita, embanando-se toda com sua lateralidade.

Se apenas dois de inúmeros padrões, que podemos considerar as tais camadas que recobrem nossa consciência podem causar tantos conflitos, imaginem nossa mente, consciência e inteligência, que vagueiam por vidas e vidas, completamente influenciadas pelos modos da natureza, criando e recriando corpos que aparentemente atenderão nossas necessidades, num infinito ciclo que nos separa de saborear a canção nectária da flauta de nosso amado Menino...

A austeridade para se conseguir uma consciência mais pura, é com certeza se conhecer, saber identificar quando nasce em nós um pensamento que em absoluto nos coloca mais próximos de Krsna, de seus servos, que podem nos trazer toda bem aventurança, ainda que seja a bem aventurança de queimarmos todas nossas más atitudes, para avançarmos. Feliz daquele que percebe que seus males não são derivados de outrem, mas de si mesmo, assim como sua felicidade também é sua total responsabilidade. Este é o devoto que nunca será inflamável, rs.
“Toda criatura nasce sozinha e morre sozinha, e sozinha experimenta as justas recompensas de suas boas e más ações.” S. Bhag. 10.49.22

Krsna, em seu passatempo da colina de Govardhana, age como um pai para Indra, ensinando corrigindo, fazendo reconhecer o erro, superar o orgulho e desculpar-se.

No passatempo de Kalya, dança sobre sua cabeça, até que Kalya baixe seu orgulho e reconheça a supremacia do Senhor.

Oremos a Krsna que sejamos capazes de suportar as purificações que nos estejam previstas, já que somos incapazes de parar com as ofensas, mas lembrando sempre que perto de Krsna estamos do lado seguro da vida! (Ver S. Bhag.10.1.7)

Que possamos escancarar nossa consciência para Krsna se mover a vontade nela, e iluminarmos tudo que seja benéfico para o movimento desta ao encontro dEle, que como já mencionado é a própria consciência pura.

Os passatempos de Krsna, não são apenas para nos mostrar Sua supremacia, mas também para nos encher de instruções, para nos tornarmos pessoas que possam acessar Sua misericórdia, Seu favor transcendental, aprendendo como agir. Penso que ao glorificarmos os passatempos de Krsna, em grandes festivais, temos uma bela oportunidade também para glorificar toda instrução contida, para sempre avançarmos.

Lendo, estou sempre me entusiasmando de compartilhar reflexões com os devotos, e por muitas vezes ver situações aparentemente confusas, onde os devotos exprimem suas opiniões, gritam por justiça, se dividindo em partido da vitima e partido do vitimizador, foi que me encorajei de escrever tudo isso.
Penso, como nós personalistas, ainda podemos às vezes considerar que algo não esteja nos planos de Krsna, como algo possa não estar sob Seu pleno controle?
E uma passagem do Bhagavatam, que levou minha reflexão ao auge, foi a seguinte:
“Há um ditado que diz: “Poupe a vara e estrague o filho”. Isto é um fato, e na realidade uma misericórdia de Deus, que Ele se dê ao trabalho de retificar nosso mau comportamento, embora os incrédulos critiquem a vigilância paternal do Senhor”. (S. Bhag. 10.27.6 – ultimas linhas do significado.)

Tudo depende da consciência de cada um, quando o Senhor apareceu como Nrsinhadeva, Prahlada viu a proteção, e se pai viu a morte certa.

Finalizo, com um comentário que pode nos render muitos outros diálogos, voltando a pensar nos padrões comportamentais, eles podem ser facilmente neutralizados com conhecimento verdadeiro.
Existe um herói, um amante, um príncipe, um chefe de família, onde podemos concentrar toda nossa sede de justiça, esperança e proteção. Existe um herói, que é bom filho, não decepciona as namoradas, nem as esposas, nem os amigos. Ele tem super poderes, resolve super problemas, é o reservatório de todo prazer. E a melhor parte da história é que quanto mais crescemos, mais descobrimos que Ele existe de verdade!!!
Leia Krsna para si mesmo, leia Krsna para as crianças, sejam seus filhos ou não, dê esperança verdadeira para as pessoas e erradiquem o medo que nos fazem cometer tantas tolices!

Que essas palavras purifiquem a minha consciência e de todos os vaisnavas que leram meu ensaio até aqui! Obrigado.

Com imenso desejo de servir,


Gopali devi dasi (PS)