sábado, 20 de novembro de 2010

"O CONTROLADOR SUPREMO"


O que segue é parte de uma palestra de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, o acharya-fundador da ISKCON e da BBT, proferida na cidade de Los Angeles, no dia 29 de abril do ano de 1970.


“Tudo, animado ou inanimado, que existe dentro do universo é controlado e possuído pelo Senhor”. – Isopanisad, mantra 1

Em algum lugar deste universo, alguém não é controlado? Alguém pode dizer que: “Eu não sou controlado”? Ninguém pode dizer. Assim, se você é controlado, por que você se declarará: “Não sou controlado. Sou independente. Sou Deus”? Por que este disparate? Se você for controlado... Deus, isso significa que Ele é controlado? Eles estão alegando que “sou Deus”. Existe algum significado? Se sou controlado, então como posso me tornar Deus? Isto é questão de bom senso. Portanto, esta filosofia mayavadi, de que: “Todos são Deus. Eu sou Deus, você é Deus...”. Assim como o outro, que estava falando, aquele Meher Baba... Sim. Que, ele estava falando: “Eu sou Deus, você é Deus”. Assim, Deus jamais é controlado. Se alguém é controlado, imediatamente ele não é Deus. Isto é uma definição simples, que Deus não é controlado. Se alguém alega ser Deus, então, a pergunta que vem antes de tudo: “Você é controlado ou não controlado?”. Bom senso. Ninguém pode dizer que não é controlado. Vi um patife; ele tem uma sociedade e ele está pregando isto, que: “Sou Deus”. Mas, um dia, eu o vi, ele estava com dor de dente, e ele estava fazendo: “Ohhh”. (risos) Então, eu perguntei a ele que: “Você alega ser Deus, e, agora, você está simplesmente sob o controle da dor de dente. Assim, que tipo de Deus você é?”. (risos) Vejam. Então, essas sociedades, aqueles que estão alegando que: “Sou Deus. Você é Deus. Todos são Deus”—Deus tornou-Se algo tão barato que todos são Deus—, você deve imediatamente saber que ele é o patife número um. Imediatamente. Tão logo ele diga: “Sou Deus”, você tem que saber que: “Aqui está o patife número um”.

Assim, ninguém é livre de controle. Agora, muitíssimos planetas imensos, planetas gigantescos... O planeta Terra é apenas... É um planeta pequeno e diminuto, e, ainda assim, você verá que, neste planeta, há muitos grandes oceanos, como o Atlântico e o Pacífico, e muitas grandes montanhas, e o que dizer de seus arranha-céus. Com toda esta carga, ele está flutuando no ar tal qual um chumaço de algodão. Quem está controlando? Você é capaz de fazer flutuar mesmo que um pequeno grão no espaço? Você pode dizer “lei da gravidade” e muitíssimas outras coisas, mas você não pode utilizar isso. Ou você pode colocar no... A máquina de vocês, o avião, está correndo no espaço—mas enquanto a máquina está funcionando. Tão logo sua gasolina acabe, imediatamente ele cai. Imediatamente. Mas esses planetas imensos... Este é apenas um dos pequenos. O planeta Sol é um milhão e quatrocentas mil vezes maior do que este planeta. Assim, isso também é... Podemos ver que o sol está flutuando em uma esquina deste grande espaço. Assim, como você pode dizer que ele não é controlado; ele está flutuando por si só? Não. A resposta está ali no Bhagavad-gita, que: “Entro nestes planetas materiais, e, então, Eu os mantenho flutuando”. Gam avisya aham, dharayamy aham ojasa. Dharayamy aham ojasa. Algo fa... Assim como você flutua este avião; então, alguém entrou nele, aquele motorista ou piloto. Assim, na verdade, ele está mantendo esse avião a voar, não a máquina. Isto é uma verdade simples. Então, se você adota esta analogia, então este planeta está flutuando, tem de haver alguém entrando aqui. Alguém tem que ter entrado. Assim, Krishna diz: “Eu entrei”. Então, qual é a dificuldade de compreender como ele está se mantendo a flutuar? A analogia está aí. Todos podem compreender que este grande avião está flutuando no céu porque o piloto entrou nele. Similarmente, se este planeta está flutuando, então alguém, quer você, quer alguém, Deus, entrou nele. E a resposta está lá no Bhagavad-gita, que: “Eu entro nestes planetas e, portanto, mantenho-os flutuando”. Esta é a nossa resposta. E os cientistas, eles dizem que a lei de gravitação... Até onde isso é verdade...

Você Pode Me Mostrar Deus?

Mas temos que nos beneficiar com Krishna. O nosso processo é este. Não aceitamos nenhum outro processo de conhecimento. O nosso conhecimento é receber o conhecimento da autoridade, e isto é fato. Isto é conhecimento de primeira classe. Se você pega uma autoridade que pode falar sobre a temática, e se você pega esse conhecimento, isso é perfeito. Há três tipos de processos para receber conhecimento. O primeiro: Acreditamos na percepção sensorial direta, pratyaksa. Assim como alguém diz: “Você pode me mostrar Deus?”. Isto significa que eles são pratyaksavadis. Eles querem ver tudo diretamente, experienciar tudo diretamente. Essa classe de homens diz que: “Você pode me mostrar Deus?”. Mas isso não é conhecimento de primeira classe. Suponha que você me pergunte: “Você pode me mostrar Deus?”. Eu digo: “Sim, eu posso lhe mostrar Deus”. “Mostre-me”. “Irei lhe mostrar. Então, isto é Deus”. Você acreditará nisso? Suponha que você está me pedindo: “Você pode me mostrar Deus?”. Eu digo: “Sim, posso lhe mostrar”. “O que é esse Deus?”. “Aqui está Deus”, eu digo. Então, você aceitará isto, que este microfone é Deus? Qual é a resposta? Huh? Por que não? Se você me perguntar: “Você pode me mostrar Deus?”, eu mostro qualquer coisa, o que quer que eu queira: “Sim, aqui está, Deus...”. Ou, por que Deus? Suponha que você vá uma loja. Então, você pede algo: “Você pode me dar ouro?”. Ele lhe dará um pedaço de ferro: “Sim, aqui está o ouro. Pegue”. Então, o que você dirá? Qual será a resposta? Huh? Se você pedir... Você vai a um lojista. Você não sabe onde comprar ouro, mas você precisa de ouro, e você vai a um lojista e pede a ele: “Você tem ouro em estoque?”. Assim, ele imediatamente compreenderá que ali está o patife número um, porque ele foi comprar ouro em uma loja, loja comum. Se alguém tem que comprar ouro, ele tem que ir onde se vende ouro. Mas ele foi a uma loja comum para comprar; portanto, ele é um tolo de primeira classe. Assim, portanto, ele tentará enganá-lo: “Aqui está o ouro”. Ele dá um pedaço de ferro. Então, o que ele dirá? Ele aceitará o ferro como ouro? Huh? Por que não? Ele não sabe o que é ouro, e ele foi a uma loja para comprar isso, e ele lhe dá um pedaço de ferro: “Aqui está o ouro”. Assim, ele irá comprar. Ele será enganado. Similarmente, aqueles patifes que dizem que: “Você pode me mostrar Deus?”, eles, portanto, têm que saber o que é Deus; do contrário, ele será enganado. Isto está sendo feito.

Assim, se você quer comprar ouro, você precisa, pelo menos, ter algum conhecimento preliminar do que é ouro. Características. Assim como, no laboratório de química, eles testam. Suponha que, na farmácia, ou... Esta é a lei do governo, que, o que quer que você aceite, produtos químicos ou drogas, você tem que testar, e as características testadas são declaradas ali. Assim como bicarbonato de sódio: a cor é assim, a constituição é assim, a reação é assim, o sabor é assim. Deste modo, o químico no laboratório corrobora a característica, então o aceita: “Sim, isto é bicarbonato de sódio”. Similarmente, se você quer conhecer Deus, ou se você quer ver Deus, então a primeira coisa é que você tem que saber quais são as características de Deus. Do contrário, se você for a outro patife e lhe solicitar: “Você pode me mostrar Deus?”, e ele lhe mostra algo disparatado e você aceitar isso como Deus, isso é algo muito bom? Isto continua. “Quero ver Deus”. Que qualificação você tem para ver Deus? Ele não considera sua qualificação, que: “Será que posso ver Deus?”.

O Processo para Conhecer Deus.

Assim, nós não ensinamos tais coisas baratas. Este é o nosso programa. O movimento da consciência de Krishna não visa apresentar algo disparatado e apresentar algo barato. Se você quer ver Deus simplesmente face a face, não ficção, então você tem que seguir as regras e regulações, você tem que cantar, você tem que se purificar. Então, gradualmente, svayam eva sphuraty adah. Você tem que esperar. Chegará o momento. Quando você estiver purificado, você verá Deus. Não que, imediatamente, na sua presente posição. Mas Deus é tão amável, Krishna é tão amável, que, mesmo na sua presente posição, Ele está presente, arca-vigraha. Ele está aberto a ser visto por todos, quer saiba, quer não saiba o que é Deus. Esta arca-vigraha não é ídolo; não é imaginação. Eles são... O conhecimento é recebido dos acharyas superiores. Brahma-samhita: venum kvanantam aravinda-dalayataksam [Bs. 5.30]. A descrição está presente. Assim, saber Deus, se você segue isso... Imediatamente, por seus sentidos embotados, nem Deus, Sua forma, Seu nome, Sua qualidade, Sua parafernália podem ser percebidos. Os sentidos presentes são embotados. Portanto, na situação ou civilização presente, eles se tornaram ateístas, porque, naturalmente, eles não têm poder para compreender Deus, tampouco são guiados por pessoas que possam fazê-los compreender o que é Deus. Portanto, as pessoas estão se tornando sem Deus, ateístas. Mas, se você ler toda esta literatura védica sob a guia superior, se você seguir as regras e regulações, então svayam eva sphuraty adah. Deus Se revelará a você. Você não pode ver Deus ou entender Deus por seu próprio esforço. Você tem que se render ao processo através do qual Deus pode ser conhecido. Ele, então, irá Se revelar. De outro modo, não. Ele é o controlador supremo. Você está sendo controlado. Então, como você pode controlar Deus? “Oh, Deus, por favor, venha aqui. Irei vê-lO”. Não, não. Deus não é algo tão barato que, por sua ordem, Deus virá e será visto por você. Não. Isso não é possível. Você deve sempre saber que: “Ele é o controlador supremo e eu também sou controlado. Então, se eu puder agradar Deus mediante o meu serviço, então Ele Se revelará a mim”. Este é o processo para conhecer Deus
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Tradução de Bhagavan dasa (DvS) e revisão de Prana Vallabha devi dasi (DvS) e Prema Vardhana devi dasi (DvS)