sexta-feira, 21 de maio de 2010

"SENHOR CAITANYA MAHAPRABHU"


Quando o Senhor Krishna apareceu aproximadamente há cinco mil anos atrás, Ele falou o Bhagavad-gita para dizer às pessoas que se rendam a Ele, e Ele lhes prometeu proteção das reações kármicas de suas atividades. Infelizmente, nem todo mundo aceitou Sua oferta. Assim, sentindo compaixão para com eles, Krishna decidiu vir novamente quinhentos anos atrás, desta vez em uma forma chamada de Sri Krishna Chaitanya. Ele agiu como devoto e ensinou através do exemplo como se render a Krishna.
Como o Senhor Chaitanya, Krishna assumiu a mentalidade e a aparência do Seu devoto mais querido, Sua consorte Radharani, e ensinou como através do canto congregacional dos nomes do Senhor, especialmente na forma do mantra Hare Krishna, nós podemos despertar nosso amor adormecido por Deus. O Senhor Chaitanya concede a maior bênção, amor por Deus, a todo mundo sem consideração, e assim Ele é louvado pelo santo Vaishnava Rupa Goswami como a mais munificente de todas as encarnações do Senhor.
Devotos da linha de Vaishnavismo Gaudiya (da qual faz parte a ISKCON), aceitam o Senhor Chaitanya como sendo não diferente do próprio Senhor Krishna e O adoram de acordo. Por ser a mais munificente de todas as encarnações do Senhor, os devotos primeiro oram ao Senhor Chaitanya antes de adorar o Senhor Krishna para mitigar suas ofensas, usando o mantra do Pancha-tattwa:
jaya sri krishna chaitanya, prabhu nityananda,
sri advaita, gadadhara, srivasadi gaura bhakta vrinda
O Senhor Chaitanya foi ajudado pelos Seus associados mais íntimos, o Panca-tattwa que inclui o Senhor Nityananda e Advaita Acharya, também encarnações do Senhor, e Gadadhara, a encarnação da potência de prazer espiritual do Senhor, e Srivasa Thakura, encarnação do devoto puro do Senhor.
O Senhor Chaitanya apareceu em Mayapur, onde é agora a Bengala Ocidental, no ano 1486 em uma família de brahmanas e era de fato um estudante em Sua mocidade. Entretanto, depois que Ele conheceu Seu guru, Isvara Puri, em Gaya, Se interessou apenas por devoção a Krishna e pelos festivais organizados por muitos devotos tocando instrumentos musicais e cantando os nomes de Krishna nas ruas. Este canto congregacional dos nomes do Senhor, Ele ensinou, é a bênção principal para a humanidade, pois limpa nossos corações dos desejos materiais, e nos permite provar o néctar pelo o qual nós estamos sempre completamente ansiosos, o néctar eterno do amor a Deus.
Para executar Sua missão, Ele aceitou a ordem renunciada de vida, sannyasa, na idade de vinte e quatro anos. Em seguida, Ele viajou ao longo do sul da Índia e inspirou devoção a Krishna em todo mundo que O via. Durante os últimos dezoito anos dos Seus passatempos manifestos neste mundo, Ele viveu em Jagannath Puri com os Seus seguidores íntimos e demonstrou os limites mais elevados de amor a Deus. O Senhor Chaitanya voltou ao mundo espiritual com a idade de quarenta e oito anos.
O Senhor Chaitanya ensinou que como almas espirituais nós somos partes de Deus e assim somos unos com Ele em qualidade, e ainda ao mesmo tempo também somos diferentes d’Ele em quantidade. Isto é chamado acintya-bheda-abheda-tattva, igualdade e diferença simultâneas inconcebíveis. Portanto, nossa posição constitucional é servir ao Senhor com afeição, e nosso amor por Ele pode ser invocado cantando-se Seus nomes e cultivando as qualidades de tolerância e humildade. Despertar nosso amor por Deus, ou Krishna-prema, é a meta última da vida e nos satisfará completamente. O Senhor Chaitanya deixou oito versos, chamados o Shikshashtaka que resumem Seus ensinamentos. E por Sua instrução, Seus principais discípulos escreveram muitos livros, com referências copiosas das escrituras védicas, confirmando Seus ensinamentos.


Sri Sri Sikshastakam (Os oito versos de Sri Caitanya Mahaprabhu)

(1) - Glórias ao Sri-Krishna-Sankirtana, que limpa o coração de toda a poeira
acumulada durante anos e extingue o fogo da vida condicionada e dos repetidos
nascimentos e mortes. Este movimento de Sankirtana é a bênção principal para
toda a humanidade porque espalha os raios da lua das bênçãos. É a vida de todo
o conhecimento transcendental, e nos capacita a saborear plenamente o néctar
pelo qual sempre ansiamos.

(2) - Ó meu Senhor, apenas Teu santo nome pode outorgar todas as bênçãos aos
seres vivos, por isso tens centenas e milhões de nomes, tais como Krishna e
Govinda. Nestes nomes transcendentais aplicastes todas as Tuas energias
transcendentais. Não há sequer regras rígidas para cantar estes nomes. Ó meu
Senhor, por Tua bondade, permites que nos aproximemos facilmente de Ti através
de Teus Santos Nomes, mas desventurado como sou, não sinto atração por eles.

(3) - Deve-se cantar o Santo Nome do Senhor com um estado de espírito
humilde, julgando-se inferior à palha na rua; deve-se ser mais tolerante que
uma árvore; desprovido de todo sentimento de falso prestígio; e deve-se estar
pronto a oferecer todo o respeito aos outros. Neste estado de espírito pode-se
cantar o Santo Nome do Senhor constantemente.

(4) - Ó Senhor todo-poderoso, não tenho nenhum desejo de acumular riqueza,
nem desejo belas mulheres, nem quero ter seguidores. Só quero prestar-Te
serviço devocional imotivado, nascimento após nascimento.

(5) - Ó filho de Maharaja Nanda (Krishna), sou Teu servo eterno, porém, de
alguma forma cai no oceano de nascimentos e mortes. Resgata-me, por favor,
deste oceano de mortes e considera-me um átomo a Teus pés de lótus.

(6) - Ó meu Senhor, quando meus olhos se decorarão com lágrimas de amor
fluindo constantemente ao cantar Teu Santo Nome ? Quando minha voz se abafará,
e quando os pêlos de meu corpo se arrepiarão ao recitar Teu nome.

(7) - Ó Govinda ! Sentindo saudades de Ti, para mim parece que um instante
dura doze anos ou mais. De meus olhos, fluem lágrimas como torrentes de chuva,
e sinto que o mundo está vazio na Tua ausência.

(8) - Não conheço ninguém além de Krishna como meu Senhor, e Ele sempre o
será mesmo que me trate de forma um tanto bruta ao me abraçar ou que parta meu
coração por não estar presente diante de mim. Ele é completamente livre para
fazer qualquer coisa, pois sempre será o meu Senhor adorável,
incondicionalmente.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"SEJA VEGETARIANO"



Bom é não comer carne / Rom.

Não destruas por causa da comida as obras de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.
Romanos, 14: 20, 21

"ETIQUETA VAISHNAVA"


O que é Etiqueta Vaishnava?
Etiqueta Vaishnava é um conjunto de comportamentos que facilita a consciência de Krishna, atrai as bençãos dos devotos e torna sublime a associação com devotos.
O Senhor Chaitanya Mahaprabhu, ao instruir Sanatana Goswami, disse que “…caracteristicamente um devoto observa e protege a etiqueta Vaishnava. Manter a etiqueta Vaishnava é o ornamento do devoto”. (CC Antya 4.129-30)
Quando perguntado como se identificava um Vaishnava, Srila Prabhupada, o fundador-acharya da ISKCON, respondeu: “Ele é um cavalheiro perfeito”.

Etiqueta com Pessoas
1. Lidando com pessoas em geral
Não há sentido em se proclamar devoto amoroso de Deus e tratar mal desnecessariamente qualquer ser vivo. É prática intrínseca de bhakti-yoga ser gentil e bondoso com todos os que são inocentes e não-violentos.
“Toda pessoa deve agir assim: ao encontrar uma pessoa mais qualificada do que ele, deve ficar muito satisfeito; ao encontrar uma pessoa menos qualificada, deve ter compaixão; e ao encontrar alguém igualmente qualificado, deve estabelecer um vínculo amistoso. Dessa maneira, a pessoa nunca é afetada pelas três misérias do mundo material.” (SB 4.8.34 - Narada Muni instrui Dhruva Maharaja)
“Um devoto intermediário ou de segunda classe, chamado de madyama-adhikari, oferece seu amor a Suprema Personalidade de Deus, é um amigo sincero a todos os devotos do Senhor, mostra misericórdia às pessoas ignorantes que são inocentes e ignora aqueles que são invejosos da Suprema Personalidade de Deus.” (SB 11.2.46)
É também um princípio básico de toda boa civilização demonstrar muito respeito para com nossos pais, tios e qualquer pessoa idosa.

2. Lidando com devotos
”Devotos” são aqui definidos como todos aqueles que desejam sinceramente avançar em consciência de Deus, seja dentro do Movimento Hare Krishna (ISKCON), seja em outras religiões. Nesse sentido, é importante lembrar a afirmação de Prabhupada:
“Querer ser consciente de Krishna é tão bom quanto estar num estado de consciência de Krishna. Não há verdadeira diferença; é como a diferença entre mangas verdes e mangas maduras. A manga madura não é uma manga diferente, mas é somente uma condição da manga verde” (Carta a Robert Hendry – Los Angeles 3 de agosto, 1969)
Existe uma hierarquia natural na consciência de Krishna, onde devemos ter um cuidado especial ao lidar com devotos mais avançados:
“Deve-se honrar mentalmente o devoto que canta o santo nome do Senhor Krishna, deve-se oferecer humildes reverências ao devoto que já foi iniciado e está ocupado em adorar a Deidade e deve-se buscar a associação e fielmente servir o devoto puro que está avançado em puro serviço devocional, e cujo coração está livre da propensão a criticar outros”. (Néctar da Instrução, verso 5)
Alguns parâmetros básicos para reconhecer um devoto mais avançado são:

1) Aquele que é um devoto há mais tempo que nós;
2) Aquele mais engajado em serviço devocional que nós;
3) Aquele que está ocupado em trabalhos missionários;
4) Aquele que é o líder ou está numa posição administrativa em um templo ou projeto missionário;
Devemos respeitar os devotos mais avançados e servi-los sempre que possível. Algumas instruções práticas incluem:
1) não tente ocupá-los em algum serviço, a não ser que você esteja numa posição administrativa e eles tenham se oferecido para seguir suas ordens ou lhe solicitado algum serviço;
2) não os instrua, a não ser que tenham solicitado sua instrução ou estejam sentados para ouvir sua aula;
3) não os corrija ou fale de forma desagradável com eles;
4) não os ofereça prasadam de seu prato;
5) não os interrompa quando estão falando;
6) sirva prasadam a eles primeiro;
7) quando chegam num programa (aula, festival, etc.) ofereça um assento ou almofada;
8) peça a instrução deles;
Esse comportamento torna o ambiente doce e favorece o avanço espiritual, invocando a tão importante benção e ajuda dos devotos mais experientes.
Mais avançado ou não, devemos sempre ter um cuidado especial com os devotos:
“Na verdade, é dever do devoto fazer que todos apreciem o valor dos devotos. Ninguém deve criticar ninguém.” (Carta de Srila Prabhupada a Tamal Krishna, 19 de agosto de 1968)
“Devoto significa [ser] muito generoso e gentil com todos, sempre um cavalheiro sob todas as condições da vida.” (Carta de Srila Prabhupada a Hamsaduta, 10 de dezembro de 1972)
Com o objetivo de que desenvolvêssemos uma atitude de respeito e nos enquadrássemos na mentalidade correta, Srila Prabhupada pediu-nos para utilizar títulos respeitosos ao nos dirigir a outros devotos.
“Eu pedi a todos vocês que se dirijam aos seus irmãos espirituais como prabhu. Esse termo, prabhu, significa chefe. Se todos acharmos que nossos colegas de trabalho [missionário] são chefes, não haverá possibilidade de desentendimentos. O erro está em ser chamado de chefe ou prabhu e se achar exatamente um prabhu ou chefe. A pessoa não deve esquecer que é um servo humilde, mesmo sendo chamado de prabhu.” (Carta de Srila Prabhupada a Nandarani, 28 de novembro de 1967)
Assim, os devotos se dirigem aos outros com o termo “prabhu“, que era usado por Prabhupada tanto para homens como mulheres. Em países latino-americanos pouco se usa o “prabhu” para mulheres, mas nos EUA e Europa as devotas costumam não gostar de serem chamadas de “mataji“, o que significa “mãezinha” em bengali.
Em todo o caso, o devoto sempre sabe que a posição que ele almeja é de ser servo do servo do servo de Krishna… mil vezes distante! Nunca o mestre ou prabhu.
“Um Vaishnava é sempre humilde e meigo, e nunca cheio de si mesmo, mesmo que ele tenha as mais elevadas qualidades dos semideuses.” (Carta de Srila Prabhupada a Upendra, 18 de agosto de 1970)
Em nossa sociedade de devotos, há uma categoria que merece cuidado especial, que são os sannyasis. Os sannyasis são aqueles que receberam a 3ª iniciação, fazendo votos de renúncia e celibato vitalícios, tendo em seus nomes o título “Swami” ou “Goswami“. É dito que se deve prestar reverências tocando a cabeça ao chão, sempre que se vê um sannyasi. A nos referirmos a eles para terceiros, devemos usar o título “Sua Santidade” ou “Srila” e quando nos dirigirmos a eles diretamente, “Maharaja“. Não se usa o termo “prabhu” ao se dirigir a um sannyasi.
O mestre espiritual merece um cuidado ainda maior, pois o mestre espiritual é o representante de Deus. Existe o mestre espiritual que nos dá iniciação (diksa-guru) e o mestre espiritual que nos ensina ou que nos guia na vida espiritual (siksha-guru). Às vezes é a mesma pessoa, mas, na ISKCON, quase sempre não é. Muitas vezes temos em nossa vida um devoto que aceitamos como sendo sério e avançado, que nos guia e nutre nossa consciência de Krishna, mas que não é a mesma pessoa que nos deu ou dará iniciação formal. A regra de etiqueta Vaishnava é que não devemos dar um tratamento diferenciado entre os dois. Os dois merecem o mesmo grau de respeito e serviço. Algumas instruções básicas em lidar com o guru são:
1) Deve-se sempre oferecer reverências tocando a cabeça ao chão ao vê-lo e ao pedir licença para se retirar;
2) Não se deve sentar no mesmo nível ou mais alto que o guru;
3) Deve-se prestar todo tipo de serviço possível ao guru;
4) Deve-se compreender que a ordem do guru é meta suprema na vida;
5) Deve-se anualmente presentear o guru, em seu dia de aparecimento, com palavras de respeito e uma doação (dakshin).

3. Ao ouvir uma palestra
Algumas regras básicas ao comparecer a uma palestra ou aula dos devotos são:
1) certifique-se que o palestrante está com um copo d´água cheio;
2) mantenha-se em total silêncio, exceto para fazer uma pergunta ao palestrante;
3) desligue o celular;
4) evite retirar-se antes do final da aula, mas se tiver que fazê-lo, preste primeiro reverências ao palestrante, tocando a cabeça ao chão;
5) não deixe sua criança correr pela sala ou fazer barulho - leve-a para fora. É uma tortura para uma criança comum ter que ficar sentada quieta durante uma aula e é um incômodo para os demais ter uma criança fazendo barulho durante a aula;
6) não aponte seus pés para palestrante;
7) não se deite.

4. Evitando ofensas
De acordo com as escrituras, cometer uma ofensa a um servo de Deus (Vaishnava aparadha) acarreta grande dificuldade em nossa vida espiritual. Seguindo as recomendações acima descritas, evitamos cometer uma ofensa a um devoto. Porém, se porventura cometermos uma ofensa, a única maneira de retratar o erro é pedir humildemente desculpas ao devoto em questão.

5. Corrigindo devotos
Deve-se ter muito cuidado ao corrigir um devoto. A pessoa que corrige deve ter as seguintes qualificações:
1) ser livre de inveja;
2) ser sinceramente desejosa de ajudar o outro devoto a avançar em consciência de Krishna;
3) estar em uma posição espiritual ou administrativa que justifica e/ou necessita que faça tal correção;
4) ou estar respondendo a um pedido pessoal do devoto em questão para ser corrigido.
O devoto deve ainda estar praticando o que ensina ao devoto que está corrigindo.
Um devoto nunca deve corrigir alguém mais experiente ou avançado que ele. Se ele achar que um devoto numa posição mais avançada que ele está cometendo um erro, ele deve se aproximar de outro devoto igualmente mais avançado com quem tem mais intimidade e pedir sua ajuda ou conselhos sobre como ajustar a situação.

6. Considerações gerais
1) Não aponte seus pés a qualquer devoto;
2) Não toque qualquer devoto com seu pé;
3) Não caminhe por cima de qualquer devoto;
4) O corpo do devoto é considerado sagrado;
5) Comporte-se gentilmente, vendo todos os devotos no Movimento como representantes de Srila Prabhupada;
6) Tenha muito cuidado para não ofender um devoto.

Etiqueta com Deidades e Objetos Sagrados

1. Deidades
A Deidade é Deus aparecendo em objetos aparentemente materiais. Portanto, todo cuidado e respeito é pouco quando diante da Deidade, de Deus. Algumas instruções básicas:
1) ofereça sempre suas reverências ao ver a Deidade;
2) não toque a Deidade a não ser que seja a serviço;
3) não fale de assuntos mundanos diante da Deidade;
4) não se deite diante da Deidade;
5) não aponte seus pés para a Deidade;
6) sempre que possível, não sente de costas para a Deidade;
7) não corrija ninguém em frente a Deidade.

2. Quadros, livros, japa-mala e outros objetos
Quadros de imagens espirituais, formas de Deus ou fotos do mestre espiritual são sagrados. Os livros sagrados são as instruções de Deus, portanto não diferentes dEle. Japa-mala, parafernália do altar, tulasi, tilak, etc. são também todos itens sagrados.
Tais itens devem ser tocados apenas com as mãos limpas, devem mantidos limpos e nunca colocados no chão, cama e outros lugares não limpos. Nunca devem ser levados para dentro de um banheiro (com exceção da tilak que alguns devotos aplicam no banheiro). Nunca devem ser arremessados, senão que sempre transportados com reverência e atenção.
Considera-se que as mãos não estão limpas (e portanto não devem tocar em nada limpo antes de serem lavadas, especialmente os devotos e objetos sagrados) nas seguintes situações:
1) depois de comer;
2) depois de ir ao banheiro;
3) depois de tocar a boca, olhos, ouvido, interior do nariz ou outras partes não limpas do corpo;
4) depois de tocar um animal;
5) depois de beber qualquer líquido;
6) depois de tocar qualquer coisa suja.
Na cultura védica (e em muitas outras culturas asiáticas), a mão direita é reservada para coisas limpas, como comer, e a esquerda para as sujas, como o ato de se limpar no banheiro.

Como se comportar no Templo
O templo é a casa de Deus. Algumas regras básicas devem ser seguidas ao visitar um templo:
1) sempre que possível, visite o templo de banho tomado;
2) use roupas apropriadas para um local sagrado: roupas que são castas, limpas e dignas ou, em outras palavras, roupas que não trazem atenção ao seu corpo ou são demasiadamente opulentas;
3) retire seus sapatos e deixe-os no local indicado, deixando sempre a passagem livre;
4) se houver um sino na porta, soe-o levemente ou bata na porta três vezes antes de entrar, se possível saudando suavemente o nome das Deidades, como “Jaya Goura-Nitai! Jaya Jagannatha, Balarama, Subhadra!“ - isso é como tocar a campainha ou bater palmas e chamar o nome do proprietário antes de entrar na casa de alguém;
5) ao entrar, preste reverências a Srila Prabhupada e as Deidades, pronunciando o guru pranam;
a. O guru pranam é o mantra em reverência ao guru. Quem não for iniciado canta apenas as duas linhas do mantra de Srila Prabhupada:
nama om visnu-padaya krsna-presthaya bhu-tale
srimate bhaktivedanta-svamin iti namine
namas te sarasvate deve gaura-vani-pracarine
nirvisesa-sunyavadi-pascatya-desa-tarine
b. Quem for iniciado, deve entoar o mantra de seu guru e depois o de Srila Prabhupada.
c. Mulheres prestam reverências tocando os pés, mãos e cabeça ao chão, mas homens devem prestar dandavats, que significa “como uma vara”, estendendo-se por completo no chão. Mulheres não prestam dandavats, porque seus seios e ventre são considerados sagrados e não devem tocar no chão.
6) nos templos é costume homens e mulheres ficarem em lados separados, para facilitar maior concentração na aula ou na Deidade - observe em que lado estão os homens e mulheres e dirija-se ao lado correto;
7) ao receber ou compartilhar artigos que foram oferecidos para a Deidade, como flores, água e a lamparina, use sempre a mão direita;
8) durante os kirtans e bhajans, esforce-se para acompanhar as letras e mantras - todas as canções podem ser aprendidas adquirindo-se livros como “Manual Vaishnava” ou “Canções Vaisanavas”;
9) ao final do kirtan, um líder do grupo vai entoar as orações “prema dhvani” (aquelas que terminam com “ki jay“); ao final delas, cada um entoa as orações ao guru como acima descrito;
10) ao receber prasadam, honre-a com uma atitude devocional e coma com sua mão direita, nunca a esquerda, tentando não deixar restos no prato;
a. após comer, suas mãos estarão sujas, portanto não se sirva mais, nem sirva aos outros antes de lavar as mãos;
b. ao servir prasadam, não deixe a colher de servir tocar no prato, especialmente um já utilizado.
11) não se aproxime de pessoas do sexo oposto sem uma boa razão devocional;
12) evite toda discussão mundana dentro do templo, entoe apenas vibrações transcendentais dos ensinamentos e mantras.

Conclusão
Foram apresentadas acima algumas regras básicas da etiqueta Vaishnava. Não se intimide, caso no início possa parecer complicado. Ninguém espera que um novato saiba de tudo isso imediatamente. Observe os devotos maduros, releia estas instruções e assim poderá aperfeiçoar sua prática de etiqueta Vaishnava aos poucos. Na dúvida, consulte um devoto mais experiente com quem tenha afinidade.
Sri Chaitanya Mahaprabhu enfatiza:
“Deve-se cantar o santo nome do Senhor em um estado de espírito humilde, considerando-se inferior à palha na rua; deve-se ser mais tolerante que uma árvore, destituído de todo o sentido de falso prestígio, e deve-se estar pronto para oferecer todo o respeito aos outros. Em tal estado de espírito, pode-se cantar o santo nome do Senhor constantemente.” - Sri Siksastaka 3
Acima de tudo devemos entender que a cultura Vaishnava é uma cultura de tolerância, respeito e humildade.
Para finalizar, é sempre bom lembrar a instrução várias vezes citada por Srila Prabhupada, tirada do Padma Purana, que a principal ordem é “sempre se lembrar de Krishna” e a principal proibição é “nunca se esquecer de Krishna”.