domingo, 27 de dezembro de 2009

"O BOM USO DA PALAVRA"

"É dito que se reconhece o caráter de um homem pela qualidade de sua fala. Por exemplo, uma pessoa tola em meio a uma assembléia de sábios enquanto não se pronuncia, ninguém pode suspeitar de sua tolice. Mas assim que ela começa a falar, ela acaba tropeçando em suas próprias palavras e revelando a sua natureza nem um pouco sabia. Como diz a famosa sentença bíblica: “Não importa o que entra pela boca do homem, mas o que sai dela”. Isso tudo nos alerta sobre o cuidado que devemos ter com o uso da palavra em todas as esferas em que somos chamados a nos relacionar com o outro. Isto é na família, no trabalho, nos círculos de amizade, na comunidade religiosa ou política a qual pertencemos, etc. Na realidade, a palavra é um dos critérios fundamentais para avaliar a qualidade de minha relação com o outro. Se a palavra é tão importante assim em nossas vidas, qual melhor uso se pode fazer dela? Neste sentido o Senhor Krishna sugere um uso sóbrio da palavra submetendo-a a algumas restrições, ou seja, a palavra se aprimora quando sofre o processo de tapas (austeridade). Assim, a Sua recomendação é a seguinte: anudvega-karam vakyamsatyam priya-hitam ca yatsvadhyayabhyasanam caivavan-mayam tapa ucyate(Bg. 17.15). “A austeridade da fala consiste em proferir palavras verazes, agradáveis, benéficas e que não perturbam aos outros, e também em recitar regularmente os textos sagrados”. Se examinarmos este verso podemos facilmente concluir que para fazermos bom uso da palavra, devemos observar em nossa fala os critérios aqui claramente definidos neste verso. Isto é, nossas palavras devem ser:

• satyam – verazes, o que significa ainda que eu deva dizer alguma verdade ao outro, isso não implica em ser rude. A verdade precisa sim ser dita, mas devemos ter cuidado para que isso seja feita da maneira mais apropriada. Por exemplo, o pai pode repreender fortemente o filho, mas a motivação deve ser sempre tentar corrigir-lhe o comportamento, através do dialogo cercado de amor e confiança. A reprimenda gratuita e irresponsável, só leva a discórdia;

• priya – agradáveis, uma fala agradável desarma o mais resistente dos interlocutores, sem contar que uma fala assim acaba sempre ajudando a superar um impasse, durante uma discussão calorosa, levando a um consenso. Ademais, contribui para que nos tornemos cada vez mais queridos, pois, a pessoa de fala agradável, sempre sabe também ouvir. É o tipo de pessoa que todos procuram para se relacionar;

• hitam – benéficas, isso quer dizer que com minhas palavras devo levar esclarecimento, conforto, coisas que elevam, e não o contrario, ferir, ofender. Meu discurso devo contribuir para o crescimento do outro;

• anudvega-karam – pertinentes, entende-se por isso, ter as palavras certas no momento certo e nas circunstâncias certas. Srila Prabhupada recomendava a quem fosse pregar que levasse em conta tempo, lugar, e circunstâncias. Isto é, para cada audiência ter a fala adequada. Por exemplo, a minha maneira de me dirigir a uma pessoa, pode não valer para outra, isto implica em termos uma certa perícia no uso da palavra, o que não é tão fácil assim, mas pode ser aprimorado, se quisermos. Este tipo de palavra não perturba, nem incomoda a ninguém;

• svadhyayabhyasanam – este ultimo critério que mais parece um palavrão (risos) traz na realidade, um aspecto muito interessante da filosofia iogue ou do yoga, se preferir. Esta palavra é composta de duas raízes, svadhyaya – que significa estudo do Ser e de sua relação com o Supremo através dos textos sagrados, e, abhyasanam – sentar-se (asana) para praticar ou recitar (abhya). Isto é, reservar um tempo para ficar só e através do estudo filosófico entender melhor a nossa condição humana e a nossa natureza mais essencial como entidade espiritual, contribui e muito para fazermos bom uso da palavra, pois este procedimento, nos tornará certamente mais compassivo e tolerante com o outro.

Todo esse estudo sistemático é interessante e necessário, mas minha experiência pessoal e convívio com os devotos mais avançados me diz que isso tudo exige boa vontade, equilíbrio interno e muita sabedoria, pois, como dizia no inicio, as nossas palavras denunciam as nossos acertos ou falhas. Mas, ao nos esforçarmos com sinceridade para sermos queridos por Krishna (A Pessoa Toda Atrativa), sem duplicidade, nos tornaremos automaticamente querido por todos, pois assimilaremos a natureza Toda Atrativa do Senhor. Conseqüentemente nossas palavras se tornarão sem duvida com a prática e o passar do tempo, vias seguras, afinadas com a vontade divina, para levarmos confiança e amor ao próximo."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

"PARA REFLETIR"











- Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz .
Milan Kundera
- Se eu tenho alguma crença a respeito de imortalidade, esta é de que vários cães que eu conheci irão para o paraíso e muito, muito poucas pessoas .
James Thurber


Obs: O nome desta cadela é "shiva", atualmente ela está aos meus cuidados. Ela também é uma criatura de Deus.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

"REFLITAM SOBRE ISTO!"

“Diz que quando as pessoas cruzam nossos caminhos, há sempre uma mensagem para nós. Encontros casuais não existem. Mas o modo de respondermos a esses encontros determina se somos capazes de receber a mensagem. Se temos uma conversa com alguém que cruza nosso e não vemos uma mensagem sobre nossas questões atuais, isso não significa que não houvesse uma mensagem. Significa apenas que não a captamos, por algum motivo.
Todo mundo que cruza nosso caminho tem uma mensagem para nós. Do contrário, teriam seguido, ou saído antes ou depois. O fato de essas pessoas estarem aqui significa que estão aqui por algum motivo”.

“Entretanto, se eu me esforçasse como havia me esforçado, talvez conseguisse um dia entender que as pessoas sempre chegam na hora exata nos lugares onde estão sendo esperadas”.

sábado, 12 de dezembro de 2009

"BHAGAVAD-GITÁ: 17.15"

anudvega-karam vakyam
satyam priya-hitam ca yat
svadhyayabhyasanam caiva
van-mayam tapa ucyate


A austeridade da fala consiste em proferir palavras verazes, agradáveis, benéficas e que não perturbam os outros, e também em recitar regularmente a literatura védica.

Ninguém deve falar de um modo que agite a mente dos outros. Naturalmente, ao falar, um professor pode instruir seus alunos, dizendo-lhes a verdade, mas esse mesmo professor não precisa se dirigir àqueles que não são seus alunos com palavras que acaso venham a agitar suas mentes. Esta penitência refere-se ao ato de falar. Ademais, não se deve falar tolices. O processo de falar em círculos espirituais consiste em dizer algo que as escrituras aprovam. Para confirmar aquilo que diz, a pessoa deve imediatamente citar uma passagem da escritura autorizada. Ao mesmo tempo, deve ser muito agradável ouvir a sua conversa. Com seus comentários, ela pode obter o maior benefício e elevar a sociedade humana. Há um acervo ilimitado de literatura védica, e todos devem procurar estudá-la. Isto se chama penitência da fala.