sábado, 10 de outubro de 2009

"PURUSHATRAYA SWAMI"


"Definitivamente, a vida humana não deve ser desperdiçada com futilidades, com conquistas efêmeras, nem com atividades dedicadas exclusivamente à personalidade externa, pois essa, mais cedo ou mais tarde vai desaparecer e tudo referente a ela se perde. Certamente, o melhor investimento da vida é o aperfeiçoamento espiritual, o despertar da consciência espiritual, o cuidar da alma. O resultado do cultivo espiritual é a única coisa que fica desta vida e é o fator determinante da nossa próxima situação de vida, seja lá onde for. Uma coisa deve ficar bem clara: a personalidade e o corpo são falíveis e temporários, já a alma segue sua trajetória eterna rumo à suprema perfeição em seu habitat natural, a Transcendência."
PURUSHATRAYA SWAMI.

"REFLEXÕES"

Amor Próprio
“Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”, é a injunção do Decálogo. Uma chave para se por em prática esse mandamento é o amor próprio. Amar a si mesmo significa, entre outras coisas, querer o melhor para si. Qual é, então, o nosso melhor interesse? Nessa hora, a maioria das pessoas fazem a escolha errada ao pensar que adular o ego é o que há de melhor. Esquecem-se da alma, o ego verdadeiro, a essência individual eterna. Dessa maneira, não conseguem amar-se, conseqüentemente, não são capazes de verdadeiramente amar ao próximo, e o que dizer amar a Deus.

Sanidade Espiritual
Vida espiritual sã implica em ter olhos abertos para a realidade. Não é fuga da realidade, nem fantasias ou delírios. A pessoa sabe muito bem onde está pisando e não se deixa iludir. Sabe distinguir entre o que vale a pena e o que não vale a pena investir na vida. Não engana nem é enganada. Está atenta para não se deixar confundir entre ilusão e realidade. Espiritualidade genuína implica em conhecimento do eu, do mundo e de Deus. Não é algo caprichoso ou meramente sentimental . [Cuidado! Existem muitos produtos de imitação no mercado...]
A essência da espiritualidade genuína é a conexão entre a alma individual e a Alma Suprema, Deus, e essa relação é na base do amor e devoção. Estando, assim, consciente da realidade e em comunhão com Deus, pode-se experimentar auto-confiança, paz interior e felicidade plena, mesmo em meio a este mundo caótico.

Sucesso na Vida
Para a sociedade moderna, o referencial do sucesso na vida é dinheiro, fama e poder. De um modo geral, todos aspiram a isso e os jovens são educados nessa direção. Mas o ruim da história é que poucos conseguem chegar lá. Uma vez constatada a inviabilidade do tal ‘sucesso’, a opção geralmente que fica é a busca do conforto e entretenimento. Essa passa a ser a meta da vida para a maioria.
Em geral, aqueles que logram alcançar o tal ‘sucesso’ ficam intoxicados pelo próprio ‘sucesso’ e o ego incha. Mas, como tudo na vida tem um preço, o preço que se paga é alto— a absorção desmesurada no próprio ego leva, invariavelmente, a um total desleixo da contraparte espiritual da vida, e, como conseqüência, a alma definha.
Já a turma do conforto e entretenimento, distraídos com as amenidades da mídia televisada e atrações dos shoppings da moda, vêem-se sufocados por um interminável caudal de anseios fúteis. Essa vida fútil produz, inevitavelmente, embotamento e inércia espiritual. O tempo vai passando e a vida é assim tristemente desperdiçada. O que pode, então, resultar daí? Somente vazio e frustração.
O verdadeiro sucesso na vida é a auto-confiança, paz interior e felicidade plena que é conseguida com a saúde da alma e a íntima relação com Deus.

Semeando e Colhendo
Mesmo não aceitando os conceitos de karma e renascimento, considere: “Colhemos o que semeamos”. O que hoje somos, já é nossa colheita. O agricultor sensato separa os melhores grãos para serem usados como sementes no próximo plantio. De fato, temos nosso destino em nossas mãos. Agora está na hora de semear para a próxima safra. Temos que limpar e preparar bem o terreno (purificação), adubar (conhecimento espiritual) e regar regularmente (práticas espirituais). Boa colheita para todos!!

O Melhor Investimento
Definitivamente, a vida humana não deve ser desperdiçada com futilidades, com conquistas efêmeras, nem com atividades dedicadas exclusivamente à personalidade externa, pois essa, mais cedo ou mais tarde vai desaparecer e tudo referente a ela se perde. Certamente, o melhor investimento da vida é o aperfeiçoamento espiritual, o despertar da consciência espiritual, o cuidar da alma. O resultado do cultivo espiritual é a única coisa que fica desta vida e é o fator determinante da nossa próxima situação de vida, seja lá onde for. Uma coisa deve ficar bem clara: a personalidade e o corpo são falíveis e temporários, já a alma segue sua trajetória eterna rumo à suprema perfeição em seu habitat natural, a Transcendência.

Eternidade
A eternidade transcende o conceito de tempo. Não há passado, presente e futuro. é um estado pleno de existência, bem-aventurança e perfeição absoluta. Tudo é fresco, viçoso e de beleza infinita. Não há a hipótese de decrepitude.
Obviamente, esse não é o estado de existência que agora experimentamos. Aqui tudo é relativo e sujeito às dualidades: bom/mal, prazer/dor, etc. De fato, temporalidade, imperfeição, deterioração, limitação, sofrimento e morte são as marcas registradas deste mundo. Aqui o tempo está sempre marcando sua impiedosa e inexorável presença.
Mesmo assim, podemos, aqui mesmo, experimentar a eternidade, a liberdade, a perfeição e o êxtase espiritual se nossa consciência estiver em estreita união com Deus.

Partindo bem
Uma grande armadilha desse mundo são os apegos materiais. Muito cuidado com eles! Saiba lidar com eles. Uma vez que se instalam na consciência, eles prendem a consciência da pessoa a esse mundo e, com a morte, a separação e a ruptura das coisas e pessoas queridas produz uma carga emocional muito grande, que produz sofrimento atroz para a alma.
Como, então, podemos lidar com isso, visto que é natural sentir-se apegado aquilo que gostamos? Primeiramente, compreendendo bem a natureza transitória dessa vida e, depois, definindo bem a hora de ‘aposentar-se’. Depois de ter se dedicado a maior parte da vida às coisa desse mundo, prepare-se agora para a sua partida. Vá tirando, gradualmente, sua exclusiva atenção das coisas referentes ao corpo— negócios, entretenimentos, futilidades— e concentre-se no espírito. Recicle sua relação com Deus. Pare para meditar. Ocupe-se em práticas espirituais. E parta bem— solto, feliz, com a satisfação do dever cumprido, com a sensação de que valeu a pena ter vivido e até mesmo, curioso pelo que vem pela frente. Vá em frente confiante. Você não estará sozinho!
Seja o melhor! Se és cristão, sejas o melhor cristão; se és muçulmano, sejas o melhor; e assim por diante. Isso vale para o budista, o taoista, o hinduista, Hare Krishna, etc. O que é realmente mais importante é tornar-se consciente de Deus.

Amor a Deus
Todas as religiões genuínas falam em amar a Deus, mas poucas, realmente, ensinam o segredo de se conseguir isso. Vemos, hoje em dia, muitos adesivos dizendo “Deus é fiel”. Ele é fiel, mas, e você? Ele o ama, mas, para onde está direcionado seu amor? O amor tem duas vias, de lá para cá e daqui para lá. Se toda a sua energia de amor está canalizada para as coisas deste mundo sua relação com Deus está defeituosa ou, até, inexistente.
A consciência de Krishna é um processo genuíno de despertar o natural sentimento de amor a Deus. Esse sentimento, na verdade, já está presente no coração, mas, na maioria das pessoas, encontra-se adormecido. O maha-mantra Hare Krishna funciona como o despertador.

PURUSHATRAYA SWAMI.

"O CONTROLE DOS SENTIDOS"

60. Os sentidos são tão fortes e impetuosos, ó Arjuna, que arrebatam à força mesmo a mente de um homem de discriminação que se esforça por controlá-los. 61. Aquele que restringe os sentidos, mantendo-os sob completo controle, e fixa sua consciência em Mim, é conhecido como homem de inteligência estável. 62. Enquanto contempla os objetos dos sentidos, a pessoa desenvolve apego a eles, e de tal apego se desenvolve a luxúria, e da luxúria surge a ira. 63. Da ira, surge completa ilusão, e da ilusão, a confusão da memória. Quando a memória está confusa, perde-se a inteligência, e ao perder a inteligência, cai-se de novo no poço material. 64. Mas quem está livre de todo o apego e aversão e é capaz de controlar seus sentidos através dos princípios reguladores com os quais se obtém a liberdade, pode receber a completa misericórdia do Senhor. 65. Para alguém que sente essa alegria, as três classes de misérias da existência material deixam de existir; nessa consciência jubilosa, a inteligência logo torna-se resoluta. 66. Quem não está vinculado ao Supremo não pode ter inteligência transcendental nem mente estável, sem as quais não há possibilidade de paz. E como pode haver alguma felicidade sem paz? 67. Assim como um vento forte arrasta um barco na água, mesmo um só dos sentidos errantes em que a mente se detenha pode arrebatar a inteligência de um homem. 68. Portanto, ó pessoa de braços poderosos, o indivíduo cujos sentidos são restringidos de seus objetos com certeza tem a inteligência estável. 69. Aquilo que é noite para todos os seres é a hora de despertar para o autocontrolado; e a hora de despertar para todos os seres é noite para o sábio introspectivo. 70. Só quem não se perturba com o incessante fluxo de desejos – que são como rios que entram no oceano, que está sempre sendo enchido mas nunca se agita – pode alcançar a paz, e não o homem que luta para satisfazer esses desejos. 71. Aquele que abandonou todos os desejos de gozo dos sentidos, que vive livre de desejos, que abandonou todo o sentimento de propriedade e não tem ego falso – só ele pode conseguir a paz verdadeira. 72. Este é o caminho da vida espiritual e piedosa, e o homem que a alcança não se confunde. Se, mesmo somente à hora da morte, ele atinge essa posição, pode entrar no reino de Deus.

Tanto nas escrituras védicas, quanto em outras escrituras do mundo, existem muitas histórias narrando a vida de grandes personalidades, yogis, sábios ou diferentes classes de espiritualistas, que fracassaram no intento de controlar seus sentidos. E agora, o motivo deste fracasso é explicado aqui pelo Senhor Krishna. Os sentidos são fortes e impetuosos e eles têm o poder de arrastar a mente de qualquer um – especialmente no que diz respeito ao impulso sexual. Deve-se entender, portanto, que sem uma ocupação constante nas atividades da consciência de Krishna é absolutamente impossível controlar os sentidos. Isto porque os sentidos exigem ocupações práticas, e se não estiverem ocupados em serviço devocional ao Senhor, certamente se ocuparão em atividades para desfrute material. A verdade é que, enquanto habita um corpo material, a alma espiritual está numa condição bastante difícil, vivendo numa atmosfera plena de encantos criados pela energia ilusória. Os objetos dos sentidos materiais estão sempre tentando atrair os sentidos do ser corporificado. A situação do ser corporificado pode ser comparada a um submarino nas profundezas do oceano. O submarino tem de estar hermeticamente fechado, pois, caso haja um mínimo orifício, por menor que seja, o submarino afundará gradualmente. Do mesmo modo, vivendo nas profundezas deste oceano de ilusão material, os seres corporificados precisam ter o cuidado constante de fechar seus sentidos e não permitir que a energia ilusória penetre por eles e afunde sua consciência. Mas isto não significa que uma pessoa consciente de Krishna tenta evitar os objetos dos sentidos artificialmente, simplesmente negando-os ou reprimindo seus sentidos. Ela é inteligente o bastante para compreender que o segredo do controle dos sentidos é a arte de utilizar tudo no serviço ao Senhor, o que para ela é bastante natural, devido ao desenvolvimento de sua devoção. Portanto, ela nunca se torna vítima da consciência materialista e nunca cai na ilusão de julgar-se proprietário, controlador ou desfrutador da energia material. Ao vincular ao Senhor todas as suas ocupações, a pessoa estabiliza sua inteligência e apazigua sua mente e sentidos. Perdendo o interesse por atividades mundanas, tal pessoa vive desperta para atividades transcendentais e sente grande prazer no avanço espiritual. Ela não tem necessidade de nada, pois o Senhor está sempre presente em sua mente e coração. Mesmo que, de algum modo, surjam desejos em sua mente, ela consegue manter-se imperturbável, devido à misericórdia do Senhor que recompensa o esforço de seu servo que tão sinceramente se ocupa em Seu serviço. Seu único desejo é tornar-se cada vez mais consciente de Krishna e esta fase perfeita é considerada a verdadeira ausência de desejos. Situada assim, tal pessoa nunca se esquece de que o Senhor é o único proprietário e que, portanto, tudo deve ser utilizado em Seu serviço amoroso. A entidade viva não pode existir sem desejos, nem pode existir sem sentimentos ou atividades. Portanto, estar sem desejos significa que não se reivindica falsamente a propriedade de algo. Este é o princípio básico e essencial para se alcançar a plataforma de verdadeira paz interior.
( Comentário em azul por: Chandramukha Swami ).

BHAGAVAD-GÍTÁ ( Cap. 2 Versos 60-72)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

"TEMPO"

1
¶ Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
2
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
3
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
4
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
5
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
6
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
7
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
8
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.


LIVRO DO ECLESIASTES (Cap. 3).