terça-feira, 23 de junho de 2009

"HATHA-YOGA e o BHAGAVAD-GITÁ"

De acordo com uma pesquisa de 2003 realizada pela Associação Manufatureira de Artigos Esportivos [Sporting Goods Manufacturers Association], uma estimativa de 13.4 milhões de americanos praticam yoga, e muitos outros experimentam a prática todos os anos. Yoga está em toda parte – de Mumbai a Moscou a Monte Claro. Mas, embora a yoga se destine a levar as pessoas para mais perto de Deus, muitos dos yogis atuais têm um compromisso diferente com a prática, sendo o mais comum manter o corpo em forma.

“Eles não são necessariamente buscadores de profundeza espiritual, mas buscam fazer yoga como outra forma de exercício”, diz Jennifer McKinley, co-fundadora e administradora geral da Plank, uma fabricante de sofisticados tapetes de yoga para consumidores de alto poder econômico, de bolsas e de outros acessórios. Lançada em 2005, a companhia espera que as vendas para o próximo ano rivalizem com a venda de equipamentos da ginástica ocidental.

Em um mundo crescentemente secular, nós naturalmente queremos adaptar valiosas técnicas milenares a propósitos contemporâneos, mas a yoga está perdendo sua essência nesse processo.

Yoga é uma ciência deixada para nós pelos sábios da Índia. A palavra yoga significa literalmente “unir”, e sua implicação, originalmente, era similar à raiz latina da palavra religião, que significa “religar”. Assim, tanto yoga quanto religião se destinam a nos levar ao mesmo fim: unir-nos e religar-nos a Deus.

A Mensagem Interna dos Yoga-sutras

Os yogis atuais possivelmente considerarão interessante saber que, tradicionalmente, o texto preeminente da yoga é o Bhagavad-gita – e não os famosos Yoga-sutras de Patanjali. Mas o Gita não é como o seu conhecido manual de yoga, repleto de posturas corporais difíceis e extenuantes técnicas de meditação. Ao contrário, ele delineia a prática para se obter a meta da yoga – a conexão com Deus – encorajando o cantar dos nomes de Krsna, ensinando como agir sob a ordem de Krsna e explicando a importância de se cumprir o próprio dever em consciência espiritual. Essas atividades, realizadas apropriadamente sob a orientação de um adepto, permitem à pessoa transpor muito do que é considerado essencial na yoga convencional.

Há, contudo, harmonia entre o Gita e os Yoga-sutras. Tanto o Senhor Krsna como Patanjali indicam, por exemplo, que devemos transcender toda falsa concepção de “eu” e desenvolver amor por Deus, o que Patanjali chama de isvara-pranidhana, “dedicação a Deus”.

Patanjali escreveu no século terceiro EC, mas pouco se sabe sobre sua vida. Seu único texto sobrevivente, o Yoga-sutra, indica que um físico harmonioso e tabernáculos mentais são úteis na busca pela verdade espiritual. De fato, seu maior feito é que ele se valeu de práticas antigas destinadas ao aprimoramento do corpo e da mente e as codificou para o benefício dos praticantes espirituais.

Entretanto, os Yoga-sutras de Patanjali apenas aludem às verdades elucidadas no Bhagavad-gita, que deve ser considerado a pós-graduação do estudo da obra de Patanjali. Mesmo assim, Patanjali intencionou que seu método fosse utilizado com vista ao benefício espiritual último, como alguns de seus versos, especialmente aqueles mais próximos do fim, deixam claro. Apesar disso, muitos praticantes de yoga atuais utilizam seu método somente com o intento de obter saúde física e mental em razão de, no começo de sua obra, Patanjali focar principalmente os métodos básicos relacionados ao corpo e à mente, sem muito comentário espiritual.

No sutra 3.2, por exemplo, aprendemos que dhyana, ou meditação, é o contínuo movimento unidirecional da mente em direção a um único objeto. A técnica de Patanjali, no entanto, pode ser utilizada para se concentrar em qualquer objeto, não apenas em Deus. E muito embora ele diga a seus leitores o ponto de seus sutras – a aproximação de Deus – a pessoa pode ser tentada a utilizar seus métodos para fins egoístas, como ele diz posteriormente na obra. Em última instância, a concentração unidirecional tem Deus como foco, embora a pessoa não possa compreender claramente como fazer isso até que se gradue até o Bhagavad-gita.

Como o professor Edwin Bryant aponta em seu excelente artigo “Patanjali’s Theistic Preference, Or, Was the Author of the Yoga-sutras a Vaishnava?” [Sem tradução ao português] (1), Patanjali estava tentando guiar sua audiência diversa em direção à adoração à Suprema Personalidade de Deus, mesmo que o esteja fazendo indiretamente. Assim como hoje, muitas formas de religião sitiavam a Índia de seu tempo; praticantes adoravam numerosos aspectos do Supremo. Conseqüentemente, ele optou por uma abordagem gradual em seus Yoga-sutras, acreditando que, assim, acomodaria sua variada audiência.

Ele defende, todavia, que o objeto último de meditação é Isvara, que significa “controlador”, e, em geral, refere-se a Deus.. Conquanto haja muitos controladores e muitas formas do Supremo, o Bhagavad-gita (18.61) afirma que o isvara último é Krsna. Outros textos também nos dizem isso. Levemos em consideração o multimilenar Brahma-samhita (5.1):

isvarah-paramah krsnahsac-cid-ananda vigrahahanadir adir govindahsarva-karana- karanam
“Krsna, que é conhecido como Govinda, é o Senhor Supremo [isvarah-paramah]. Ele tem um corpo espiritual eterno e bem-aventurado. . Ele é a origem de tudo. Ele não tem nenhuma outra origem, e Ele é a causa primeira de todas as causas”.

Patanjali aconselha sua audiência a optar por um ista-devata, uma deidade à sua escolha. Sua razão é transparente: Ele está tentando ensinar um método de meditação, e o aprendizado de tal método é mais fácil se o indivíduo o pratica com um tema que lhe é próximo ao coração.

Patanjali tinha Krsna em mente quando delineou o processo de yoga e sua meta de amor a Deus? Para alguém versado na literatura Védica, é óbvio que a resposta é sim. Nas palavras de Edwin Bryant:

Krsna é [...] é promovido pelo Gita como possuidor de todas as [...] qualidades listadas por Patanjali como pertencentes ao isvara, a saber, ser transcendental ao karma, possuir insuperável onisciência, ser professor dos antigos, ser intocado pelo Tempo, ser representado pelo om e ser o outorgador da iluminação. Krsna não é tocado ou preso pelo karma (Gita 4.14, 9.9), e, em termo de onisciência, ele é o começo, o meio e o fim de tudo (10.20 e 32), aquele que penetra todo o universo com um mero fragmento de si mesmo (10.42). Krsna ensina os antigos (aqui, com a especificação de Vivasvan, o deus do sol, que, após instruído por Krsna, transmitiu o conhecimento a Manu, o progenitor da humanidade [4.1]), e é, ele próprio, o Tempo (10.30 e 33, 11.32). Ele também é a sílaba om (9.17). E, é claro, Krsna assegura a seus devotos que ele irá livrá-los das ciladas deste mundo de maneira que alcancem a meta suprema (9.30-32, 10.10, 8.58). Há, portanto, perfeita compatibilidade entre o não nomeado isvara de Patanjali e o Krsna retratado no Gita. (2)

A tradição de comentários dos Yoga-sutras carrega isso. Os principais comentadores de Patanjali foram Vyasa (século quinto EC, não confundir com o compilador da literatura Védica), Vacaspati Misra (século nono EC), Bhoja Raja (século décimo primeiro EC), e Vijnanabhiksu (século décimo sexto EC). Todos identificam o isvara dos Yoga-sutras como Visnu ou Krsna e demonstram como o Bhagavad-gita expressa a culminação de toda a sabedora Védica relativa à yoga.

Os Oito Membros do Gita

O Bhagavad-gita aborda todos os oito membros da raja-yoga, a forma de yoga popular na atualidade como astanga-yoga ou hatha-yoga (3). Yama, por exemplo, o primeiro membro, consiste em cinco princípios éticos: veracidade, continência, não-violência, não-ganância e abstinência de roubo. Essas disciplinas fundamentais da yoga são mencionadas no Gita, assim como o é niyama, o segundo membro, que consiste em adoração, limpeza, contentamento, austeridade e auto-reflexão.

Agora, o terceiro membro do método de Patanjali, asana, é menos óbvio no Gita. O termo asana aparece infreqüentemente nos lábios do Senhor Krsna. Mas, quando Ele o faz, Ele se refere a “o lugar onde se senta para a prática espiritual”. O Gita não oferece instruções sobre posturas sentadas. O Sexto Capítulo do mesmo, todavia, chega perto disso.. Os versos 11 e 12 afirmam: “Para praticar yoga, deve-se ir a um local reservado e deve-se estender grama kusa no chão e então cobri-la com a pele de um veado e um tecido macio. O assento [asana] não deve ser nem muito alto nem muito baixo, e deve situa-se em um lugar sagrado. O yogi deve então se sentar sobre ele muito firmemente e praticar yoga para purificar o coração controlando seus mente, sentidos e atividades fixando a mente em um ponto”.

Aqui, Krsna usou a palavra asana em um sentido geral, e não técnico. Ele está falando sobre sentar-se para focar a mente.

É fácil perder o foco, e esse é basicamente o argumento de Arjuna contra a hatha-yoga. De fato, o próprio Patanjali identifica nove obstáculos no caminho: dúvida, doença, letargia, preguiça mental, falsa percepção, falta de entusiasmo, apego à gratificação sensorial, falta de concentração, e perda da concentração. Seus comentadores ainda listam muito outros, incluindo a imoderada atração por poderes ióguicos, uma visão equivocada de medição, excessiva simplificação dos oito membros da yoga, e irregularidade na prática. A origem de todos esses problemas é traçável à natureza difícil do método de Patanjali e é a razão para Arjuna ver a hatha-yoga como virtualmente impossível. Ao fim do Sexto Capítulo, ele denuncia tal yoga como excessivamente difícil. Krsna concorda dizendo a Arjuna que o yogi mais elevado sempre pensa em Deus. Krsna vai além e lhe diz que tal meditação é a verdadeira yoga, implicando que o uso do próprio corpo e da própria mente no serviço a Krsna é o asana perfeito.

O Gita também discute pranayama, ou controle respiratório, o quarto membro. Krsna diz que os yogis podem usar o ar que entra e o ar que sai como oferendas a Ele. Ele fala sobre a dedicação do próprio ar vital a Deus. Ele diz a Arjuna que o prana de Seus devotos, ou o ar da vida, destina-se a Deus, e que Arjuna deve usá-lo “para vir a Mim”. De fato, se alguém segue o exemplo de Arjuna e oferece toda respiração a Krsna – falando sobre Ele, cantando Suas glórias e vivendo para Ele – há pouca necessidade de controle respiratório da forma delineada nos sutras de Patanjali. Respirar para Deus é a essência do pranayama. Srila Prabhupada escreve: “O cantar do santo nome do Senhor e o dançar em êxtase também são considerados pranayama”. (Srimad-Bhagavatam 4.23.8, Significado)

O quinto membro da yoga, pratyahara, lida com a retenção dos sentidos, um tema de destaque no Bhagavad-gita. No Segundo Capítulo, Krsna diz a Arjuna que o yogi retira seus sentidos dos objetos dos sentidos “assim como a tartaruga recolhe seus membros para dentro da carapaça”. Abordado superficialmente, isso pode parecer estar sugerindo a completa renúncia do mundo. Mas isso não é de forma alguma o que Krsna está propondo. Ao contrário, como outros versos deixam claro, Ele está ensinando como se renunciam os frutos do trabalho, não o trabalho em si, e como estar no mundo sem ser do mundo. Em outras palavras, Seu ensinamento centra-se em como recolher o apego pelo desfrute pessoal dos objetos dos sentidos. Ele nos instrui a usarmos esses mesmos objetos no serviço a Deus. Isso é a verdadeira pratyahara.

Os Ramos Superiores

E, então, temos a culminação da prática de yoga – os três últimos ramos da raja-yoga: dharana, dhyana e samadhi, ou concentração, meditação e absorção completa.

Enquanto yama e niyama são passos preliminares, estes três são chamados samyama, “a disciplina perfeita” ou “a prática perfeita”. O Bhagavad-gita fala extensivamente sobre estes ramos superiores. Por exemplo, o Senhor Krsna declara: “Apenas fixe sua mente em Mim, a Suprema Personalidade de Deus, e ocupe toda a sua inteligência em Mim. Deste modo, você sempre viverá em Mim, sem dúvida alguma. Meu querido Arjuna, Ó conquistador de riquezas, se você não pode fixar sua mente em Mim sem desvios, então siga os princípios reguladores da bhakti-yoga [abhyasa-yogena]. Deste modo, desenvolva o desejo de Me alcançar”. (Bg. 12.8-9)

O processo da consciência de Krsna é dharana prática, ou concentração espiritual. Vendo pinturas de Krsna, usamos o nosso sentido da visão para Deus; cantando e ouvindo, ocupamos a língua e o ouvido; oferecendo incenso para Krsna, ocupamos o nosso sentido do olfato. Todos os sentidos podem nos ajudar a nos ocuparmos em dharana, conduzindo-nos a estados superiores de meditação e absorção.

O santo nome é particularmente efetivo nesse sentido. Esta é a razão para Krsna dizer que, das austeridades, Ele é a austeridade da japa, o cantar privado, especialmente enquanto se canta em contas. Cantar é o rei das austeridades porque, cantando, podemos facilmente auferir a meta da yoga. Tudo vem junto na prática da japa porque, através do cantar dos nomes de Deus, focamo-nos nEle com a nossa voz, com os nossos ouvidos e com o nosso sentido do tato. E o kirtana, o cantar congregacional, não só nos leva a níveis profundos de absorção, mas também ocupa os sentidos dos espectadores e ouvintes. No sutra 1.28, Patanjali também promove o “cantar constante”.

De modo geral, a ambivalência de Patanjali pode parecer confusa. Quando ele menciona isvara-pranidhana, dedicação a Deus, ele apresenta o mesmo como opcional, ao passo que, posteriormente, ele dá muito mais atenção a isso, com seis versos detalhando a natureza do isvara. No começo, ele parece permitir variedade no objeto de meditação (1.34-38), mas, por fim, ele aconselha o yogi a se focar no isvara, que, nas palavras de Patanjali, é a “especial alma suprema”, o único que pode conceder samadhi, a perfeição ióguica.

Patanjali diz no sutra 3.3 que samadhi ocorre quando o objeto de meditação da pessoa aparece no coração de seus corações sem nenhuma distração ou competidor. Você não tem nenhum outro interesse; como se sua natureza intrínseca perdesse o sentido.

O Bhagavad-gita esclarece melhor. No samadhi, sua natureza intrínseca não perde o sentido. Ao contrário, ela obtém novo sentido: você se vê em relação a Krsna. Você agora é Seu devoto; Ele é o foco de sua vida. Esse estado de absorção perfeita e completa se chama consciência de Krsna.


Notas:
(1). Edwin F. Bryant, “Patanjali’s Theistic Preference, Or, Was the Author of the Yoga-sutras a Vaishnava,” em The Journal of Vaishnava Studies, Volume 14, Número 1 (Outono de 2005).
(2). Ibid.
(3). Isso foi apontado por meu amigo Graham Schweig, professor de religião da Universidade Christopher Newport, Virgínia. Grande parte do material deste artigo sobre os oito membros da yoga deriva-se de suas entrevistas e palestras.

Por: SATYARAJA DASA.
Tradução: BHAGAVAN DASA (DvS).

"A VERDADEIRA YOGA"

É patético, realmente, ver as pessoas tornarem-se presas dos caprichos da mente e procurarem o desastre, em vez de usarem o intelecto para distinguir entre o transitório e o permanente. A mente deveria ser controlada pelo intelecto. De outro modo, as más resoluções traduzidas em ações resultarão em sofrimento. Escolha as boas ações e colha alegria. Certamente, se a pessoa pode desistir dos desejos e da tendência de procurá-los, ela pode desfrutar a paz constante. Se a mente é deixada solta e com o domínio, o homem é conduzido de um desejo a outro. Ele perde o auto-respeito. Ele despreza a lei e a justiça, as regras de conduta e os regulamentos do comportamento social. Sua vida torna-se uma corrida frenética de um lugar a outro e de objeto a objeto. Somente o desapego pode conceder a felicidade. A renúncia é a verdadeira yoga.

SATHYA SAI BABA

domingo, 21 de junho de 2009

"MEU MESTRE ESPIRITUAL - PURUSHATRAYA SWAMI"



“Não sei como cantas, ó meu mestre! Escuto sempre em silencioso deslumbramento.
A luz da tua música ilumina o mundo. O sopro da vida da tua música voa de céu em céu. A torrente santa da tua música rompe qualquer obstáculo de pedra – e jorra.
O meu coração anseia por juntar-se ao teu cântico, mas em vão se esforça por ter voz. Eu poderia falar, mas a linguagem não se transforma em cântico, e, confundindo, choro em voz alta. Ah! Tu fizeste o meu coração prisioneiro nas malhas sem fim da tua música, ó meu mestre!”

namo namah.
daso ‘smi.

"APRESENTAÇÃO"

Primeiramente gostaria de explicar o significado do meu nome:

YADUNATHA DAS.

YADU: é o nome da Dinastia que Krishna nasceu há cinco mil anos atrás.
NÁTHA: Senhor.
DAS: Servo.

Traduzindo: "Servo do Senhor da Dinastia Yadu"

Este nome recebi de meu mestre espiritual. A pronúncia é como se escreve, e por favor, podem me chamar de Yadunatha.


Haribol.